Venezuela: sim, há sempre espaço para piorar
09 de Julho de 2009 por Bruno Garschagen
Nunca subestime algo ruim. Sempre há espaço para piorar. Em A OEA ignora a Venezuela (publicado hoje neste OrdemLivre.org), Gabriela Calderón nos atualiza sobre a tragédia venezuelana:
(…) um prefeito privado de 90% dos recursos da maior prefeitura de Caracas — cargo para o qual foi eleito pela maioria dos habitantes — fez uma greve de fome de cinco dias diante da sede da OEA em Caracas [1]. No mesmo dia em que iniciou a greve, o governo venezuelano anunciou que 240 frequências de rádio AM e FM poderiam ser revertidas para o Estado por “não atualizar seus dados junto ao CONATEL”, e que outros meios sofreriam sanções por difundir publicidade em defesa da propriedade privada.
(…)
Enquanto Chávez exige a volta de Zelaya a Honduras, ameaçando até mesmo tomar medidas bélicas contra o governo interino, seu governo na Venezuela continua perseguindo as vozes independentes.
Num texto que escrevi em 2008 para o site Americas Reporter, Chávez criou sua própria crise, citei o estudo The Price of Political Opposition: Evidence from Venezuela’s Maisanta, elaborado pelo economista venezuelano Francisco Rodríguez em parceria com os professores Daniel Ortega, da IESA, Chang-Tai Hsieh e Edward Miguel, ambos da Universidade da Califórnia, Berkeley. O trabalho mostra como o governo Chávez usou as informações sobre preferências políticas dos eleitores para prejudicar economicamente todos que se declararam contra o seu governo.
Essa base de dados informatizada, batizada de Maisanta, foi montada por ordem do próprio presidente a partir das informações fornecidas pelos venezuelanos nas petições e votos nos referendos de 2002 e 2004. A ordem ao diretor do Conselho Nacional Eleitoral, Francisco Carrasquero, consta num memorando .
A lista foi tornada pública com a ajuda e aparente leniência de Carrasquero pelo parlamentar chavista Luis Tascón, que a colocou em seu site em 2004.
A Maisanta, nome pelo qual era conhecido o guerrilheiro Pedro Rafael Perez Delgado, bisavô de Chávez, é usado como instrumento de pressão e punição. Os eleitores pró-oposição, segundo o estudo de Rodríguez, Ortega, Hsieh e Miguel, sofreram uma queda de 3,9% em seus rendimentos, muitos foram demitidos de seus empregos, outros tantos foram impedidos de conquistar empregos públicos — num país onde 15% dos postos de trabalho estão nesse setor — e as empresas passaram a ter dificuldade para fazer negócios no mercado externo, além de serem obrigadas a pagar impostos mais altos do que as demais.
(…)
Em termos de percentagem da produção, os impostos foram aumentados em 0,48 pontos percentuais para as empresas cujos membros do conselho administração assinaram a petição favorável à saída de Chávez da presidência. Levando em conta que a média de impostos pagos pelas empresas pró-oposição representa 1,44% do total da produção o acréscimo de 0,48 pontos percentuais representou um aumento de quase 33% nos impostos pagos por essas companhias, segundo o estudo.
O estudo mostra que as companhias pró-oposição sofreram uma redução de 27% nos lucros como resultado da retaliação do governo. E que as empresas pró-Chávez se tornaram, em média, mais lucrativas. Levando em consideração que mesmo antes de a lista ser tornada pública em 2003 as empresas alinhadas já eram beneficiadas as estimativas apresentadas podem ser inferiores aos resultados analisados no estudo.

[...] com a razão ao apoiarem os vizinhos bolivarianos, então certamente você não vê problemas em perseguições políticas [...]
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