Dez pessoas que previram a crise
28 de Outubro de 2008 por Lucas Mafaldo
Boa notícia
27 de Outubro de 2008 por Lucas Mafaldo
“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou (...) que o governo vá socorrer empresas que entraram no mercado de derivativos e que agora registram prejuízos em seus balanços (...)Mantega afirmou que "o governo não vai salvar nenhuma empresa". "Empresas que ousaram têm que pagar o preço de sua ousadia", acrescentou”. (Fonte: Estadão)
Do mesmo modo como essas empresas não dividem seus lucros quando acerta em suas previsões, não há motivo para dividirem seus prejuízos. Elas especularam que o valor do dólar em relação ao real continuaria a cair e, agora que suas previsões se mostraram erradas, estão tentando transferir o pepino para o pagador de impostos.
É interessante notar que as exportadoras tiveram um bom motivo para fazer essa aposta. Se o valor do dólar caisse, elas teriam uma queda significativa em seus rendimentos por venderem seus produtos em dólar. Quando compraram esses títulos, portanto, elas estavam se protegendo caso o mercado se movesse em uma direção contrária aos seus interesses.
Mas o que ocorreu agora é que o mercado caminhou exatamente no sentido que irão beneficiá-las – isto é, elas serão pagas em uma moeda mais valorizada que a moeda nacional –, e agora estão reclamando que a apólice de seguro que compraram é alta demais. Bom, então não deviam ter comprado. O comportamente é análogo ao dono de carro que, depois de completar um ano sem acidentes, fosse pedir o dinheiro de volta para a seguradora. Reivindicação absurda que o governo faz bem em não aceitar.
Liberdades particulares e a liberdade em geral
23 de Maio de 2008 por Lucas Mafaldo
Os colegas cariocas certamente saberão mais detalhes, mas, pelo que leio nesta notícia, a prefeitura do Rio quer banir o fumo de todos os ambientes coletivos, sejam públicos ou privados.
Esse é o tipo de notícia que deixa os fumantes bastante irritados, mas que pouco incomoda as pessoas que gostariam de educar seus filhos em casa ou que gostariam de ter um controle maior sobre os currículos escolares.
Esse me parece ser um dos grandes obstáculos para a defesa da liberdade: em geral, as pessoas se sentem muito incomodadas com a perda das liberdades que usufruem, mas pouco se importam com a perda das liberdades que só seus vizinhos aproveitam.
Podemos montar grupos em defesa de liberdades particulares – a liberdade de fumar, de comer doces, de escolher como educar os filhos – mas esses grupos poderão fazer muito pouco se sua causa for impopular. Um dos riscos constitutivos da democracia é permitir que o poder estatal seja usado pela maioria para perseguir os valores e os hábitos das minorias.
Contra esse risco, não vejo outro remédio a não ser que os grupos de interesses particulares se reúnam para defender a liberdade em geral ao invés de se concentrarem em questões particulares. Afinal, ao defendermos a liberdade em geral, estamos, ao mesmo tempo, defendendo o direito de fumar e de educar nossos filhos em casa. Além disso, enquanto a defesa do cigarro em si mesmo sempre ficará restrita a um pequeno grupo, a defesa da liberdade individual tem o potencial de alcançar um público bem mais amplo.
Obviamente, essa aliança em defesa da liberdade precisa ser calcada nas liberdades negativas, pois uma não irá entrar em conflito com a outra. Defender uma liberdade positiva, por outro lado, significaria restringir alguma liberdade negativa de outra pessoa – o que, evidentemente, tornaria esse tipo de coalizão impossível.
Em outras palavras, o sujeito que quer educar seus filhos em sua religião – ou sem religião – precisa começar a se preocupar quando o governo proíbe o seu vizinho de fumar. Hoje é a liberdade dele que está indo embora; amanhã, pode ser a sua.
Não precisamos de um novo currículo do governo
14 de Março de 2008 por Lucas Mafaldo
O governo acaba de instituir a obrigatoriedade do ensino das culturas africana e indígena nas escolas.
Esse tipo de notícia provoca uma vontade quase irresistível de discutir nossas preferências curriculares. Eu mesmo, ao terminar de lê-la, logo me vi defendendo mentalmente a cultura grega.
No entanto, fazer isso seria simplesmente perder o foco. A grande questão não é qual currículo as escolas seguirão, mas sim quem tem a autoridade para escolhê-lo. Quando começamos a discutir se o novo currículo do governo é bom ou ruim, deixamos de ver todos os problemas que qualquer currículo do governo sempre terá.
Em primeiro lugar, dar ao governo a autoridade para escolher o currículo de todo o país implica em uma uniformização enorme de todo o ensino. Isto implica no fim da competição entre currículos: uma escola fica proibida de tentar elaborar um currículo inovador para adquirir uma vantagem sobre a concorrência.
Em segundo lugar, isso significa que toda futura mudança curricular precisará passar pelo processo político. Ao invés de o professor ir progressivamente afinando seus métodos, ele precisará formar um comitê político e tentar pressionar o congresso para aprovar cada nova reforma.
Em terceiro lugar, nunca teremos certeza de que os interesses dos políticos sempre coincidirão com os nossos. Na medida em que a educação dos nossos filhos passa a ser decidida pelo governo, isso significa que estamos efetivamente abrimos mão de nossa autoridade sobre eles. O atual governo talvez concorde com nossos ideais. O próximo talvez trabalhe diretamente contra eles.
Não precisamos de um novo currículo do governo. Precisamos que o governo pare de escolher os currículos.
