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O protesto contra o IPTU

Cá no Rio alguns presidentes de associações de moradores propõem o pagamento do IPTU apenas em novembro para que o dinheiro não seja usado com fins eleitoreiros. O alcaide César Maia desdenha do protesto, dizendo que é vantagem para a prefeitura receber o valor completo (e aumentado) do IPTU em novembro.

Pode até ser que, materialmente, não faça muita diferença. No bolso de quem paga, a diferença do IPTU é de pouquíssimos reais, e a da CPMF era mais sentida por sua presença do que por sua quantidade. Mas, moralmente, a diferença é gigantesca, e, como infelizmente parece necessário explicitar uma tautologia, é da dimensão moral que nascem as atitudes.

O mais interessante, no caso do IPTU, é a sua pequena escala. Não se trata de um desejo de realizar um movimento nacional para atingir algo intangível como “mudar o Brasil”, mas um movimento extremamente localizado – bairros cariocas – com um objetivo claramente definido: dificultar o uso do dinheiro de impostos com fins eleitoreiros, uma modalidade específica da estratégia maior de starve the beast, deixar o monstro morrer de fome.

O melhor é isso: nada de slogans vagos, nada de sentimentalismo, mas objetivos claros, discutíveis.

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