A presidente Dilma Rousseff afirmou algumas vezes que o controle remoto deve ser o único controle sobre o conteúdo exibido pela imprensa no Brasil. Para ela, o telespectador é o responsável pela seleção dos programas que assistir em sua casa. Mas outros membros do PT pensam diferente.
Ontem, o deputado José Mentor (PT-SP) apresentou ao presidente nacional da OAB o teor de um projeto de lei que visa banir da televisão brasileira (aberta ou por assinatura) – ou condicionar a uma autorização prévia – as transmissões de “lutas violentas”.
Mentor que coibir a banalização da violência na televisão brasileira.
A tentação autoritária de bloquear a exibição de conteúdos supostamente ofensivos, infelizmente, não é exclusividade de um dos lados do espectro partidário brasileiro. No ano passado, o diretório fluminense do partido Democratas entrou com uma ação para proibir a exibição do longa “A Serbian Film”. Depois de proibido no Rio de Janeiro, o Ministério da Justiça acabou por proibir a exibição do filme em todo o país, seguindo um pedido da Procuradoria da República em Minas Gerais.
A defesa das crianças parece ser a justificativa número 1 no manual político “Como atacar impunemente as liberdades individuais”. José Mentor só quer proteger as crianças das lutas na televisão. O Senador Valdir Raupp quer proteger as crianças da ameaça dos jogos violentos.
Na busca de proteção aos menores, os políticos atacam a liberdade de todos: eles parecem acreditar que o método mais eficiente para proteção dos vulneráveis é tratar adultos como se fossem crianças.
Enquanto isso, não se ouve palavra sobre a responsabilidade dos pais ou sobre a capacidade de discernimento dos adultos – os mesmos que votam e elegem os políticos.






