Liberdade na Estrada 2010 - Datas e Locais
09 de Setembro de 2010 por Bruno Garschagen
Na próxima segunda-feira o OrdemLivre.org começa a viagem pelo Brasil dentro do projeto Liberdade na Estrada 2010. O primeiro seminário, como podem ver na lista abaixo, será em Porto Alegre. Serão 12 cidades em 11 estados. A lista está com 11 locais porque só amanhã terei as informações sobre o evento em São Luís, no Maranhão.
Gostaríamos de convidar a todos aqueles interessados em debater ideias para o desenvolvimento do Brasil.
E é sempre bom lembrar que o OrdemLivre.org é uma organização sem fins lucrativos e apartidária e não aceita financiamento ou qualquer tipo de recursos de governos e de partidos políticos.
Nos vemos em sua cidade:
LIBERDADE NA ESTRADA 2010 – DATAS E LOCAIS
PORTO ALEGRE (RS)
Local: Salão Nobre da Faculdade de Direito
Avenida João Pessoa, 80
Data: 13 de Setembro
Hora: 19h00
PALESTRANTES
Ronald Otto Hillbrecht
Bruno Garschagen
Diogo Costa
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CURITIBA (PR)
Data: 15 de Setembro
Local: PUC-PR – Auditório John Henry Newman (junto à Biblioteca)
Rua Imaculada Conceição, 1155 - Prado Velho
Hora: 19h00
PALESTRANTES
- Rodrigo Constantino
- Fábio Barbieri
- Diogo Costa
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SÃO PAULO (SP)
Data: 16 de Setembro
Local: Auditório FEA 5 – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-USP)
Avenida Professor Luciano Gualberto, 908
Hora: 12h
PALESTRANTES
- Leandro Narloch
- Fábio Barbieri
- A Confirmar
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RIBEIRÃO PRETO (SP)
Local: Anfiteatro Prof. Dr. Ivo Torres (Anfiteatro da Faculdade de Economia e Administração - FEARP-USP) no Campus da USP.
Data: 21 de Setembro
Hora: 17h00
PALESTRANTES
- Fábio Barbieri
- Bruno Garschagen
- Diogo Costa
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SALVADOR (BA)
Data: 23 de Setembro
Local: Sala da Congregação - Faculdade de Economia da UFBa
Praça 13 de de Maio, Centro, Piedade
Hora: 9h00
PALESTRANTES
- Bruno Garschagen
- Diogo Costa
- A Confirmar
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RIO DE JANEIRO (RJ)
Data: 24 de Setembro
Local: Ibmec – Rio
Av. Presidente Wilson, 118 – Centro
Hora: 9h00
PALESTRANTES
- Bruno Garschagen
- Diogo Costa
- Rodrigo Constantino
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BELO HORIZONTE (MG)
Data: 27 de Setembro
Local: Ibmec - Minas Gerais
Rua Paraíba, 330 – 4º andar - Edifício Séculus Business Center
Hora: 19h
PALESTRANTES
- Claudio Shikida
- Bruno Garschagen
- Diogo Costa
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VITÓRIA (ES)
Data: 29 de Setembro
Local: Ufes - Auditório do prédio CT I, no Centro Tecnológico
Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras
Hora: 9h00
PALESTRANTES
- Alexandre Barros
- Bruno Garschagen
- Diogo Costa
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RECIFE (PE)
Data: 1º de Outubro
Local: Auditório da FIR - Faculdade Estácio-FIR
Av. Engenheiro Abdias de Carvalho, nº 1678 - Madalena
Hora: 18h00
PALESTRANTES
- Carlos Pio
- Bruno Garschagen
- Diogo Costa
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FORTALEZA (CE)
Data: 4 de Outubro
Local: Auditório Geraldo da Silva Nobre (Universidade Federal de Fortaleza-UFC)
Av. da Universidade, 2486 / Benfica
Hora: 18h00-22h00
PALESTRANTES
- Carlos Pio
- Bruno Garschagen
- Diogo Costa
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BRASÍLIA (DF)
Data: 8 de Outubro
Local: Auditório Joaquim Nabuco - Faculdade de Direito (FA)
Universidade de Brasília (UnB)
Hora: 14h
PALESTRANTES
- Carlos Pio
- Adolfo Sachsida
- Diogo Costa
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PALESTRANTES
Adolfo Sachsida – Doutor em Economia pela UnB, pós-Doutor na University of Alabama e pesquisador do IPEA
Alexandre Barros – PhD em Ciência Política pela University of Chicago, diretor-gerente da Early Warning: Políticas Públicas e Risco Político (Brasília – DF) e colaborador regular do jornal O Estado de São Paulo
Bruno Garschagen – Analista Político, Mestrando em Ciência Política e Relações Internacionais (Universidade Católica Portuguesa e Oxford University) e colaborador das revistas Dicta&Contradicta e Nova Cidadania (Portugal)
Carlos Pio – Mestre e Doutor em Ciência Política e professor da UnB e do Instituto Rio Branco
Claudio Shikida – Mestre em economia pela USP, doutor em economia pela UFRGS e professor do Ibmec-MG
Diogo Costa – Editor do OrdemLivre.org e Mestre em Ciência Política pela Columbia University
Fábio Barbieri – Mestre e Doutor em economia pela USP e professor da USP de Ribeirão Preto
Leandro Narloch - Jornalista e autor do livro Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil.
Rodrigo Constantino – Economista e colunista do jornal O Globo
Ronald Otto Hillbrecht – Economista e professor da UFRGS
O progressista do atraso
01 de Setembro de 2010 por Bruno Garschagen
Essa reportagem mostra a declaração de princípios não apenas do Plínio Salgado, mas da esquerda que ele representa:
Plínio de Arruda prevê caos no país com sua eleição
Hudson Corrêa
DO RIO
O candidato a presidente pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, 80, assina nesta quarta-feira no Rio plebiscito a favor de limitar o tamanho de fazendas no Brasil. Trata-se, segundo ele, de mais uma ação radical de sua campanha.
Ontem, a uma plateia de 200 estudantes, em silêncio e atenta, Plínio disse que o Brasil "vai ter problemas demais", se ele vencer as eleições.
No seu prognóstico, o país praticamente quebra. "Vão faltar bens de consumo. Não será possível trocar de celular. O Brasil sofrerá bloqueio comercial." Surgirá "tensão social", conflito armado e o povo precisará "sair às ruas" para defender o governo, que pode não terminar.
Plínio voltou sua atenção a universitários do Rio nesta semana. Ele falou com estudantes no Teatro de Arena, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
No palco foi armada pelos alunos uma barraca para protegê-lo do sol. Os universitários, simpatizantes do PSOL, ficaram em volta nas arquibancadas de concreto.
"É possível que eu perca muito voto, mas não estou preocupado como voto mesmo. Eu não mudei nada. O que eu disse quando eu tinha 20 anos de idade, estou dizendo hoje", afirmou Plínio à Folha.
O candidato manteve os ideais, mas aderiu às inovações tecnológicas para se comunicar com estudantes.
"Eu tuito à noite para encontrar vocês", afirmou, colhendo risos. Em seguida, como num banho de água fria, disse que os estudantes vão ter que se contentar com tecnologia ultrapassada, se ele for presidente.
"Quem não for capaz de abrir mão do último [lançamento de] telefoninho", disse o presidenciável exibindo o celular, "não deve votar em nós, porque [adversários] vão segurar [o comércio]. Vai ter que ficar com a porcaria do passado", disse.
O presidenciável destacou ainda que fará uma "reforma agrária radical", desapropriando fazendas com mais de 500 alqueires.
O único tema que considerou espinhoso foi o aborto. Afirmou ser a favor de legalizá-lo sem "liberar geral" e encontrou espaço para humor. "Nem falo de aborto na TV, porque, senão, dá chilique no [deputado federal] Chico Alencar, que tucanou o aborto. Ele diz que é para eu dizer assim: interrupção precoce da gravidez."
Deixa ver se entendi: Plínio de Arruda quer ser presidente para piorar o Brasil? Há ideias que se não existissem não precisariam ser inventadas.
Os sete mitos sobre as políticas ecológicas
01 de Setembro de 2010 por Bruno Garschagen
Há um valioso estudo do IPN que desmistifica o uso de recursos público para o desenvolvimento de políticas ecológicas. Chama-se Seven Myths About Green Jobs e foi elaborado por Andrew P. Morriss, William T. Bogart, Andrew Dorchak e Roger E. Meiners. O trabalho pode ser baixado gratuitamente aqui.
