
A liberdade e a bondade andam de mãos dadas
24 de Janeiro de 2008 - por John Stosselpor John Stossel
Artigo publicado em The Freeman, Outubro de 2007
Recentemente fiz uma entrevista com Michael Moore a respeito de saúde pública para o programa 20/20. É interessante entrevistar um esquerdista que admite, com orgulho, ser esquerdista. Ele me disse que o governo, além de assistência médica, deve também prover "assistência alimentar", e que um governo grande somente funciona se as pessoas certas estiverem no comando.
Moore completou, "Assisto ao seu programa e sei no que você se baseia..."
Sabendo que defendo um governo limitado, ele tentou explicar por que eu estava errado. E começou sua explicação de maneira reveladora: "Apesar de saber que você acha que o indivíduo deve ser responsável por determinar seu próprio destino, acredito que você tem coração."
Reparem na falsa premisa quando ele usa a palavra "apesar". Na cabeça de Moore, alguém que apóia a liberdade individual não se importa com os outros seres humanos. Se tenho coração, tenho apesar da minha crença em liberdade e autonomia para todos.
Mas não é lógico que, quando alguém deseja que todos fiquem livres da tirania, ele está se importando com os outros? Desejar a liberdade de outros seres humanos me parece um sinal de bondade. Porém, Moore e a esquerda não vêem as coisas dessa maneira.
Moore acredita que respeitar a liberdade dos outros significa recusar-se a ajudar os mais necessitados. Mas onde estaria esse vínculo? O que isso significa é que um libertário se recusa a encorajar o uso da força física (que é o que o governo é) para ajudar os outros. Métodos pacíficos, como a caridade voluntária, são os únicos métodos moralmente coerentes. Eu dôo aproximadamente um quarto de minha renda à caridade por perceber que a contribuição privada ajuda aos necessitados de uma forma melhor do que a governamental.
Moore prosseguiu com uma lição religiosa. "O que as freiras me disseram é verdade: nós seremos julgados por como tratamos os menos favorecidos entre nós. Para sermos aceitos no céu, nos farão várias perguntas. Quando eu estava com fome, você me alimentou? Quando eu estava desabrigado, você me deu abrigo? Quando eu estava doente, você cuidou de mim?"
Não sou teólogo, mas sei que, quando as pessoas são ordenadas pelo governo a fazer caridade, não estão sendo virtuosas. Estão sendo compelidas. Por que uma pessoa iria para o céu porque ela paga impostos sob ameaça de prisão? Uma ação moral é uma ação livremente escolhida.
Se o objetivo de Moore é ajudar os menos afortunados, ele devia pregar a caridade voluntária em vez da ação governamental.
Surpreendentemente, ele exibiu uma compreensão da importância da filosofia liberal para os Estados Unidos. "John, seu modo de pensar, na verdade, foi ótimo para esse país. De verdade. Nos ajudou a edificar esse país. Nos ajudou a construir uma das grandes nações, talvez a maior das nações que o mundo já viu. A idéia de governo limitado, de vencer pelos próprios esforços, de cada um por si, de seguir em frente, de espírito pioneiro. É por isso que muitas pessoas de outros países nos admiram, por causa dessa attitude americana de "bola pra frente".
Eu o interrompi nesse momento para apontar uma outra premissa embutida. Percebeu aquela expressão, "cada um por si"? Os EUA nunca significaram cada um por si. Uma sociedade livre significa comunidades voluntárias cooperando por meio da divisão do trabalho. O liberalismo está longe de ser "cada um por si".
Depois de admitir que o governo limitado ajudou a fazer dos Estados Unidos uma grande nação, Moore acrescentou: "Mas eu não acho que aquilo em que você acredita é o que vai permitir a nossa sobrevivência."
O que ele quer dizer é que nossa sociedade se desintegrará se o governo não oferecer saúde e alimentação ao povo.
Mas por que uma filosofia que foi suficiente para construir uma sociedade de sucesso não serviria para sustentar essa sociedade? A liberdade individual, com governo mínimo, possibilitou que massas de pessoas cooperassem com vantagens de parte a parte. O resultado é que a sociedade poderia ter prosperidade e paz. Como disse o grande economista Ludwig von Mises, "o que possibilita as relações amistosas entre os seres humanos é a maior produtividade advinda da divisão de trabalho… Um interesse comum proeminente, a preservação e crescente intensificação da cooperação social, torna-se sumamente importante e aniquila todos os choques fundamentais.
A liberdade e a bondade andam de mãos dadas.
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