13/06/2012

Aprendendo a torcer corretamente

No jogo de hoje à noite, os torcedores de Santos e Corinthians que forem à Vila Belmiro devem ter cuidado: qualquer objeto que a Polícia Militar classifique como “provocador” poderá levar o torcedor da arquibancada direto para a cadeia.

O alerta vem da Folha.com:

A Polícia Militar proibiu a torcida santista de construir um mosaico de bexigas com a inscrição “Tri da Libertadores” na Vila.

O argumento é que a manifestação seria provocação aos corintianos, que nunca venceram o torneio.

(…)

O comando da PM promete, por outro lado, prender qualquer corintiano com objetos que remetam à goleada de 7 a 1 imposta sobre o Santos. Faixas e bandeiras com os números frequentavam os estádios.

Infelizmente, a diminuição da liberdade de expressão nos estádios não é novidade. No ano passado, policiais cariocas tentaram impedir que a torcida do Fluminense exibisse uma faixa de protesto contra o ex-técnico do clube Muricy Ramalho. Em vários pontos do país, dirigentes e policiais se uniram para evitar que torcedores pedissem a saída de Ricardo Teixeira do cargo de presidente da CBF. No Rio Grande do Sul, a torcida do Grêmio foi impedida de provocar Ronaldinho, que meses antes tinha preferido jogar no Flamengo.

O Estatuto do Torcedor abriu uma possibilidade perigosa: entregou nas mãos da polícia o poder de permitir ou proibir qualquer material que ela considerasse ofensivo. As decisões não passam pela justiça, nem precisam ter muita lógica. No ano passado, era proibido chamar um jogador de “mercenário”. Hoje, será proibido mencionar uma goleada ou um título da Taça Libertadores da América.

Em novembro do ano passado, em artigo para o OrdemLivre, escrevi que as últimas proibições nos estádios abriam precedentes para proibições cada vez mais absurdas. Mas é difícil imaginar que os próximos capítulos dessa história sejam ainda mais absurdos e autoritários do que os que assistimos na preparação para o jogo desta noite.

Sobre o Autor

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Magno Karl, cientista social pela UFRJ, é tradutor e gerente de operações do Ordem Livre.

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