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Ainda o multiplicador de B(b)arro

Ontem eu falei sobre o tema, mas eis outro artigo interessante. A resenha das autoras merece citação (em negrito destaco algumas informações):

Dois trabalhos mostram que o impacto dos investimentos em infra-estrutura sobre o crescimento da economia brasileira é positivo no longo prazo. Ferreira (1996) encontra esse resultado para o período de 1970-1993, considerando como capital federal de infra-estrutura o capital investido em telecomunicações, energia elétrica, portos, setor marítimo e ferrovias. Já Ferreira e Malliagros (1998), observam esse mesmo impacto positivo, para o período 1950-1995, considerando o setor rodoviário nos gastos em infra-estrutura. Os autores concluem que o setor de energia elétrica apresentou as maiores elasticidades, sendo seguido pelos setores de transporte e telecomunicações. No que se refere ao setor de transportes, os maiores efeitos sobre o crescimento do produto estavam no subsetor ferroviário, depois no portuário e, finalmente, no rodoviário.

Em relação ao impacto dos gastos públicos agregados sobre o crescimento, a avaliação empírica de Cândido Jr. (2001), para o período de 1947 a 1995, apresenta o seguinte resultado: as estimativas da elasticidade gasto-produto, quando se utiliza o conceito mais restrito de gasto público (consumo mais transferências), aparecem sempre como negativas. No entanto, quando o gasto público passa a incluir também os investimentos das administrações públicas, o impacto passa a ser positivo.

Herrera e Blanco (2004) estimam os impactos de curto e longo prazo da política fiscal sobre o produto. Os resultados mostram que, no longo prazo, a elasticidade-renda do estoque de capital público é maior do que a do setor privado. No que tange ao aspecto tributário da política fiscal, a taxação tem um impacto negativo expressivo sobre o produto. No que diz respeito ao gasto público, as despesas com consumo e previdência social não têm efeito sobre o PIB, enquanto os subsídios apresentam um efeito negativo sobre o mesmo. No curto prazo, os efeitos do capital privado e público sobre o produto se invertem: o capital privado tem um impacto maior do que o capital público. Já os gastos do governo não afetam o nível de produto da economia e os impostos apresentam um efeito negativo sobre o PIB.

Mazoni (2005) também analisa os impactos da política fiscal sobre o produto da economia.Para tanto, separa os gastos públicos em consumo e investimento, e considera ainda os investimentos privados, pois observa que os impactos dos gastos públicos podem ocorrer de duas formas: diretamente sobre o produto da economia e indiretamente por meio do impacto nos investimentos privados. Os resultados indicam que, durante o período de 1970-2003, existe uma relação de longo prazo negativa entre os gastos em consumo do governo e o produto. Já a relação entre o investimento público e o produto é positiva. Em relação ao investimento privado, seu efeito sobre o PIB também é positivo e cerca de 2,6 vezes maior que o apresentado pelos investimentos públicos. Com o objetivo de determinar se os efeitos de crowding–in (complementaridade) ou crowding-out (substituição) estão presentes na economia brasileira, a autora analisa a relação entre o investimento privado e o investimento público e entre o investimento privado e os gastos de custeio. A conclusão é de que não existe relação de longo prazo entre o investimento público e privado.

Eis aí, colegas, mais uma evidência que liberais brasileiros devem usar no debate atual sobre a crise. Não é por meio de posições doutrinárias axiomáticas (”governo ruim, mercado bom”) que se argumenta. Aliás, sabemos que o governo, como disse, dentre outros, Milton Friedman, tem um papel essencial no desenvolvimento econômico. A questão, como já disse, é saber a eficácia de suas ações. Este pequeno texto deve ser lido em complemento a estes outros:

a) O multiplicador keynesiano ausente nos argumentos de nossos liberais: algumas pistas
b) O multiplicador de Barro
c) Blogosfera: eficácia da política fiscal
d) Crise mundial – dicas de leitura
e) Suzy and Bob, Freddie and Mac
f) Estímulo Fiscal: Porque Corte de Impostos é Preferível ao Aumento de Gastos

Pronto leitor, agora você tem evidências brasileiras e internacionais para debater. Boa leitura!

Comentários (3)

  1. [...] Para quem gosta do suposto efeito multiplicador dos gastos públicos, recomendo esta resenha que fiz para o Ordem Livre…. [...]

    A crise se alastra « De Gustibus Non Est Disputandum
  2. Cláudio,

    Tem uma outra boa fonte de artigos, compilada em 16/01, em
    http://escolhaseconsequencias.blogspot.com/2009/01/o-debate-sobre-o-estmulo-fiscal.html

    Abraço,

    Ronald

    Ronald Hillbrecht
  3. [...] questão dos multiplicadores é, no mínimo, o baseline do argumento para se discutir a eficácia da política fiscal. Em tempos [...]

    A política fiscal e os multiplicadores « De Gustibus Non Est Disputandum

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