À direita e à esquerda
30 de Junho de 2009 por Pedro Sette Câmara
Hear, hear. No Brasil, chega o dia em que é preciso dizer claramente: não é liberal acreditar que cabe ao Estado, isto é, ao pagador de impostos, financiar os riscos das empresas. Quando um banqueiro, um diretor de fundo, vem dizer isso, com aquele jeito de quem fez o dever de casa e é uma pessoa séria e responsável, é muito difícil não acreditar que ele esteja meramente defendendo os próprios interesses.
É sumamente importante frisar que não é liberal dizer que é função do Estado arcar em qualquer nível com os riscos das empresas para que as idéias liberais não sejam confundidas com a ideologia que a esquerda vê (e, nesse ponto, com razão) na direita oligárquica que pretende apenas manter os próprios privilégios.
A concepção liberal de Estado prevê que este tem a função de manter as regras do jogo, não de estabelecer metas de resultados. Seria como se a FIFA dissesse que os gols nas partidas de futebol devem ter uma determinada distribuição. Dizer que cabe ao Estado “fornecer hedge” ou manipular o câmbio em favor de certas empresas é rigorosamente que defender que a FIFA determine que certos times iniciem os jogos cinco pontos à frente.
Não aceite gato por lebre. Não aceite o discurso interessado do lobby que se traveste de “ortodoxia econômica”.

[...] Sette está sempre a reclamar, como fez no post anterior, da falta de liberalismo nas classes altas do país. Mas por que seria particularmente interessante [...]
A tributação regressiva brasileira | OrdemLivre.org/blog