São três as conclusões do estudo:
1- Criação de uma burocracia cara e financiada pelo governo com recursos de setores produtivos da economia, que invariavelmente são prejudicados com as políticas adotadas.
2- Desperdício e ineficiência são vistos como virtudes. Subsídios para políticas ecológicas financiam empresas que produzem produtos mais caros e escassos. Assim, a população é tributada duas vezes.
3- As dívidas contraídas para financiar os investimentos ecológicos aumentam a dívida pública com a promessa de enriquecer as futuras gerações. Mas se a aposta ecológica fracassar, alertam, nossos filhos e netos serã obrigados a pagar a conta.
Students for Liberty destaca ensaio do Prêmio Bastiat
31 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Blayne Bennett, do Students for Liberty, destacou o ensaio premiado escrito por Henriques Viola sobre o mercado de frangos em Moçambique. Henriques foi o terceiro colocado no Prêmio Bastiat promovido pelo OrdemLivre.org com o ensaio Mercado nacional de frangos versus restrição das importações: uma reflexão necessária.
Coletânea de ensaios publicados no OrdemLivre.org
27 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
A internet é mesmo uma maravilha. Igor Franco, leitor deste site, reuniu alguns textos publicados aqui no OrdemLivre.org, produziu uma coletânea de ensaios e colocou no Scribd para quem quiser fazer o download. Boa!
Neoliberalismo
27 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Ótimo texto do Henrique Raposo, para o jornal português Expresso, que no aspecto institucional também pode ser aplicado ao Brasil:
O "neoliberalismo" é a palavra-mágica que, num ápice, tudo explica. Pior: é a palavra-mágica que legitima, logo ali, aqueles que a usam. Nesta terra, aquele que gritar "neoliberalismo" é um santo inquestionável. Em Portugal, se usarem esta password da demagogia, os idiotas e os pulhas passam a ser génios e santos. Logo ali.
IV. Curiosamente, neste país onde a palavra "neoliberal" anda nas bocas do mundo, a Constituição impede políticas liberais. Alguma coisa não bate certo nesta "estória".
The Economist celebra setor agrícola brasileiro
26 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Graças aos empresários brasileiros do setor agrícola a The Economist publica reportagem na edição desta semana com o seguinte conselho: o mundo deve aprender com o Brasil.
"Com tantas elites, daqui a pouco vai nos faltar povo"
21 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Excelente artigo de Nelson Motta em o Globo de ontem:
Que elite é essa? Não é a dos charutos e vinhos, das madames consumistas e filhos playboys, carros importados e amigos picaretas, dos coronéis rurais e urbanos, dos veteranos mamadores nas tetas do Estado. Esta está com Lula, o obedece no Congresso, financia suas campanhas, apoia seus programas econômicos e sociais. Seria até indelicado reclamar.
As novas elites não nascem na academia, nem no empreendedorismo e nem no mercado produtivo. Como os militares, nos tempos da ditadura, elas estão em toda parte, mas agora vêm dos sindicatos e da militância, são gestores, investidores com o capital alheio, novos poderosos com acesso a verbas e programas. Elas não se baseiam em excelência ou competência profissionais, mas em fidelidade, ideologia e militância. Não é ilegal ou imoral ser dessa elite, só engorda.
Mas a novidade da elite lulo-popular não acabou com a velha elite sarno-patrimonialista, juntou-se a ela nos privilégios. Lula não se contenta em multiplicar os pães e os peixes, multiplica as elites. Em 2020 teremos acabado com a pobreza, basta Dilma vencer. Com tantas elites, daqui a pouco vai nos faltar povo e não teremos mais a quem culpar pelo Brasil ainda não ser, mas só estar próximo, da perfeição - como o nosso sistema de saúde publica, nossos aeroportos e estradas.
Dieta do Impostão
19 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Além do Dia Nacional da Liberdade de Imposto, evento organizado no mês de maio por várias entidades, dentre as quais o OrdemLivre.org, e a campanha de educação tributária veiculada pela TV Globo, a Firjan criou o site Dieta do Impostão. O Entenda o Impostão é uma forma didática de abordar o tema e mostrar o peso dos tributos na vida de todos os brasileiros.
Campanha presidencial na TV
18 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
JOSÉ SERRA
Programa da campanha do candidato José Serra (PSDB) na TV ontem foi bastante paroquial e monotemático. A saúde é um tema caro e sensível aos brasileiros, mas o primeiro programa talvez devesse apresentar um panorama geral do candidato e os filmes seguintes usados para abordar assuntos específicos. Pareceu campanha de prefeito da província.
DILMA ROUSSEF
O filme da candidata Dilma Roussef (PT) tentou passar a mensagem da preocupação com o Brasil ao mostrar cenas gravadas em várias cidades e um mapa do país sendo cruzado pela candidata. Manteve-se, obviamente, o tom heróico de Lula para Dilma: "um dia isso tudo será seu!". O único probleminha é que o país não pertence ao primeiro nem pertencerá à senhora, mesmo que ganhe as eleições. Se for para defender a privatização completa do Brasil é melhor que a escolha recaia sobre um empresário competente, pois não?
MARINA SILVA
Marina Silva (PV) é o Al Gore de cocar.
Dilma não é a mamãe
18 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
O modo petista de fazer política
18 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
A revista Veja que está nas bancas trouxe um gravíssimo depoimento do sindicalista Wagner Cinchetto, que denuncia como um grupo do qual fez (ou faz) parte agiu no submundo para produzir dossiês contra adversários políticos do PT com o conhecimento do presidente Lula. O que aconteceu? Publicamente, ao menos, nada. Não era o caso de o Ministério Público Federal ou da Polícia Federal entrarem no caso (se é que já não estão)?
Nos jornais e blog de hoje mais elementos sobre o método de fazer política do PT:
(...) a Anac é apenas um exemplo de como, por meio de asfixia financeira, de nomeações de dirigentes sem as qualificações técnicas necessárias para exercer o cargo e até de redução de responsabilidades, o governo Lula vem esvaziando as agências reguladoras, na execução daquilo que tem todas as características de um plano preconcebido.
Agências imunes aos interesses políticos do governo são incompatíveis com a política petista de açambarcamento do Estado Nacional. Por isso, desde o início deste governo, boa parte das verbas orçamentárias das agências vem sendo retida pelo Tesouro Nacional, a pretexto de assegurar o cumprimento das metas de superávit fiscal. No ano passado - como mostrou o Estado na segunda-feira, em reportagem de Renée Pereira - o contingenciamento dessas verbas atingiu um nível recorde.
Coluna da Miriam Leitão, em O Globo:
O Brasil perderá esta eleição, independentemente de quem vença, se ficarem consagrados comportamentos desviantes assustadoramente presentes na política brasileira. Uso de um fundo de pensão para construir falsas acusações contra adversários, funcionários da Receita acessando dados protegidos por sigilo, centrais de dossiês montados por pessoas próximas ao presidente.
Nesta eleição, depoimentos e fatos mostram que estão virando parte da prática política, principalmente do PT, a construção de falsas acusações contra adversários, o trabalho de espionagem a partir da máquina pública, o uso político de locais que não pertencem aos partidos.
As notícias têm se repetido com assustadora frequência. O verdadeiro perigo é que se consagre esse tipo de método da luta política. A democracia não é ameaçada apenas quando militares saem dos quartéis e editam atos institucionais. Ela corre o risco de "avacalhação", para usar palavra recente do presidente Lula, quando pediu respeito às leis criminosas do Irã.
- Nas democracias, é o povo quem passa o poder adiante; no regime lulo-petista, é o mandatário quem tenta passar o povo adiante;- Nas democracias, o povo é sempre o sujeito; no regime lulo-petista, o povo é só objeto direto;
- Nas democracias, o povo concede o poder ao mandatário; no regime lulo-petista, o povo é concedido ao mandatário — só é sujeito na voz passiva…
Como se safar de um debate
16 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Com alguns anos de atraso, eis que a expressão troll entra na linguagem da internet brasileira. Até aí, nada demais. O que me incomoda é o uso do termo como forma de encerrar uma discussão. Assim, se um dos envolvidos tenta vencer o debate sem ter razão, logo acusa o outro de troll. Antes, tentaria ganhar a peleja (e este é o termo mais adequado a esse tipo de confronto) acusando o outro de usar o argumento ad hominem, justamente o que geralmente faz aquele que faz esse tipo de acusação.
A regra nas comunidades da internet é seguir o lema: "Don't feed the trolls" (é o significado da imagem deste post).
Eu que sou pobre, mas limpinho, prefiro parafrasear o Eric Voegelin: "você não pode ser interlocutor de um debate porque seria, no máximo, objeto de investigação".
