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Fome de comércio

No Estadão de anteontem, Claudia Costin analisa crise global de alimentos. Ela menciona dois fatores determinantes: 1)”a população mundial continua a crescer num ritmo perigosamente elevado, e nas regiões menos capazes de absorvê-la”; e 2) “o aumento da renda em alguns países, como Índia e China, tem levado a mais que dobrar o consumo mundial de arroz e de outros alimentos”. Logo depois, Claudia diz que, combinada com o aumento do preço do barril de petróleo e do barateamento da manufatura chinesa, a ocorrência desses dois fenômenos é uma “infelicidade”.

Quando se trata do enriquecimento honesto de centenas de milhões de pessoas, da prosperidade que permite a essas pessoas comer mais e melhor, eu costumo esperar um tom mais comemorativo. O que merece condenação são as políticas que dificultam a adaptação mundial ao aumento do preço da energia e às condições climáticas. Os subsídios pagos aos agricultores pela União Européia e Estados Unidos limitam os incentivos e recursos para a modernização da agricultura de boa parte dos países pobres e as barreiras ao livre comércio diminuem a oferta mundial de alimentos mantendo o preço elevado. Em todo o mundo, apenas de 5 a 7% da produção de arroz é comercializada internacionalmente.

A solução à crise dos alimentos não está nos programas estatais, como sugere Claudia, mas na extinção de políticas mercantilistas.

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