17/01/2013

O autoritarismo vem em ondas

Esqueçam o novo homem. A próxima onda de autoritarismo virá para proteger os seus filhos. Pelo menos essa é a desculpa padrão utilizada quando políticos retiram um pouco mais da sua liberdade de viver como deseja e lhe obrigam a viver como eles desejam que você viva.

E como você anda tão ocupado, por que não entregar a criação dos seus filhos ao deputado José Mentor (PT-SP) que deseja banir da televisão brasileira as transmissões de “lutas violentas”? Ou então ao deputado Rui Falcão (PT-SP) que pretende restringir a publicidade de alimentos considerados não saudáveis?

Talvez você prefira ir mais longe. O deputado Alex Manente (PPS-SP), por exemplo, deseja proibir a venda de alimentos com brinquedos ou brindes.

Não se sabe sobre as escolhas dos ilustres deputados para a criação dos próprios filhos. Devem ser pais nota 10. Agora utilizarão a força para impor sobre outros cidadãos as suas escolhas.

Infelizmente, os pais parecem felizes por poderem terceirizar parte das suas responsabilidades e entregá-las ao vovô Estado. Segundo pesquisa do Datafolha, citada pelo Estadão, 78% dos pais acreditam que a publicidade “leva as crianças a amolar os pais para que comprem os produtos anunciados”.

Não faltará trabalho para os legisladores se cada motivo de amolação infantil gerar uma proibição diferente.

O autoritarismo vem em ondas, em proibições que retiram frações da sua liberdade. São filmes com cenas ofensivas, são comediantes com piadas politicamente incorretas, são sanduíches com brinquedos, são livros eróticos demais, são lutas violentas na televisão. Qualquer coisa parece ser motivo para a retirada do poder de escolha dos indivíduos em favor das escolhas de políticos e burocratas.

Uma hora essa onda acabará por nos afogar.

Sobre o Autor

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Magno Karl, cientista social pela UFRJ, é tradutor e gerente de operações do Ordem Livre.

17 Comments

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    Diogo R Santos says:

    É lamentável ver que muitos pais apoiarem este tipo de atitude por parte do Estado. Não apenas demonstram ingenuidade por acharem que bastando controlar as publicidades as crianças estarão livres de más influências de consumo – mas como perdem a grande oportunidade de poder ensinar aos pequenos o poder de não acreditar numa propaganda, de duvidar ou de questionar.

    Mas enfim, educar crianças envolve responsabilidades e principalmente atitude para domar a amolação infantil

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    rafael says:

    espero que proiba o BBB pq secomeça pelo q nao presta kkkkkkkkkkk

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    Ronald Horácio says:

    Tem o caso daquele Deputado Federal de querer tirar o filme “Ursinho Ted” das telas de cinemas brasileiros, ele teve o descuido de levar o seu filho e não olhar a classificação indicativa do filme… censurar em pleno século XXI, já pensou isso em uma democracia?

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    nick munaro says:

    esse pais eh uma piada

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    Tati says:

    com certeza Luciana

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    yuri says:

    onde está o livre arbítrio?

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    Ka Ferreira says:

    Não pode ser negado que as empresas realmente se utilizam da inocência infantil na mídia, fique uma hora na frente de uma televisão e olhe quantos comerciais com apelação infantil são exibidos, a grande maioria tem esse foco, as empresas descobriram que isso é uma mina de dinheiro, mas até ai tudo bem, estamos em um país capitalista, onde consumir e vender se tornou prioridade. Agora uma coisa é se ter consciência disso, outra é querer proibir toda a propaganda desse gênero achando que isso é a solução, pobres emissoras, iriam falir.
    Os filhos são estrita responsabilidade dos PAIS e ensinar e educar mostrando o que é realmente necessário desde pequeno é primordial para que futuramente não exista mais adultos fúteis e consumistas. O Estado tem apenas o dever de auxiliar para que os pais tenham condições de dar essa tão falada Educação, não demandar sobre o que você e seus filhos vão ou não ver, fazer e querer, existe claramente um conflito, onde está a Liberdade? Mas vamos concordar que para o Estado ou mais especificamente, para esses políticos isso é totalmente vantajoso, impor somente o que eles querem que você veja, determinar o que é adequado ou não pro seus filhos é só mais uma maneira de manipular as mentes brasileiras, e vemos que pela alta porcentagem exposta na coluna, eles estão obtendo sucesso.