Gary Becker e a imigração como um mercado
16 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Via André Azevedo Alves, do Insurgente, o vídeo da palestra do Gary Becker sobre imigração em quatro partes:
- Gary Becker: Immigration (1)
- Gary Becker: Immigration (2)
- Gary Becker: Immigration (3)
- Gary Becker: Immigration (4)
- Gary Becker: Immigration (5)
- Gary Becker: Immigration (6)
- Gary Becker: Immigration (7)
Repito o que escrevi aqui: Mesmo com todos os problemas que provoca, a ideia, mesmo inviável, é de interessante leitura e fornece bons instrumentos de discussão. Do radicalismo de algumas ideias pode-se extrair algum sumo de viabilidade prática.
Leituras recomendadas:
- Sell the Right to Immigrate, por Gary Becker.
- The Becker-Simon Proposal Should be Rejected, por Jagdish Bhagwati.
- Gary Becker e a imigração, por Monica Magalhães.
João Ubaldo Ribeiro sobre o Estado Leviatã
16 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Noves fora a simplificação um tanto grosseira sobre a teoria de Hobbes, um texto altamente recomendável do João Ubaldo Ribeiro publicado ontem no Estadão:
O Leviatã pega
(...)
Aqui no Brasil, o nosso Leviatã já engole mais de um terço do que ganham os pobres e remediados (e nada dos verdadeiramente ricos) e não dá segurança nenhuma. Se esta for entendida como algo além de garantias contra a violência e abranger, por exemplo, a saúde, sabemos que o monstro, além de comer todo o dinheiro que pode, obriga os súditos a contratar planos médicos privados e nem mesmo estes resolvem, pois o bicho permite que façam o que bem entendam, inclusive tungar safadamente os que há décadas pagam por eles os olhos da cara.
Rússia, vodca e "Cada vez que algo é proibido se torna ainda mais popular"
14 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
No Estadão, interessante entrevista sobre a vodca como elemento cultural a Rússia:
Como a vodca se tornou tão importante para a cultura russa?Em 1474, o czar Ivan III estabeleceu o primeiro monopólio ao determinar que as pessoas não podiam fazer bebidas alcoólicas em casa. Em vez disso, deveriam comprar do estado. Assim, a vodca acabou se tornando muito comum e também uma fonte de renda de vários czares russos.
Vodca era a bebida dos czares e das pessoas comuns?
Por um tempo foi, mas ao longo dos séculos a bebida nem sempre foi uma unanimidade. A vodca foi proibida em várias ocasiões na Rússia. A primeira vez foi em 1601, pelo czar Boris Godunov; depois, em 1914, pelo czar Nicolas II e, mais recentemente, Mikhail Gorbachev, em 1985, estabeleceu uma “semi-lei seca” que não durou. Cada vez que algo é proibido se torna ainda mais popular...
Os pobres querem trabalhar e empreender
13 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Muitas vezes o Brasil é elogiado por seus vícios (jeitinho brasileiro, a suposta alegria, o carnaval etc.) e condenado por suas virtudes (capitalismo empreendedor em diversos setores).
Daí vem a minha alegria sincera ao ver na TV um grupo de jovens do interior de Pernambuco desenvolvendo o melhor espírito empreendedor para criar um mercado e permitir que a sociedade crie riqueza a partir de seu próprio trabalho. O sucesso do projeto Acreditar é mais uma prova de que as pessoas querem oportunidades para trabalhar, produzir e assumir responsabilidades.
Emprestar dinheiro e realizar um trabalho de apoio, que inclui educação financeira e cobrança de resultados, permitiu que os pernambucanos daquela região do Estado tivesse o dinheiro para empreender e o estímulo para crescer. A combinação deu certo: os negócios financiados pelo projeto fez com que a riqueza fosse difundida, não distribuída.
A criatividade do brasileiro não é uma bênção exclusiva pelo desejo de Deus ser brasileiro (e a modéstia é um dado adquirido do povo nativo); é, sim, uma forma de se desvencilhar de todos os entraves criados à sua volta. O jeitinho brasileiro é uma estratégia de salvação. O problema é que nem todo mundo mantém ligado o próprio discernimento para evitar o mergulho na imoralidade e na ilegalidade.
O pessoal do projeto Acreditar pegou a ideia do microcrédito desenvolvida em Bangladesh pelo economista Muhammad Yunus, adaptou-a à realidade do lugar e conseguiu ser bem-sucedido.
Espero que a íntegra do programa seja colocada na internet e possa servir de modelo para outras regiões do país.
O que a eleição presidencial no Brasil tem a ver com a Inglaterra
12 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
No post logo abaixo, Diogo Costa comenta matéria da The Economist sobre as medidas adotadas pelo governo britânico para reduzir gastos públicos e a demanda da sociedade pelo Estado.
A matéria e o post me remeteram à campanha na Inglaterra para definir a sucessão de Gordon Brown e às entrevistas concedidas esta semana pelos candidatos à Presidência do Brasil ao Jornal Nacional, da Rede Globo.
Antes de avançar, um comentário: é preciso muito cuidado ao comparar países com histórias e desenvolvimento completamente diferentes. O que interessa é buscar nas virtudes e experiências bem-sucedidas exemplos que possam ser utilizados com as devidas adaptações.
Isto posto, devo dizer que tive a sorte de estar morando em Oxford na época e pude acompanhar de perto as campanhas dos Conservadores, Liberais-Democratas e Trabalhistas. Com base nisso, gostaria de destacar algumas diferenças na comparação com a campanha que se desenrola no Brasil.
Na Inglaterra:
A discussão era baseada nos projetos de cada partido, não em projetos individuais.
Ao contrário do Brasil, que tem um sistema presidencialista com eleição direta, o Primeiro-Ministro é aquele cujo partido consegue eleger o maior número de representantes no Parlamento. Na eleição deste ano, como os Conservadores não conseguiram a maioria, formaram um governo de coalisão com os Liberais-Democratas.
No Brasil:
Não há projetos de partido, mas projetos de cada candidato.
Se compararmos, por exemplo, as campanhas de Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e José Serra, parecem que nem fazem parte do mesmo partido.
O PT é uma exceção. O projeto do partido é o mesmo de sempre: fazer o que for possível e impossível para conquistar o poder e lá se manter.
Na Inglaterra:
Os candidatos são preparados para responder de forma aprofundada sobre seus projetos de governo.
Gordon Brown, David Cameron e Nick Clegg eram metralhados de perguntas por jornalistas e pela população. Se não respondiam ou respondiam de forma insuficiente, eram novamente interpelados. Minha impressão é de que a sociedade os via apenas como pessoas que queriam desenvolver um trabalho de suma importante e essa relação de conferir importância à instituição e não a quem lá está ou lá pretende chegar faz toda a diferença no desenvolvimento político do país.
No Brasil
Os candidatos estão mais ou menos preparados para responder determinadas questões sobre seus projetos de governo, mas nunca de forma aprofundada.
Aqui preciso fazer duas ressalvas: na Inglaterra, há vários programas de debates na TV e a agenda dos candidatos não se resume a palestras a convite de entidades de classe ou as famigeradas carreatas pelos centros das principais capitais. No Brasil, há poucos debates na TV. Além disso, o formato e o tempo impedem que as questões sejam esmiuçadas. Qual o resultado disso? Grande parte da população brasileira ainda acha que as principais atividades do presidente é cuidar do saneamento básico e construir estradas. Embora discorde, não estou negando que a lei confira ao Poder Executivo tais responsabilidades. O mais triste é saber que, hoje, construir sistemas de esgoto é mais urgente do que fazer com que o Estado não atrapalhe a vida dos indivíduos.
Na Inglaterra:
Os candidatos sabem falar o próprio idioma.
No Brasil:
Os candidatos sabem falar no próprio dialeto.
A revista Veja desta semana traz uma seleção das pérolas:
Dilma Roussef: "Eu inclusive terei todo um nível de apoio a um tratamento especial, a investimento, inclusive no que se refere a acessibilidade, porque o Brasil não está, não estava ainda preparado para dar isso pras pessoas e eu considero que, seja nos edifícios e em todo uso de equipamentos, isso é fundamental".
José Serra: "Eu vou valorizar, eu vou estatizar as empresas que já são do governo no sentido de que elas vão ficar servindo ao interesse público. Essa é uma questão muito importante em relação ao que que a gente vai fazr com o patrimônio do governo".
Marina Silva: "O capitalista precisa de água potável, terra fértil e ar puro. O trabalhador e a criança pobre, lá da favela do Coque, aonde eu conheci o Dado, precisam também. Essa é uma luta generosa, que se cada um de nós não fizer sua parte - seje de esquerda, de direita ou de centro - nós não teremos futuro".
