Paulo Coelho ganha dinheiro “pirateando” os próprios livros
28 de Janeiro de 2008 por Pedro Sette Câmara
Os primeiros 22 minutos são uma curta comunicação de Paulo Coelho – não preciso recordar que ele é um dos autores mais vendidos do mundo – em inglês.
A simplicidade e a sinceridade com que ele trata certos temas são muito impressionantes. Conta que em 2000 escreveu um livro especificamente para a internet e o disponibilizou gratuitamente em seu site. O arquivo foi baixado milhões de vezes sem que Paulo Coelho recebesse um só comentário a seu respeito. Conclusão: as pessoas podem ter baixado o arquivo, mas não devem ter lido o livro.
Porém, Paulo Coelho decidiu colocar na internet uma tradução russa de um de seus livros “em papel”, o que fez com que as vendas na Rússia subissem de mil exemplares por ano para um milhão. A partir daí, decidiu expandir a “pirataria” e criou Pirate Coelho, um site só para divulgar os links que levam a cópias de seus livros, aliás está devidamente linkado em seu blog oficial. O link está num divertidíssimo retrato de Paulo Coelho com um tapa-olho.
Paulo Coelho mostra entender que as mídias têm o que McLuhan e Neil Postman chamaram de bias, e que nesse contexto poderíamos traduzir como “viés” ou “predisposição”. O computador como o conhecemos ainda está longe de ser adequado para a leitura de um livro, mas não é inadequado para sua divulgação. Você pode baixar tudo; se quiser realmente ler, vai querer comprar um exemplar do qual possa usufruir em circunstâncias mais amenas.
Gostei dessa comunicação de Paulo Coelho por isso. Sempre que leio algum debate sobre copyrights, tenho a impressão de estar vendo uma batalha entre um modelo de negócios que não aceita sua morte iminente, um modelo em que o provedor de conteúdo tem o controle absoluto, e uma nova geração que já se acostumou a ter controle total sobre a informação que recebe e que está à espera de um novo modelo de negócios. Não se trata, como demonstram os fãs de Paulo Coelho, de uma geração que deseja tudo de graça: se você, como já dizia Ludwig von Mises, atender às expectativas dos consumidores, eles alegremente pagarão por seus produtos e serviços.

[...] trackback Pedro Sette tem uma interessante discussão sobre a pirataria neste post acerca de Paulo Coelho. Isto é que estratégia para conquistar “market share”. [...]
Pirata de si mesmo: a economia editorial de Paulo Coelho « De Gustibus Non Est DisputandumEm outubro do ano passado a banda Radiohead
L. Renato( http://www.radiohead.com ) lançou seu último álbum, “In Rainbows”, para download na internet. O detalhe era que quem baixou o disco pagou quanto quis,entre nada 99,99 libras. Quase 40% dos que baixaram quiseram pagar.( detalhes em http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u343848.shtml ).
Agora em janeiro de 2008, eles resolveram lançar o álbum em CD comum, por uma gravadora independente, Resultado: 1º lugar das paradas britânicas. ( http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u361242.shtml ). O disoc também chegou ao 1º lugar na parada americana, mas não achei nenhum link que comprove.
Mês que vem o disco chega no Brasil. Vai comprar???
Eu cho que sim.
o PC ganhou minha simpatia depois dessa.
além disso, Pirate Coelho é um belo trocadilho!
magno[...] este post tremendamente interessante do…Pedro Sette Câmara. Tá bom, o que é mais interessante mesmo é o assunto, mas nem por [...]
Céus. «[...] Jahren “Piratenlinks” auf seine Seite gestellt (die brasilianische und internationale Blogosphäre und Presse kommentiert das, seit er im Januar 2008 öffentlich darüber sprach.) Der literarische [...]
Paulo Coelho: Mehr verdienen mit “Auto-Internetpiraterie” « CommonsBlog[...] Jahren “Piratenlinks” auf seine Seite gestellt (die brasilianische und internationale Blogosphäre und Presse kommentiert das, seit er im Januar 2008 öffentlich darüber sprach.) Der [...]
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