Há algumas semanas, assisti a uma palestra da Sarah Skwire no evento “Evening at FEE”. Skwire, poeta e fellow do Liberty Fund, desmontou em sua fala um mito popular entre muitos liberais clássicos, de que Charles Dickens era consistentemente antimercado. Ela apresentou evidências impressionantes para demonstrar que, embora Dickens realmente tenha retratado negativamente alguns empresários e escrito livros críticos à indústria como Tempos Difíceis, ele também criou empresários gentis e capazes, que reconheciam o valor do trabalho duro e que administravam com sabedoria as suas finanças. Como qualquer grande autor, o seu mundo possuía uma variedade de personagens complexos.
Muitos liberais clássicos acreditam nesse mito. Por terem lido apenas um ou dois romances de Dickens, é comum que presumam que os outros 15 romances (totalizando mais de 4 milhões de palavras) seguem a mesma linha. Mas conforme esclarece a palestra de Skwire – que estará disponível no site da FEE no fim desse mês –, se rejeitarmos completamente os trabalhos de Dickens, estaremos virando nossas costas aos seus retratos positivos do trabalho, dos empresários e das responsabilidades individuais – e perdendo um território no campo das humanidades que não precisamos perder.
O que me marcou nesse argumento é que ele se aplica a um problema maior no movimento da liberdade. Nós temos a tendência a dividir o mundo entre “bons” e “maus”, vendo pensadores e políticos estritamente em “preto e branco”. Dessa forma, Dickens entraria na coluna dos caras “maus”, apesar de seu histórico confuso.
Orwell: bom ou mau?
Como sugere o argumento de Skwire, esse método é problemático porque acabamos desnecessariamente nos desfazendo de bons argumentos. Vejamos, por exemplo, George Orwell. Sim, Orwell não era a favor do livre mercado e defendeu várias formas de socialismo. Ele foi, no entanto, um crítico mordaz do totalitarismo, inclusive do totalitarismo comunista. Qualquer que seja a nossa opinião sobre algumas de suas ideias, livros como 1984 e A Revolução dos Bichos permanecem como visões importantes sobre os horrores do Estado, e o ensaio “A política e a língua inglesa” é uma acusação igualmente poderosa à forma pela qual os governos corrompem a linguagem e o pensamento. Ver Orwell como um “cara mau” por ter sido socialista, como alguns liberais clássicos fazem, é jogar fora argumentos eficazes em favor de uma sociedade livre.
Os liberais clássicos são conhecidos por fazer isso não apenas com escritores de ficção e ensaístas, mas também com filósofos sociais importantes. Geralmente pensadores como Immanuel Kant, John Stuart Mill e John Rawls são rejeitados por supostos erros em seus sistemas, embora todos os três (sim, inclusive Rawls) tenham feito contribuições importantes para o nosso entendimento sobre uma sociedade livre. Por exemplo, o livro Sobre a Liberdade, de John Stuart Mill, está longe de ser puro em seu liberalismo clássico, mas a sua elucidação do “princípio do dano” permanece central na concepção moderna do libertarianismo baseado em direitos. Os seus argumentos pela liberdade intelectual e os “experimentos com a vida” não devem ser jogados fora por ele estar errado em outros temas.
F. A. Hayek
Até mesmo economistas receberam o mesmo tratamento. O exemplo mais idiota é a rejeição de F. A. Hayek por parte de alguns puristas, por ele permitir ao Estado um papel maior do que muitos liberais clássicos permitiriam, e porque o seu argumento sobre a competição de moedas tinha problemas. No entanto, a compreensão de Hayek sobre a forma que os mercados funcionam e as falhas de governo não devem nada a nenhuma outra. Rejeitá-lo é abrir mão de uma das melhores defesas da liberdade que já vimos. E o mesmo se aplica a Milton Friedman.
Menos ridículas, mas igualmente erradas são as tentativas de vilificar alguns economistas que deram importantes contribuições ao longo de suas carreiras quase sempre estelares. Mesmo em John Maynard Keynes nós podemos encontrar bons argumentos, como os de Consequências Econômicas da Paz. O Internacionalismo Pop de Paul Krugman permanece sendo uma excelente contribuição aos argumentos em favor do livre mercado e a globalização, independentemente das falácias vendidas por suas colunas no New York Times.
Eu suspeito que uma das razões pelas quais os liberais clássicos — principalmente os americanos — tendem a adotar a abordagem “bom” e “mau” é a influência conjunta de Ayn Rand e Murray Rothbard; que exemplificam perfeitamente o meu ponto, pois tendiam a tratar seus adversários intelectuais como maus, estúpidos ou os dois. O hábito que compartilhavam de tentar identificar o branco mais puro enquanto extirpavam aqueles que não seguiam a sua linha afastou, desnecessariamente, muitos jovens libertários desses pensadores, cujos trabalhos podem contribuir para a causa.