O Nordeste precisa é de capitalismo
11 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Excelente post no blog do Leandro Narloch, autor do imperdível Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil:
por Leandro Narloch
Não é porque coronéis exploram os miseráveis, mas o contrário: os ricos nordestinos exploram pouco a mão-de-obra barata que têm ao redor.
"Onde está a direita?" O gato comeu, o rato roeu.
10 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Em O Globo:
Onde está a direita?
Marco Antonio Villa
O panorama da eleição presidencial chama a atenção.
Não há nenhum candidato identificado com a direita, da mais conservadora até a liberal. E não é de hoje. Desde a eleição de 1994, a direita abandonou o campo de jogo. Uma das explicações pode ter sido o trauma representado pelo governo Collor. Em vez de apostar em um aventureiro, optou, desde então, por apoiar o candidato que tivesse mais chances de vencer. Puro utilitarismo eleitoral. Mas que acaba prejudicando o processo democrático, pois obriga os partidos mais fortes nas eleições presidenciais (PSDB e PT) a darem uma guinada à direita.
E por uma razão óbvia: há um eleitorado conservador, que pode decidir uma eleição.
Uma candidatura no campo da direita teria de buscar apoio político.
Mas onde? O capital financeiro está muito satisfeito com o governo Lula.
A nefasta combinação de altas taxas de juros com um câmbio supervalorizado transformou o capital financeiro em uma espécie de quarto poder da República. Compõe com qualquer governo, desde que mantenha seus privilégios, assim como a burguesia lulista, aquela do capital alheio, que cresce graças aos generosos créditos do BNDES. Apoiando Lula obtiveram a tão almejada paz social.
Nunca na história deste país, desde o restabelecimento da democracia, houve um período presidencial com tão poucas greves. O custo foi baixo. E pago pelo Tesouro Nacional.
Então, para que fazer política ideológica, discutir princípios? Este utilitarismo macunaímico, também é extensivo à política. Paulo Maluf é um bom exemplo. Filhote da ditadura, de acordo com Leonel Brizola, foi candidato na eleição de 1989 ainda com base no prestígio adquirido no início da década e que o levou a disputar a Presidência contra Tancredo Neves no colégio eleitoral, em janeiro de 1985. Desde então ficou restrito à política paulista. Após o fracasso de Celso Pitta, seu afilhado político, abdicou de voos mais altos, inclusive na política regional, e transformou-se em caudatário do PT, apoiando, inicialmente, Marta Suplicy, para a prefeitura, os candidatos petistas quando do segundo turno das eleições para o governo estadual, e Lula para a Presidência. Em cerimônias oficiais chegou a ser citado elogiosamente pelo presidente da República.
O mesmo quadro se repete em diversas regiões. No Nordeste, a velha oligarquia que usufruiu das benesses do regime militar, que aderiu à Nova República e depois de 1990 foi se adaptando aos novos tempos, virou lulista de carteirinha. Eventualmente, manteve suas divergências com o petismo nos seus estados, mas no plano federal que é o que importa para os oligarcas, pois é a fonte dos recursos que permitem manter seus privilégios locais formou uma verdadeira tropa de choque no Congresso Nacional em defesa do governo.
José Sarney foi o precursor. Já em 2002 apoiou Lula. Pressentiu para que direção estava soprando o vento.
Se aboletou no governo, manteve o controle de áreas sensíveis aos seus interesses familiares, como o Ministério das Minas e Energia, e o governo local e, quando perdeu, em 2006, a eleição no Maranhão, recebeu apoio discreto, mas eficaz, de Lula para retomá-lo em um golpe judicial.
O mais novo adepto e não é acidental que também venha de um estado pobre desta corrente é Fernando Collor. Defendeu enfaticamente o governo. Virou lulista.
A direita prefere ser sócia, mesmo que minoritária, do governo, do que disputar a Presidência. Seus interesses se resumem a extrair benefícios nada republicanos. Em uma linguagem mais direta: querem participar do saque organizado do Estado, controlando ministérios e secretarias como uma espécie de extensão da antiga casa-grande. Não há nenhuma ideologia. Quando muito, como fez Renan Calheiros, cita Ruy Barbosa para justificar notas frias emitidas por um açougue o Stop Carnes no interior miserável de Alagoas.
Contudo, no Congresso, a direita está muito bem representada, numericamente falando, claro. Raros são os parlamentares ideológicos, que professam sinceramente sua ideologia, defendem seus princípios. São vistos como ingênuos. A direita propriamente dita sabe que, sem apoio parlamentar, nenhum presidente governa.
A opção por escolher o campo parlamentar em vez de lutar pelo Executivo tem se mostrado muito eficiente.
Evita o desgaste da derrota, valoriza o apoio eleitoral e aumenta o cacife no momento da divisão do bolo do poder. E mais: não se identifica como direita. Direita virou palavrão.
Eles são de centro.
Com essa direita citada no texto o melhor mesmo é se naturalizar inglês e execer o voto não obrigatório na terra de Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II.
Villa faz uma nobre tentativa de tirar sobre a cabeça da direita a espada colocada por ela mesma. Há um problema sério no Brasil da identificação da direita com o que de pior existe. A partir de Getúlio Vargas, tal enquadramento ganhou uma dimensão extremamente negativa.
Se o objetivo for recuperar a parte positiva da história da direita conservadora e liberal brasileira é preciso recuar até a Monarquia e aos tempos da República Velha. Conhecer o passado evita o erro comum de considerar as reflexões individuais como algo inédito e original. É uma renovada lição de humildade intelectual.
Para se construir um pensamento sólido é necessário resgatar a tradição, que alicerça o presente e ajuda a pavimentar o futuro.
O “Alô, mamãe” com dinheiro público
10 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
No Estadão:
A Voz do Brasil, o mais antigo lixo autoritário
Ethevaldo Siqueira
Estatal, jurássica e inútil. Assim é a Voz do Brasil, o programa de rádio típico dos regimes autoritários, irritante e anacrônico. Criado há 75 anos, ou seja, em 1935, em plena ditadura Vargas, numa época em que as comunicações não alcançavam a totalidade do território nacional, o programa se perpetuou não apenas por interesse dos presidentes e de políticos oriundos dos grotões distantes, que passaram a utilizá-lo como canal de comunicação com suas bases. É o rádio que já foi usado como o “Alô, mamãe” – de parlamentares do baixo clero, seus defensores mais ferrenhos.
Raúl Castro será o Gorbachev de Cuba?
09 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Texto no Washington Post sobre a liberação dos presos políticos em Cuba:
Can Raul Castro modernize and stabilize Cuba?
Vídeo do F. Hayek sobre o socialismo
06 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
Movimento Rothbardiano Para Portugal
06 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
MRPP
Tomei conhecimento do blogue do Rui Botelho Rodrigues através do Insurgente. Li os posts linkados e deixei aqui uma breve nota sobre a atitude dos libertários em relação ao Estado. Não tenho qualquer dúvida de que a minha observação estava correcta e de que a grande maioria dos libertários não defende a eliminação do Estado.
O RBR teve a amabilidade de me responder e de iniciar uma polémica a que eu respondi com os argumentos clássicos sobre este assunto. Pelo caminho fui-me penalizando pela minha falta de originalidade, mas a verdade é que todos os meus argumentos tinham sido “tomados de empréstimo”.
Diga-se, em abono da verdade, que também nenhum dos argumentos do RBR era de facto dele. A polémica ficou portanto esvaziada de conteúdo. Os interessados podiam, com muito mais utilidade, recorrer à Rand, ao Hayek, ao Mises ou ao Rothbard, do que perderem tempo comigo ou com o RBR.
O RBR contudo, não se apercebeu de quem eram os seus contendores e desafiou-me a contestar as suas respostas aos “meus argumentos”, como se estes fossem de facto meus. Enfim.
Mesmo assim, senti-me motivado a reler o Rothbard (The Ethics of Liberty), o que me endivida perante o RBR pelo prazer que retirei desta leitura.
A obra de Rothbard está obviamente datada e ultrapassou largamente o prazo de validade. Guarda apenas o interesse masturbatório que os intelectuais gostam de devotar aos seus ícones. O conceito que Rothbard faz dos seres humanos já estava ultrapassado no seu tempo.
Nós não somos “tábuas rasas”, desprovidos de instintos e guiados apenas pela razão. Nós somos mamíferos da espécie Homo Sapiens, com uma natureza própria, transportando milhares de instintos e necessitando tanto das emoções como da razão (Damásio).