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    Daniel says:

    É certo que algumas dessas medidas realmente acabam com o poder de escolha ou a livre iniciativa de pensar sobre o que eu quero, como quero conduzir minha vida. Mas também é certo que a publicidade, que normalmente está mais presente na vida das crianças que seus próprios pais (!), influencia nas escolhas das crianças, acreditando que a possibilidade de felicidade ou realização está no consumo, e especificiamente naquele produto.
    Medidas como essas, apontadas no seu texto, são fruto de algo maior, dessa engrenagem que é o capitalismo, esse modelo social que temos. É uma medida, acredito eu, que bate de frente com essa engrenagem, mas de forma paliativa, que não consegue nem agredí-la.

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    Daniel says:

    A questão dos brinquedos eu concordo, não podemos punir a criança (com a frustração de querer e os pais não poderem comprar), só porque os pais não deram educação suficiente para não desejarem aquilo que não podem obter.

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    Alex Dias says:

    Infelizmente uma sociedade sem identidade e sem cultura fica fácil controlar, a mídia por sua vez, é o maior meio de impor.
    Devemos incentivar nossos filhos ao esporte, cursinhos, lazer ao ar livre, e deixa-los menos tempo ociosos de frente da telinha manipulada e incentivadora. Os Deputados criam leis absurdas sabendo que não existe um sociedade controladora, culta, informada e interessada, por isso, devemos incentivar nossas crianças de hoje, no futuro, serem uma sociedade em busca de seus próprios direitos.

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    evandro melo says:

    tema bastante interessante de discutir, embora em seu texto, nao ficou aberto a isso.
    eu creio que o dever do estado é justamente legislar em prol do bem comum da sociedade. É buscar com que o que de fato seja bom senso (geral) seja feito senso comum. E claro, hj a politica é tao ruim que nao entendemos isso, mas esses cras nos representam, representam as idéias de seus eleitores. Deveriam, né.
    Qdo se estuda estatística e pesquisa de mercado por exemplo, sabe-se que a opinião de 1 pessoa representa XX pessoas que pensam de igual modo. Exemplo os índices de IBOPE, Data Folha e demais pesquisas de mercado (existem várias e são sérias). Esses dados são cientificos, calculados. Tô dizendo isso pq? Pq se o político for sério e fizer uma pesquisa de mercado (opiniao e anseios do eleitorado) ele saberá o que deve buscar no congresso.
    Não sei se é esse o caso, mas pra mim me parece bastante coerente que se regule o marketing (e veja eu sou fã de mkt e trabalho com isso), mas se deixar o mkt fazer o que quiser, vira bagunça.
    É o lance da discussão sobre a liberdade de armas nos EUA. Seria autoritarismos o estado legislar para que se regulamente isso? Acho que não. Mas essa é minha opinião e eu sou um cara cheio de dúvidas e com poucas (quase nenhuma) certeza.

    abraço.

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    Nyappy! says:

    Sim Evandro, limitar armas é autoritarismo.

    Em alguns lugares estão limitando até facas, é a marcha totalitária vindo de pouquinho em pouquinho cerceando nossas liberdades.

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    hg says:

    Deviam criar vergonha na cara e proibir a bandalheira que ocorre nesse país.

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    Pedro says:

    Bom, admitem que a propaganda influencia as mentes, sobretudo das crianças. Assim, supõe-se que os individuos não sabem pensar com racionalidade deixando-se envolver por propagandas até mesmo nocivas a si mesmos. De fato não há como negar isso, a qse totalidade da população é composta por meros papagaios e tolos ansiosos por exibirem-se em conformidade com a MODA do MOMENTO, afim de sentirem-se “pessoas melhores” – isso é uma ambição também, um forte desejo, aquele de sentir-se valorizado no meio.

    Pergunto aos politicos e defensores da ação estatal em nome do famoso “bem comum”:
    Seria o caso de se proibir a propaganda que o Estado faz de si mesmo e AINDA POR CIMA COM O DINHEIRO QUE TOMA (rouba pela ameaça de violência) DA POPULAÇÃO QUE TRABALHA, INVESTE E PRODUZ?

    Afinal, se o próprio Estado admite que a propaganda é um apelo tão forte a ponto de nem os pais das crianças conseguirem influencia-las com argumentos, oque se pode dizer da massificação das idéias estatais que defendem um PODER TOTALITÁRIO para o Estado??

    Aqueles que defendem a intervenção estatal estariam DOMINADOS pela propaganda massificante que o Poder faz de si mesmo, influenciando as pessoas desde a infancia para que se queiram controlados, dominados e explorados pelas castas estatais???

    É um caso a pensar …Tais defensores da intervenção estatal jamais podem se dizerem democratas, já que defendem uma ditadura que proiba a propaganda da qual discordam. Afinal, cada um tem uma idéia conveniente do que seja o vago, tolo e propagandeado “bem comum”

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    Lucas Oliveira says:

    Só uma dica a aqueles que contestam o texto, vejam que na história da humanidade, TODO autoritarismo começou assim.

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