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Libertarismo é coisa de adulto

A defesa da auto-propriedade irrestrita de uma criança é exemplo de como podemos por zelo à consistência de uma doutrina acabar sacrificando os indivíduos a que ela deve servir em primeiro lugar.

Crianças devem ser consideradas detentoras de direitos – como são os adultos -, mas isso não significa que elas devem ser tratadas como adultos.

Murray Rothbard (que imagino ser a inspiração para o parágrafo do link acima) não tolera esse ferimento em sua consistência. Ele prefere tolerar explicitamente como justa (ainda que imoral) uma situação em que os pais deixam sua criança morrer de fome (e implicitamente uma situação em que os pais deixam o cachorro devorar um bebê). O que os pais não poderiam fazer seria forçar o filho de 7 anos a escovar os dentes, ou impedir que a filha de 6 abandone o lar para viver um romance pedófilo com o vizinho. Gostaria de estar exagerando, mas são as conclusões a que levam The Ethics of Liberty.

Felizmente, o entendimento de Rothbard não é maioria entre os libertários. Jason Sorens, Loren Lomasky, Peter Vallentyne, por exemplo, oferecem alternativas ao problema do tratamento de crianças em uma sociedade livre. Mesmo que não completamente satisfatórias, levam a conclusões melhores que a de Rothbard.

Comentários (2)

  1. [...] Uncategorized | Tags: liberalismo, libertarianismo | Leave a Comment  Diogo Costa mostra que nem tudo é o que parece. [...]

    Os direitos da criança no mundo liberal « De Gustibus Non Est Disputandum
  2. “Ele prefere tolerar explicitamente como justa (ainda que imoral) uma situação em que os pais deixam sua criança morrer de fome (e implicitamente uma situação em que os pais deixam o cachorro devorar um bebê)”

    Isso é uma conclusão sua porque ele nunca o escreveu nem abordou as questões subsequentes. Mas Walter Block tem feito isso.

    O “abandono” deve ser feito com a evidência de que terceiros tenham no mínimo oportunidade de acolher voluntariamente a criança. Tal como, se um dia a tecnologia permitir que o feto seja acolhido e desenvolvido externamente, o aborto deve primeiro passar pela tentativa de acolhimento desse feto ser feito dessa forma por alguém de forma voluntária.

    Quanto ao termo “justa” deve ser entendido como possível numa ordem legal “libertarian”,não “justa” porque é justa.

    Repare, Rothbard está muito perto da realidade: as pessoas abandonam crianças em todo o mundo desde sempre, normalmente colocando-as à porta de instituições especializadas de forma anónima, e coisas similares.

    Podem os pais ser obrigados pela força a criar uma criança? à custa de quê, de câmaras de vigilância 24h por dia?

    Carlos Novais

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