Entretanto, o RBR começou a levar a mal as farpas que eu fui deixando para o Rothbard e acusa-me de ser intelectualmente desonesto. Caramba, agora que eu tinha um nome para o movimento anarco-capitalista que ele está a lançar em Portugal.
Apesar de ser minha propriedade eu cedo-lhe todos os direitos exclusivos:
Movimento Rothbardiano Para Portugal – MRPP (peço desculpa, de novo, pela falta de originalidade, mas há lá uns tiques...).
À guisa de explicação para quem desconhece a política portuguesa, MRPP é a sigla do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, fundado em 1970 sob princípios maoístas. O mais famoso ex-membro do MRPP é o atual presidente da Comissão Européia, Durão Barroso, que foi expulso e pode ser visto num vídeo da época atacando o "ensino burguês".
A perfeição das ideias e a imperfeição da prática
06 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
No Mosca Azul, meu caro Igor Taam entra numa discussão que, como escrevi, é aberta e rica: de que forma deve se dar, se é que deve, o envolvimento dos liberais na política. A propósito deste texto sobre a visão política dos membros da comunidade no Orkut do Liber, Igor cita um post que fiz aqui no blog e cujo título era uma pergunta: Os libertários devem se converter numa força política?
Nesse post eu levanto o problema complexo e fascinante do envolvimento dos liberais na política. Se fosse possível dividi-los em categorias teríamos, no mínimo, três:
a) liberais puros: só as ideias importam. Se a realidade não assimila as ideias como práxis essencial, dane-se a realidade;
b) liberais pragmáticos: as ideias são faróis de orientação que devem, em parte, permitir aberturas para transformar a realidade de acordo com uma visão liberal;
c) liberais políticos: as ideias também são pontos de referência, mas o compromisso com a melhoria ou aperfeiçoamento da política e da economia são fundamentais. Assim, as ideias valem um pouco menos do que o fim desejado, mesmo que o procedimento para atingi-lo seja orientado pelo liberalismo.
Obviamente, essas categorias são meras caricaturas que servem para acentuar, diria mesmo exagerar, determinadas visões de mundo e comportamentos. Pode haver, consideradas as nuances individuais, zilhões de categorias, que de uma forma ou de outra viabilizam ou inviabilizam um projeto baseado em ideias ou o próprio sistema político. Não há mal algum em dedicar-se somente às ideias e esperar, ou trabalhar para, que algum dia uma parte dos políticos seja persuadida e passe a realizar medidas liberais. Como também não há mal algum em dedicar-se a estabelecer pontes entre as ideias e a prática política, que pode conduzir à sua realização.
Nessa relação entre purismo e pragmatismo, o professor Claudio Shikida entrou no assunto e afirmou haver um dilema cujo problema seria "a falta de habilidade de alguns em lidar com 'pragmatismo-purismo'", além de confessar uma má experiência em debates com austríacos mais radicais. Sobre o dilema, não sei se deve haver um antagonismo per se. Mas isso é outra discussão.
Primeiro, devo confessar que não faço parte e nem acompanho a comunidade do Liber. O contato que tive com os poucos membros que conheci foram sempre amistosos. Comento, então, sem qualquer experiência boa ou ruim com qualquer um deles. As perguntas que me faço são bastante elementares:
1- Por que um grupo de pessoas deseja fundar um partido político?
2- Considerando, por hipótese, que esse grupo tenha decidido fundar um partido para tentar aplicar as ideias políticas e econômicas que julga corretas porque nenhum outro partido as defenda, estarão os seus membros preparados para a prática da política, ou seja, para fazer concessões quando necessárias? Ou o projeto é manter a pureza das ideias na ação política mesmo sob o risco de se tornar um partido inviável e, portanto, nunca atingir aquilo que é a razão de sua existência: a aplicação das ideias liberais?
Concordo com o Diogo Costa em seu artigo de hoje quanto aos cinco passos para arruinar um partido político. Espero mesmo que não seja o caso do Liber, que deve evitar que o "segregacionismo ideológico não se converta em triunfo".
Este post, assim como acredito serem os demais aqui citados, é uma tentativa de compreender um fenômeno que interessa a todos aqueles que estudam a política, mas, principalmente, àqueles que acreditam que as ideias liberais podem ser um importante instrumento de estímulo das potencialidades individuais e que permitem que as riquezas produzidas sejam desfrutadas pela sociedade e deixem de alimentar a corrupção de um elite política estúpida per se.
Qual é, então, o desafio dos liberais ou, como queira, dos libertários? Difundir as ideias e persuadir os políticos que aí estão ou também formar uma geração de políticos desde o início comprometida com as ideias da liberdade? O que se quer é uma utopia ou um projeto político viável?
O Estado como incorporação
05 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
O Leviatan na capa da The Economist desta semana:
Leviathan Inc
Governments seem to have forgotten that picking industrial winners nearly always fails
LISTEN carefully, and you may detect a giant sucking sound across the rich world. In the 1990s this was the sound protectionists in the United States thought (wrongly) would accompany jobs disappearing to Mexico as a result of a free-trade deal. This time, too, there are big worries about jobs and growth, but the source of the noise is different, and real enough: it comes from the tentacles of the state, reaching into more and more areas of business in an effort to get the economy moving. It is the sound of Leviathan Inc.
CONTINUA...
O libertários são antiestado?
04 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
No Portugal Contemporâneo, o Joaquim escreve uma série de posts na qual toca num ponto importante do libertarianismo:
- o libertarianismo é anti-Estado?
- o libertarianismo é anti-Estado? II
- os libertários são anti-Estado? III
Os posts foram escritos a propósito desse interessante post do Rui Botelho Muniz, Estratégia, que avançou em outros dois: Estratégia II e Estratégia III.
Minha contribuição ao debate, embora não diga respeito ao debate entre o Joaquim e o Rui, está sendo desenvolvida nessa série de textos:
- O liberalismo como ideologia ou como um conjunto de ideias
- O liberalismo como ideologia ou como um conjunto de ideias (2)
- O liberalismo como ideologia ou como um conjunto de ideias (3)
Novos colunistas no OrdemLivre.org
04 de Agosto de 2010 por Bruno Garschagen
O economista e professor da Universidade de Aveiro André Azevedo Alves despede-se hoje deste site com mais um excelente texto: A análise ética e sociológica de Schumpeter e o futuro do capitalismo. A saída de André do quadro de colunistas fixos deve-se a novos compromissos profissionais e acadêmicos em Portugal. Ele continuará, agora, como colaborador eventual do site e do blog.
Para ocupar o espaço, convidamos outro português, Rui Albuquerque, que já foi companheiro no blog O Insurgente e agora escreve no Portugal Contemporâneo. Rui é um grande estudioso das ideias liberais, da história e do pensamento político, além de arguto analista da política.
Outra três mudanças já realizadas e só agora anunciadas:
1- a jornalista e mestranda em Filosofia e Políticas Públicas na London School of Economics, Monica Magalhães, também foi obrigada a deixar o posto de colunista por causa dos compromissos acadêmicos. Esperamos que ela possa voltar a escrever em breve. Para substituí-la, chamamos o administrador de empresas formado pela FGV-RJ e profissional liberal (consultor de empresas), João Luiz Mauad.
2- o escritor Antonio Fernando Borges, que saiu devido a outros compromissos profissionais, foi substituído por Elisa Lucena Martins, que no ano passado conquistou o VI Prêmio Donald Stewart Jr., concedido pelo Instituto Liberal (Rio de Janeiro), e atualmente trabalha na Atlas Foundation em Washington DC.
3- o roteirista e escritor Fábio Danesi, também por compromissos profissionais, teve que se desligar do site. Em seu lugar entraram dois colunistas, que se revezam com um texto por mês: o jornalista Renato Lima e o economista e professor da USP de RIbeirão Preto, Fábio Barbieri.
O OrdemLivre.org agradece aos ex-colunistas pela enorme e generosa contribuição e dá boas-vindas aos novos colunistas, que gentilmente aceitaram o convite para fazer parte deste projeto.
Celebrando Milton Friedman
30 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
Se estivesse vivo, o economista Milton Friedman faria 98 anos amanhã. Para celebrar a data, deixo alguns links para lembrar o importante trabalho desenvolvido por Friedman na difusão da ideias liberais para o grande público.
Bom fim de semana!
- OrdemLivre.org: filme Livres para Escolher (legendado);
- The Freeman: Milton Friedman (1912-2006);
- The Freeman: Milton Friedman and the Chicago School of Economics;
- TransformAmericas: How Milton Friedman Saved Chile;
- Reason: Defaming Milton Friedman – by Johan Norberg
- The City Journal: My friend, Milton Friedman;
- FriedmanDay;
- Vídeo: Milton Friedman sobre o Libertarianismo;
Ludwig von Mises selecionado
30 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
Os libertários devem se converter numa força política?
