O multiplicador keynesiano ausente nos argumentos de nossos liberais: algumas pistas
27 de Janeiro de 2009 por Claudio Shikida
Em “O multiplicador de Barro” (notem a genial ironia com o sobrenome de Robert Barro e o barro da nossa língua pátria), Diogo Costa mostrou, ainda que involuntariamente, como os pensadores liberais brasileiros carecem de fundamentação empírica no debate. A pergunta simples é: qual é a magnitude do multiplicador no caso brasileiro?
Mais ainda, a cada dia leio diferentes estudos – nos EUA – com diversas estimativas de multiplicadores, em diversos níveis de governo (estadual, federal, etc). Aqui, no Brasil, contudo, nossos liberais (com algum conhecimento econômico) sequer sabem a magnitude do multiplicador dos gastos do governo. Claro que nós, economistas, nem sempre trabalhamos com macroeconomia, mas não é difícil achar uma estimativa para o Brasil.
Como “mea culpa”, já que economista sou, eis aqui um estudo, que mostra…bem, vamos ao resumo do artigo:
A preocupação com os efeitos dos gastos públicos na economia e principalmente qual o impacto destes sobre o produto tem sido uma constante. Este trabalho trata da relação entre o Produto Interno Bruto (PIB) per capita nos municípios do Estado do Espírito Santo e os gastos sociais da esfera municipal de governo (ou seja, gastos com assistência e previdência social, saúde e saneamento, educação e cultura e habitação e urbanismo). Buscamos ver se os gastos sociais dos Governos Municipais do Estado do Espírito Santo influenciam na formação do Produto Interno Bruto Municipal per capita. Utilizando a técnica de dados em painel para trabalhar os dados que cobrem o período de 1999 a 2003. Constatou-se no resultado final deste trabalho à não existência de qualquer relação estatística entre a formação do produto interno bruto dos Municípios e os gastos sociais municipais.
Outro artigo que tratou do problema dos gastos públicos – e é referência para qualquer estudo similar no Brasil – é este. Vejamos, mais uma vez, um trecho:
A preocupação com os efeitos dos gastos públicos na economia é recorrente, sobretudo seus impactos sobre o crescimento econômico. Diversos trabalhos teóricos e empíricos sugerem que os gastos públicos podem elevar o crescimento econômico, aumentando a produtividade do setor privado. Por outro lado, uma expansão dos gastos públicos financiados por impostos distorcivos e a ineficiência na alocação dos recursos podem superar o efeito positivo dessas externalidades. O objetivo deste trabalho é analisar teórica e empiricamente a relação entre gastos públicos e crescimento econômico no Brasil no período 1947/1995 de forma agregada, captando o balanço líquido da participação dos gastos sobre o produto interno, dado que existem fatores que sugerem possibilidades positivas e negativas. Os valores das elasticidades gasto-produto e o diferencial de produtividade em relação ao setor privado foram negativos. O conjunto de resultados sugere que a proporção de gasto público no Brasil está acima do seu nível ótimo e que existem indícios de baixa produtividade. Os efeitos sobre o crescimento serão mais danosos quanto mais distorcivo for o sistema tributário.
Se alguém mais tiver sugestões, envie, por gentileza, nos comentários.

Sugiro uma analise contrafactual do periodo 1947 a 1995, com reduçao dos gastos governamentais.
Amarillo L Santanna[...] Alguns estudos já foram citados por mim, em uma tentativa de trazer alguma racionalidade a este debate que mais parece uma conversa de boteco – uma notável involução no discurso dos economistas da era da Silva. Há, claro, um componente da própria evolução da moderna Ciência Econômica que influi nisto – e que me foi lembrado pelo Selva recentemente: os incentivos à publicação acadêmica. Vale a pena, ao leitor interessado em entender melhor o problema ler este pequeno, mas profundo, texto de Bruno Frey. [...]
Onde está o multiplicador? « De Gustibus Non Est Disputandum