21/01/2013

Não é Protecionismo, É Exclusão Comercial

A burguesia brasileira se define pela detenção dos meios de locomoção para Miami. Quem mais sofre com as restrições à importação não é o casal do Leblon que faz enxoval na Macy’s. É a família pobre que tem que parcelar suas compras em 24 vezes nas Casas Bahia. Se não houvesse tarifa de importação, preços baixos diminuiriam o status social do boné da Gap e da pólo Ralph Lauren.

A exclusividade dos artigos importados continua garantida. Dentre os 179 países listados pelo Banco Mundial, o Brasil é o país com menor importação do mundo:

No grupo dos Brics, por exemplo, a China tem importações de produtos e serviços de 27% do PIB, a Índia de 30% e a Rússia de 21%. Entre as principais economias da América Latina, o México tem importações correspondentes a 32% do PIB, a Argentina a 20% e a Colômbia a 17%.

No Brasil, as importações somam 13% do PIB.

O custo médio de importação no Brasil é de U$2.275 por container. A média da América Latina é de U$1.612. Parte desse custo são tarifas de importação. Mas, de acordo com o Índice de Liberdade Econômica, uma causa de preocupação são as barreiras não tarifárias e outras medidas protecionistas. São barreiras que o governo poderia retirar sozinho, sem depender de negociação internacional, de rodadas da OMC nem precisar pedir licença para o Mercosul.

Os ricos do nosso Brasil gostam de falar de programas de inclusão social. Agora, quando foi que você já ouviu algum político de Brasília ou atriz da Globo falando de projeto de inclusão comercial? Inclusão social dá a gente rica a oportunidade de visitar a favela. Inclusão comercial dá a gente pobre a oportunidade de visitar o shopping. E o brasileiro rico é nativista: não gosta de ver índio nem pobre fora de seu habitat natural.

Sobre o Autor

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Diogo G. R. Costa é professor de relações internacionais no Ibmec-MG e coordenador do OrdemLivre

6 Comments

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    Gabriel Soares says:

    O governo brasileiro faz um bem às famílias de baixa renda, mantendo todos longe da ostentação, da febre consumista. Por que ostentar roupas importadas, se eles podem fazer a festa no Bom Retiro, comprando roupas de qualidade duvidosa por preços (não tão) baixos?

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      Raphael says:

      Eu te falo porque. Por 18 dolares (37,8 reais) eu compro uma camisa da Hollister que tem uma qualidade sem comparação a qualquer uma C&A da vida onde os preços de camisa apesar de serem bem populares, ao mesmo preço até que eu pago em uma camisa importada (18 dolares), não tem 10% da qualidade do tecido e fabricação.

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      Vitor Torres says:

      Que comam brioches!

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    Vantuir says:

    a palavra burguesia tem maior apelo junto a pessoas que lerão seu texto, mas bens sabes que não é burguesia, trata-se de aristocracia

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    Arthur Portella says:

    Muito bom Diogo!

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