28 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
Via Marginal Revolution, descubro que o blog Really, Libertarians? discute o texto Onde é o lugar político dos libertários? Talvez lugar nenhum, de Brian Doherty, publicado neste site na semana passada.
Greg concorda com o argumento central de Doherty: os libertários devem se preocupar em formar mais libertários, não em se converter numa força política.
Ambos defendem a tese segundo a qual a função dos libertários é desenvolver e difundir as ideias e convencer mais pessoas a se tornarem libertárias. Dessa forma, conseguiriam influenciar a política por via indireta, não como um partido, mas pela força dos argumentos que atrairia os políticos.
É uma opção conveniente, especialmente para aqueles que desejam evitar o envolvimento direto com a política e assim preservar a pureza das ideias. Influenciar é mais seguro (e muitas vezes mais eficiente) do que enfrentar o choque com a práxis, que, certamente, corromperá o liberalismo.
Deve-se ter em mente que a conveniência e a vontade de preservação da pureza da teoria não é um problema em si mesmo, pois não se pode exigir que intelectuais se convertam em políticos para ver suas ideias desenvolvidas na prática. É uma discussão rica e aberta.
28 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
Via Marginal Revolution, descubro que o blog Really, Libertarians? discute o texto Onde é o lugar político dos libertários? Talvez lugar nenhum, de Brian Doherty, publicado neste site na semana passada.
Greg concorda com o argumento central de Doherty: os libertários devem se preocupar em formar mais libertários, não em se converter numa força política.
Ambos defendem a tese segundo a qual a função dos libertários é desenvolver e difundir as ideias e convencer mais pessoas a se tornarem libertárias. Dessa forma, conseguiriam influenciar a política por via indireta, não como um partido, mas pela força dos argumentos que atrairia os políticos.
É uma opção, especialmente para aqueles que desejam evitar o envolvimento direto na política e com isso preservar
O candidato à Presidência que defende as Farc, o MST e a maconha
28 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
Sem qualquer chance de ganhar a eleição presidencial, o candidato do PSOL, Plínio de Arruda, é a caricatura da extrema esquerda. Em entrevista ao portal R7, fez declarações de princípios morais, éticos e políticos:
- Defendeu as invasões ilegais de terras pelo MST;
É a defesa da ilegalidade e, portanto, de ações criminosas.
- Afirmou que a ação das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) se justifica porque o governo colombiano é terrorista.
As Farcs são um grupo terrorista e narcotraficante que comete assassinatos, sequestros e vários outros tipos de crime.
- Chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de nesfasto e atacou os ex-companheiros do PT.
Como um dos fundadores do PT, conhece Lula e os demais membros do partido como ninguém.
- Defendeu a taxação das grandes fortunas;
Ele declarou ter um patrimônio de R$ 2 milhões de reais. Podia começar dando o exemplo e doando 80% do seu patrimônio ao Estado.
- Defendeu a reestatização da Vale da Rio Doce e da Petrobras;
A Petrobras ainda é uma empresa estatal. Talvez ele se refira ao fato de o PT ter se apossado da estatal como se fosse patrimônio privado do partido.
- Defendeu a descriminalização da maconha, do daime e das bebidas alcoólicas;
As bebidas alcoólicas foram proibidas? O Daime já permitido legalmente em cerimônias religiosas. Quando um socialista que defende as Farc e o MST também defende a descriminalização da maconha é porque há algo de errado com a descriminalização da maconha.
- Defendeu a descriminalização do aborto;
Só não detalhou como os fetos e os bebês seriam assassinados.
- Afirmou ser católico militante.
Desde 1949, o Decretum Contra Communismum, baixado pelo Santo Ofício sob orientação do Papa Pio XII, prevê a excomunhão automática de todos os católicos que professem, defendam e propaguem o comunismo, ou que colaborem com governos comunistas.
A imigração como um negócio, segundo Gary Becker
27 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
A proposta do economista Gary Becker em transformar a imigração num negócio, que incluía a venda do direito de imigrar, continua provocando reações.
A colunista do OrdemLivre.org. Monica Magalhães, publicou aqui o texto Gary Becker e a imigração no dia 1 de julho. No dia seguinte, Jagdish Bhagwati enviou carta à revista The Economist mostrando que a ideia não era nova nem viável:
a proposta não passa no teste de abrangência, no que se refere aos conflitos de interesses entre países de origem e de destino, e de ética.
Mesmo com todos os problemas que provoca, a ideia, mesmo inviável, é de interessante leitura e fornece bons instrumentos de discussão. Do radicalismo de algumas ideias pode-se extrair algum sumo de viabilidade prática.
O Brasil deve aceitar ditadores e terroristas comunistas?
27 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
No site do Estadão, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, expõe certa visão sobre o direito internacional:
Battisti pode ficar no País, diz Marina
Candidata do PV afirma que o Brasil já abrigou até ditadores, por isso não há problemas em aceitar permanência do ex-ativista italiano
Daiene Cardoso AGÊNCIA ESTADO - O Estado de S.Paulo
A candidata do Partido Verde (PV) à sucessão presidencial, Marina Silva, declarou-se favorável à permanência do ex-ativista italiano de esquerda Cesare Battisti no Brasil. Na avaliação da presidenciável, é importante que o País mantenha a tradição de oferecer abrigo a refugiados políticos.
Battisti foi condenado a prisão perpétua na Itália em 1987 por quatro assassinatos promovidos pela organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Preso na Penitenciária da Papuda desde março de 2007, aguarda uma decisão do presidente sobre sua extradição.
"O Brasil tem tradição de dar abrigo, já deu até para ditadores", afirmou a candidata, durante entrevista ontem ao portal Terra. "Por que seria diferente em dar abrigo a ele (Battisti)?", questionou.
A presidenciável disse que sua posição não põe em dúvida as instituições italianas, que pedem a extradição do ex-ativista. Para a candidata, é importante que a política externa brasileira mantenha suas tradições e princípios. Assim, segundo ela, fica claro para os demais países a posição brasileira nesses tipos de situação.
Candidadamente, a candidata qualifica os ditadores e desqualifica o país. Quando defende a permanência no Brasil do terrorista comunista italiano Cesare Battisti (terrorista comunista, é bom lembrar, é o sujeito que mata para estabelecer o terror, tomar o poder e implantar o comunismo) sob a justificativa de que o Brasil já concedeu asilo político até para ditadores significa que ela concorda que o governo brasileiro receba de braços abertos ditadores e terroristas. Revela-se, assim, uma candidata à altura do próprio pensamento político, mas não do cargo que deseja ocupar.
Entrevista com o economista Antonio Bonchristiano
26 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
Já está no ar uma ótima entrevista concedida ao OrdemLivre.org pelo economista e sócio da GP Investimentos, Antonio Bonchristiano. Empreendedor bem-sucedido, Bonchristiano estudou na Universidade de Oxford, trabalhou no mercado financeiro em Londres e depois voltou ao Brasil, onde construiu carreira no setor privado e foi um dos criadores do site Submarino.com.
Randy Barnnet em defesa da Constituição dos EUA
26 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
No fim de semana, o The Wall Street Journal publicou uma boa entrevista com Randy Barnett, professor do curso de Direito da Universidade Georgetown e senior fellow do Cato Institute. Ele fala sobre por que a Constituição Americana deve ser resgatada e defendida e seus princípios, aplicados. Banett cita a reforma do setor de saúde do governo Obama como um dos exemplo de ação insconstitucional por parte da administração federal americana.
Barnett é autor do livro Restoring the Lost Constitution.
Fannie Mae e Freddie Mac à brasileira
26 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
Em seu blog, o economista Adolfo Sachsida mostra como o governo brasileiro está trilhando o caminho errado dos Estados Unidos:
Nossa péssima situação no índice Gini ainda não é o pior
23 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
O Brasil tem o terceiro pior índice Gini da América Latina, com 0,56. Estamos atrás da Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai, segundo relatório sobre distribuição de renda na região produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O estudo mostrou que 10 dos 15 países com maior índice de desigualdade estão na América Latina e no Caribe. Uma das conclusões do estudo: "A alta e persistente desigualdade constitui um obstáculo para o avanço social da região. Ela freia o desenvolvimento humano".
