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Libertarismo é coisa de adulto

A defesa da auto-propriedade irrestrita de uma criança é exemplo de como podemos por zelo à consistência de uma doutrina acabar sacrificando os indivíduos a que ela deve servir em primeiro lugar.

Crianças devem ser consideradas detentoras de direitos – como são os adultos -, mas isso não significa que elas devem ser tratadas como adultos.

Murray Rothbard (que imagino ser a inspiração para o parágrafo do link acima) não tolera esse ferimento em sua consistência. Ele prefere tolerar explicitamente como justa (ainda que imoral) uma situação em que os pais deixam sua criança morrer de fome (e implicitamente uma situação em que os pais deixam o cachorro devorar um bebê). O que os pais não poderiam fazer seria forçar o filho de 7 anos a escovar os dentes, ou impedir que a filha de 6 abandone o lar para viver um romance pedófilo com o vizinho. Gostaria de estar exagerando, mas são as conclusões a que levam The Ethics of Liberty.

Felizmente, o entendimento de Rothbard não é maioria entre os libertários. Jason Sorens, Loren Lomasky, Peter Vallentyne, por exemplo, oferecem alternativas ao problema do tratamento de crianças em uma sociedade livre. Mesmo que não completamente satisfatórias, levam a conclusões melhores que a de Rothbard.

Comentário (1)

  1. [...] Uncategorized | Tags: liberalismo, libertarianismo | Leave a Comment  Diogo Costa mostra que nem tudo é o que parece. [...]

    Os direitos da criança no mundo liberal « De Gustibus Non Est Disputandum

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