Os liberais clássicos devem parar de julgar os outros baseados no “preto ou branco”. O mundo não é apenas uma batalha entre os bons e os maus, mas sobre pessoas reais cujas ideias são boas e más, de formas diferentes. E nós precisamos apreciá-las, mesmo que não seja o tempo todo. Caso contrário, jogaremos fora alguns bons argumentos pela liberdade.
* Publicado originalmente na revista The Freeman







“Os liberais clássicos devem parar de julgar os outros baseados no “preto ou branco”. O mundo não é apenas uma batalha entre os bons e os maus, mas sobre pessoas reais cujas ideias são boas e más, de formas diferentes.”
Certamente um dos piores e mais ridiculos textos aqui postados.
É de fato ridiculo alguém vir defender autores quando a questão são as idéias. Sobretudo tendenciosamente. Será que o autor considera que os liberais clássicos são maus? …e que os abertos a contribuições socialistas são os bons? Afinal o que ele atribui aos que chama de liberais classicos é uma visão binária por julgarem autores, o mesmo deve aplicar a si mesmo, que induz que os classicos são feiosos e os tietes de certos autores os bonitinhos.
Ora, criticar autores por serem tolerantes com certo estatismo ou por defenderem idéis duvidosas não é maldade de feiosos, é apenas julgamento sobre as idéias que defendem. Discordar e liberais e liberalóides (Rawls é um lixo, sem nada em comum com o apreço pela liberdade. Pelo que sei é apenas um demagogo social-liberalóide polpulista) é saudável e julga-los por suas idéias é natural. O autor deveria falar mais do que defende em Rawls contextualizando as idéias de tal autor.
Enfim, é ridículo se deixar de lado as idéias para defender a tietagem a autores, é absurdo. Sobretudo quando se critica aquilo que se esta a fazer na critica feita: liberais classicos são maus pq não aceitam, por exemplo, um Rawls como alguém útil a liberdade e ao direito inerente ao individuo …logo Rawls …pobre liberdade se for contar com Rawls para defende-la. Por esta idéia também se deveria aceitar Marx, Hitler e Mussolini; FHC e Color, pois em suas idéias há lá uma ou outra frase “aproveitável” …teriam a mesma utilidade de Rawls para a defesa da liberdade, do direito natural, inerente ao individuo.
Ufa! Ainda bem que o artigo acabou rapidinho. Eu achava que no último parágrafo leria que Karl Marx também não poderia ser totalmente descartado pois seus escritos poderiam ser aproveitados por defensores da liberdade. Que susto!
Concordo com o artigo. A questão não é autores x autores, mas sim idéias x idéias.
Ótimo artigo. A liberdade é premissa de desenvolvimento do intelecto e seus reflexos individuais e sociais. As ideias, se vindas de pensadores honestos, são imperfeitas por natureza. Sua aplicação, então, nem se fala…
Sempre comento que Ayn Rand é literariamente pobre, e que ela radicaliza na caracterização de quem é bom e de quem é mau, entre outros defeitos. Nada disso desmerece a profundidade, a coerência e a organização das ideias dela, nem se fale sobre o seu impacto real nas pessoas que a leem e se identificam de alguma forma.
Ao ler seu comentário, com todo o respeito, Sr. Pedro, é inevitável manifestar que agressão pessoal a um autor (p. ex. ridículo, tendencioso) é arma discursiva de intelectuais como Leonel Brizola e José Dirceu.
Sr. Otávio,
se lesse com mais atenção e menos paixão teria percebido que me referi ao texto. Sim o texto é ridiculo, ja quqnto ao autor eu não o conheço.
Me admira que o Sr. Otavio considere Brizola e Dirceu como intelectuais.
Com mais respeito ainda Sr. Otávio, seu comentário apenas visou atacar-me pessoalmente, sim, o sr. atacou o individuo e não o meu comentário. Mas se considera Brizola e Dirceu como intelectuais, nem ouso me estender sobre sua percepção.
Aliás o autor se referiu aos liberais, a pessoas, atacando-os pessoalmente como se malvados (pretos ou brancos) quando deveria se ater a defender as idéias dos autores que defende e deixar os críticos criticarem.
Procure se referir aos textos, ao comentário e não ao comentarista. Coisa que o autor deveria ter feito em vez de fazer apenas intrigar sem nada esclarecer de útil, divagando sem clareza e sem agregar coisa alguma a nada.
Não se magoe com criticas mesmo que pessoais, mas cuidado: …há por aí muito macaco fazendo feio, sentado no próprio rabo e falando do rabo alheio.
A crítica às idéias são fundamentais, mas a crítica aos autores são necessárias. Esse “bom mocismo” não deixa de ser uma ajuda aos maus, se tivessem criricado mais os seguidores de Marx, lenin, Mao, Pol Pot e tantos canalhas, ao menos chamando-os pelo que foram, certamente não teriam encantado tanta gente com sua ladaínha.