O perigo do uso da palavra desigualdade social é que o termo foi transformado em sinônimo de capitalistas maus contra pobres bonzinhos. Um estudo como esse, com informações importantes, acaba sendo utilizado como instrumento de propaganda ideológica contra essa hidra portadora de todos os males do universo: o neoliberalismo. É sempre bom lembrar que neoliberalismo não é uma versão moderna do liberalismo.
O Brasil tem vários problemas e o primeiro deles é responsabilidade. Enquanto a política continuar atraindo o que de pior existe na sociedade não haverá as reformas necessárias ao desenvolvimento político e econômico. Não se constrói país, como se costuma acreditar, criando leis. Não se muda comportamentos, hábitos, em resumo, uma cultura, por legislação, que deve emergir dos costumes e não nascer para criá-los. Disso decorre essa constatação nefasta, convertida em piada, de que há leis que pegam e outras não pegam no Brasil.
Outra confusão obsessiva é o mito de que a desigualdade social se resolve distribuindo renda. A desigualdade social se resolve com a ampla produção de riqueza. Isso significa mais mercado, mais investimentos, mais trabalho, mais empregos. Significa que o pipoqueiro poderá comprar mais um carrinho e gerar um posto de trabalho para aquele sujeito que estava desempregado. Significa que o dono da loja poderá contratar mais uma funcionária, que poderá comprar uma TV de LCD vendida por um funcionário que vai aumentar o valor da sua comissão mensal. Significa que o dono da lan house na periferia poderá comprar mais computadores e permitir que mais gente tenha acesso à internet e consiga um emprego depois de enviar seu currículo por e-mail. O mercado somos nós, não apenas uma dúzia de banqueiros ou de megaempresas. Mas para esse mercado funcionar e gerar riqueza é preciso haver um ambiente de negócios estimulante, com mínima burocracia, baixos impostos, enfim, sem todos os entraves criados pelo Estado.
O PT que amava o Foro de S. Paulo que amava as FARC que amava um terrorismo...
21 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
A relação entre as FARC, o Foro de São Paulo e o PT ganham nova dimensão a partir das declarações de Índio da Costa, candidato a vice-presidente de José Serra.
É preciso sempre lembrar que, durante anos, Olavo de Carvalho assumiu a solitária e combatida responsabilidade de denunciar os vínculos e as consequências dessa relação. É bom ver que esse relacionamento começa a ser exposto com o devido barulho, mas só o reconhecimento não basta para:
1- saber o tamanho do poder do Foro de S. Paulo e a influência do PT;
2- saber de que forma as FARC ainda continuam participando dos trabalhos do Foro, mas agora às escondidas;
3- conter o avanço do Foro de S. Paulo e desmontar aquilo que se construiu na América Latina.
Em texto publicado ontem, o colunista da Folha de S. Paulo, Clóvis Rossi, desenvolve o célebre argumento "uma coisa é uma coisa, mas não é bem assim". No artigo PT, FARC, meia verdade e ambiguidade, primeiro diz que a relação do Foro e do PT com as FARC é comprovada por documentos para em seguida dizer que o afastamento do grupo terrorista pelo Foro também é comprovada por documento. O perspicaz jornalista não cogita em nenhum momento que o documento pode ter sido elaborado com a concordância das FARC para esconder publicamente a relação e assim não macular a imagem do Foro e de todas as entidades que o integram. Afinal, as FARC sempre foram um grupo terrorista. Se foram aceitos como parceiros de primeira hora significa que os demais não viam problema nisso.
Ninguém teve a coragem de propor a expulsão das Farc, por, como elas próprias dizem, ser "uma organização alçada em armas".
É essa ambiguidade que o PT tem agora a obrigação de esclarecer de uma boa vez. As Farc são ou não um companheiro de viagem aceitável?
O governo brasileiro, do PT, já fez seu esclarecimento quando disse não qualificar as FARC como um grupo terrorista. Será preciso desenhar?
Saneamento básico melhora a vida econômica da população
20 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
A pesquisa Benefícios econômicos da expansão do saneamento básico, realizada em parceria pelo Instituto Trata Brasil e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostrou que o trabalhador deixa de perder 13.3% (e não ganhar, como diz a reportagem) em produtividade e renda por ter acesso à rede de esgoto e não mais precisar se ausentar das atividades profissionais por problemas gastrointestinais provocados pela falta de saneamento.
Os dados são impressionantes:
1- Anualmente, 217 mil trabalhadores foram obrigados a se afastar de suas funções por problemas gastrointestinais;
2- Cada afastamento implica na perda de 17 horas de trabalho, em média.
3- Os custos dos afastamentos provocados apenas pela falta de saneamento básico somam quase R$ 240 milhões por ano em horas pagas e não trabalhadas.
Escrever um post no ano de 2010 sobre problemas decorrentes da falta de saneamento básico (como poderia ser sobre dengue ou doença de Chagas) deixa-me desolado pelo país que não construímos.
Vinculação com o governo não define voto
19 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
O economista especializado em contas públicas Raul Velloso calcula que cerca de cem milhões de pessoas, mais da metade da população brasileira, dependem diretamente de recursos oriundos da arrecadação de tributos. A remuneração advém de salários dos servidores, aposentados e pensionistas, seguro-desemprego, Bolsa Família entre outros. Para Velloso a dependência direta com o governo confere ao governante de turno um enorme poder de influenciar o voto a favor para seu sucessor. Um cientista político e o presidente do Sindicato dos Aposentados discordam. A transferência de voto não é determinada pelo vínculo direto com o governo e que o apoio maior ou menor também depende do nível de educação dessa faixa da população.
O fenômeno é mais complexo. Da mesma forma que não se pode afirmar que essa vinculação ao governo determina o voto não se pode dizer que o nível educacional e econômico determina a escolha do candidato. É sempre bom lembrar que partidos de esquerda como o PSOL conseguem atrair um grande número de eleitores na zona Sul do Rio de Janeiro. Marina Silva certamente conquistará votos de muitos brasileiros com formação educacional e renda mais alta pelo discurso ambientalista politicamente correto.
É possível verificar, porém, uma certa tendência se feito um recorte mais reduzido dentro de determinados grupos: dos servidores da ativa, dos inativos, dos aposentados, dos pensionistas e assim por diante. Talvez assim haja possibilidade de se obter uma amostra menos sujeita a erros.
Vale lembrar que, segundo o novo livro do cientista político Alberto Carlos de Almeida, Com o dedo na ferida, a maioria dos brasileiros, incluindo aqueles beneficiados com o Bolsa Família, são contra o aumento de impostos para aumentar os subsídios estatais.
Governo argentino, casamento gay e o modelo legal da instituição
16 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
Na Folha de hoje:
Religiões se unem contra casamento gay
Setores católicos, judeus, muçulmanos e evangélicos articulam campanha contra projeto de lei na Argentina
Após aprovação pelo Senado na madrugada de ontem, texto vai para a sanção da presidente Cristina Kirchner
GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
A aprovação do casamento gay pelo Senado argentino foi comemorada pelo governo da presidente, Cristina Kirchner, e gerou protestos de grupos religiosos do país.
O texto que propunha o casamento e a adoção de crianças por casais homossexuais recebeu 33 votos a favor e 27 contra após um debate que se estendeu por mais de 13 horas. Como já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados, a lei só depende agora da sanção presidencial para entrar em vigor.
A rejeição ao projeto produziu uma rara união entre setores da Igreja Católica, muçulmanos, judeus e evangélicos, que articularam uma campanha pela manutenção do casamento apenas entre um homem e uma mulher.
Duas observações:
1- Parece-me que a presidente Cristina Kirchner pretendeu dividir a oposição política ao defender um tema fracturante. Assim, podia colocar o governo numa posição de ataque e deixar a oposição esfolar-se em praça pública, o que também permitiria à Kirchner assumir o controle, mesmo temporário, da situação. A matéria da Folha, porém, mostra uma consequência imprevista: a reação negativa da sociedade. Cristina conseguiu colocar todas as religiões contra seu governo. Não que isso pareça incomodá-la.
2- O melhor texto que li sobre o tema do casamento gay foi escrito pelo André Azevedo Alves, professor da Universidade de Aveiro (Portugal) e colunista do OrdemLivre.org. No texto, André questiona os fundamentos do atual modelo de tipificação e intervenção do estado sobre o casamento. Leitura imperdível: Casamento: entre o estado e a Liberdade.
Os custos reais e as consequências da reforma do setor de saúde nos EUA
14 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
O Cato Institute lançou um bom guia para entender as consequências da reforma do setor de saúde nos EUA. Escrito por Michael Tanner, senior fellow do instituto, Bad Medicine: A Guide to the Real Costs and Consequences of the New Health Care Law pode ser comprado pelo site ou baixado integralmente.