Portanto, não é o caso do autor do texto, ressalto, mas eu estou certo que chamar pelo nome os pulhas é de grande utilidade, ou todos pensam que são sinceros bonzinhos. O resultado são milhões de vitimas massacradas pelos não criticados pessoalmente.
Essa pode mesmo ser uma estratégia para induzir a que nunca se critique o individuo a fim de que ele possa sempre atuar com tranquiliidade, como se um sincero humanitário defendido por “pessoas finissimas” que nunca ousam criticar autores pelo que produzem. Se um sujeito defende um crime ele pode até não o ter cometido ainda, mas se o defende é porque considera que deva ser praticado, logo é um pulha, um criminoso apto a cometer o crime que defende. Ora, não critica-lo pessoalmente em nome de agregar a si o conceito de “bom moço” é simpatia pelo individuo e por suas idéias.
Abs
Não há como separar a ideia do indivíduo… a primeira reflete os valores e a moral do segundo, principalmente depois de evidentes as consequências da primeira, disponíveis à cognição do autor. Como ser condescendente com pessoas que construíram o arcabouço lógico a justificar todo tipo de monstruosidades?
Tenho visto que anda prosperando na rede a idéia dos “tons de cinza”, uma vez que o falatório da esquerda totalitária ou socialista já esta em farrapos.
Fugir das críticas agora é o recurso estratégico.
Me lembro de Lula e seus cumpanhêrus reivindicando uma “agenda positiva” por parte dos meios de comunicação, como que a clamar pelo politicamente correto ato de não criticar os defeitos mas realçar as partes boas, ou mesmo melhorar verbalme na medida do possivel. Assim induzia a crer que as críticas são “COISA FEIA” de gente mal educada …sim, os adoradores do estatdo são primorosos em empulhação, em manipulação (ardis atraves dos sentimento, das fraquezas sentimentais como a vaidade e a piedade – manipula-se atuando sobre tais sentimentos humanos).
Zé Dirceu é outro que puxou um coro sobre as campanhas “mal educadas” que mais criticam os canalhices do adversário do que realçam as proprias propostas. Como se p PT não tivesse feito isso a vida toda (todo socialista marxista sempre o fez a começar pelo pulha). O próprio Dirceu reconheceu o que ele e seus puilhas cumpanheirus sempre o fizeram, mas que agora (SÓ AGORA) ele percebeu o quanto esteve errado, reivivindicando assim que o bom moço não critica fatos e propostas alheias, mas apenas faz as suas (muito comodo isso p/ quem foi flagrado com a boca na botija) …ASSIM FUNCIONA A ESTRATÉGIA DO POLITICAMENTE CORRETO sempre pelas conveniencias. Afinal, os totalitários e salafrários socialsitas sempre procederam com desenvoltura para empulhar e manipular os vacilantes; sempre mentiram e usaram as palavras com total descaramento …por exempo a republica democratica da alemanha …rsrs DEMOCRATICA!! …??? os varios grupos terroristas com a palavra LIBERTAÇÃO, sim, eles se atribuiam a qualidade de libertadores, por exemplo lirtaram a Coréia do Norte e Cuba estes dois Feudos familiiares que persistem libertando até hoje …o que dizer de sujeitos assim? …equivocados?? …Claro que não, são crápulas!!!
O respeito concedido GRATUITAMENTE ao besteirol de Marx e Engels é uma das causas do sucesso de tal empulhação. Afinal uma critica mais “pé no chão” sem requintes bonitinhos e apontando as falsas premissas do besteirol marxista, teria pposto por terra toda aquela empulhação contratitória e arbitrária ao extremo do embuste. Caraca! Marx foi o criador da lógica sem lógica! Isso para escapar da critica sacando tal asneira sobre lógica de classe onde ele mesmo e seu patrocinador eram a prova da asneira arbitrada com base em nada. Também há que se ressaltar o tal “TEMPO SOCIALSMENTE NECESSÁRIO” para escapar do ridiculo de se ter duas mercadorias absolutamente iguais com valores diferentes por terem autores diferentes …kkkk!!! …é risivel tal asneira, mas a “resposta” ainda mais asnática sobre oo tempo socialsimente necessário não se demonstrou, sendo uma resposta que a nada levou e nem ousou-se tentar explicar tal “tempo” pois resultaria em tamanha imbecilidade impraticavel até em teoria …mas que nada, se preferiuuma critica mais bonita, “intelectualçemnte” bacana e respeitosa com um embusteiro cujo falatório não passava de afirmações desconexas (e Mises o disse portador de lógica ,,,PQP! NEM MESMO ACEITANDO-SE AS PREMISSAS, FALSAS E ARBITRÁRIAS, DO PULHA SE PODIA EXTRAIR LÓGICA DO BESTEIROL)