Blog Marginal Revolution bate o de Paul Krugman
14 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
O Marginal Revolution é o blog de economia mais citado da internet num levantamento feito pelo site The Palgrave Econolog. A lista mostra os 50 blogs de economia mais linkados por outros blogs.
O Marginal Revolution, escrito por Tyler Cowen e Alex Tabarrok, ficou à frente do blog do Nobel de Economia Paul Krugman, hospedado no site do New York Times.
Por que o governo Lula quer uma nova estatal?
13 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
No site de O Globo:
Vem aí a 'Segurobrás': a 12ª estatal de Lula é para garantir grandes obras
Geralda Doca e Danielle Nogueira, com Gustavo Paul
BRASÍLIA e RIO - Pressionado pelo calendário eleitoral, o governo está decidido a criar uma nova estatal do ramo de seguros - a Empresa Brasileira de Seguros S.A. (EBS) - via medida provisória (MP). O assunto vinha sendo discutido há pelo menos um ano, e a expectativa é que a MP seja assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas semanas, provocando críticas do setor privado, que já prepara uma proposta alternativa. Se aprovada, será a 12ª empresa pública que nasce no atual governo. Em 2002, eram 108 estatais, e agora o número passará a 120.
Será permitida à EBS realizar "operações de seguros em quaisquer modalidades, sobretudo comércio exterior (operações com prazo superior a dois anos), projetos de infraestrutura e de grande vulto, que terão fundos garantidores específicos, também criados pela MP".
A justificativa do governo para a criação da estatal é a incapacidade do setor privado de seguros de garantir as grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), alegação desmentida por Jorge Hilário Gouvêa Vieira, presidente da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg).
Suponhamos que o governo esteja certo e o setor privado realmente não consiga atender as necessidades do governo federal. Devemos, então, saber o motivo da alegada incapacidade. São restrições impostas pelo próprio Estado? Ou falta mesmo dinheiro para suportar operações de grande porte? O presidente da CNSeg diz que não: o segmento tem dinheiro e no Brasil estão instaladas as 10 maiores resseguradoras do mundo (empresas que dão garantia às seguradoras).
Suponhamos, por outro lado, que o governo esteja, digamos, faltando com a verdade e o que se quer é ter o controle não só das obras do PAC, mas da garantia financeira mediante o controle das seguradoras. Por qual razão quer um governo ter o controle de partes importantes do processo? Dinheiro e poder político. E por que a medida provisória que cria a nova estatal permite que a EBS vire uma empresa de economia mista? Para agregar nessa mistura empresas "amigas", que obtém privilégios em detrimento de todo um segmento que opera sob o risco e sem garantias. Só concede privilégios e distribui o dinheiro quem tem poder e recursos para tal.
"A fraude e a farsa" dos doutores no Brasil
12 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
O professor do Departamento de Biologia Celular da UnB, Marcelo Hermes, concedeu interessante entrevista ao site da Associação de Docentes da Universidade de Brasília.
O professor critica severamente o grande crescimento da pós-graduação no país. Fala principalmente sobre o doutorado. Segundo pesquisa do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), houve crescimento de 278% no número de doutores titulados no Brasil entre 1996 e 2008. Um trecho:
O país está andando para trás com esse crescimento exagerado da pós. Primeiro porque os professores têm uma capacidade finita de orientar. Antigamente, cada professor orientava cinco, hoje está orientando dez alunos. E isso causa uma queda da qualidade. Obviamente, você não consegue dedicar suficiente tempo para orientar esses alunos. Para formar doutores é preciso um trabalho artesanal. Eles têm que ser treinados, pois podem se transformar em orientadores no futuro. Além disso, nem todos têm capacidade de ser orientadores. Tem muita gente que não tem a formação técnica e a capacidade de orientar. E nem todo mundo tem a qualificação necessária para ser orientador de doutorado. E com esse crescimento exagerado, a pós está pegando vários professores que não têm a menor capacidade de orientar, mesmo que não queiram, porque vão pegar uns pontos a mais, vão ter uma promoção. Outro problema é a existência de alunos que não deveriam estar fazendo doutorado, porque não tem capacidade para isso.
Há três planos de crítica:
1) antigos e poucos doutores qualificados que não conseguem atender a quantidade de candidatos a doutores;
Há uma afirmação de que os antigos doutores, o grupo do qual o professor Hermes faz parte, é qualificado e competente para exercer tal função. A entrevista transmite a impressão de que o elogio corporativo é destinado a todos os seus colegas de todas as áreas e de todas as universidades públicas, assim como a crítica à baixa qualidade dos novos doutores parece ser geral e irrestrita. A entrevista não esclarece tais pontos. Desperta uma certa curiosidade, porém, que um professor que critique a baixa qualidade dos novos doutores, sendo ele mesmo um dos antigos doutores, seja pouco rigoroso em suas respostas. Mas há sempre a justificativa da generalização necessária a uma entrevista ou acusar o autor da entrevista de tal falta de rigor na reprodução das respostas efetivamente dadas.
Só podemos saber se os antigos doutores qualificados de que fala o professor Hermes se houver alguma pesquisa que o indique, como o estudo produzido pelo próprio Hermes em sua área (Ciências Biomédicas) a mostrar a opinião de seus pares sobre a baixa qualidade dos novos colegas. Estes, segundo o estudo, seriam incapazes de:
propor um projeto de pesquisa, de executar esse projeto de pesquisa, de montar uma equipe, de buscar verba para isso, de publicar em periódicos internacionais, de ser avaliador de outros artigos, de dar palestras.E eu e os pesquisadores que entrevistei acreditamos que a maioria que está sendo formada não tem mais essas qualificações.
2) novos doutores incapazes de exercer a função, mas que são contratados pela necessidade da universidade de ter professores com tal título no quadro de funcionários;
Essa necessidade de contratação advém das regras estabelececidas pela Capes, um órgão estatal. Bastaria impedir tal intervenção e, portanto, alterar a informação transmitida ao mercado para que a situação melhorasse?
3) alunos de doutorado incapazes de serem alunos.
O professor Hermes faz o elogio da universidade pública em detrimento das universidades privadas. "Eu diria que 90% da produção de doutores vêm das faculdades públicas. E diria ainda que 90% dos que vêm das particulares são fracos".
Se 90% dos doutores são oriundos de faculdades públicas e a maioria de TODOS os alunos, segundo o professor, são incapazes até mesmo de serem alunos significa que a qualidade do ensino público não é tão boa. Mas ele pode argumentar que a qualidade está sendo piorada justamente pela grande quantidade de novos doutorandos. Assim, alunos da universidade pública e alunos das universidades privadas são, ambos, igualados em suas incapacidades. Em todos os cursos? Em todas as universidades do país? Não nos é informado.
Há críticas pontuais do professor que devem ser levadas a sério. Se o professor de uma importante universidade estatal, como é a UnB, afirma que a pós-graduação no Brasil é "uma farsa e uma fraude com dinheiro público" sua denúncia não pode cair no esquecimento. Até porque, como professor, Hermes é beneficiado com o recurso da sociedade que é direcionado pelo Estado para sustentar tal fraude e tal farsa.
O professor vai além:
Eu diria hoje, sem problemas, que temos de 30 a 40 mil doutores "Mobral" no Brasil, disputando empregos. Qual o problema para o Brasil? Se imagina o país daqui a quinze anos sem capacidade de fazer ciência de ponta porque toda a geração se aposentou e os atuais não foram formados adequadamente.
Algumas perguntas que me cabem:
1) A ciência produzida no Brasil pelo grupo de pesquisadores que o professor elogia é realmente de ponta?
2) Por que nunca ganhamos um Nobel?
3) A única maneira de resolver o problema, segundo sugerido pelo professor, é limitar o número de pessoas a ter acesso à pós-graduação?
Fidel Castro hoje na TV
12 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
No site do Estadão:
Fidel Castro irá aparecer na televisão nesta segunda
De acordo com o jornal Granma, Fidel participará de um programa sobre atualidades
Não dá para não perder.
Fariñas pouca, do pirão eu abro mão
09 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
O site de O Globo publica hoje uma entrevista com o preso político cubano Guilhermo Fariñas, que encerrou uma greve de fome de 135 dias após o anúncio de que o governo de Cuba iria libertar outros 52 prisioneiros como ele.
Dois trechos da entrevista impressionam pela lucidez. O primeiro:
Eu sonho e luto para que o trânsito de Cuba à democracia seja sem derramamento de sangue.
Três pontos importantes:
1- Fariñas defende uma transição, não um golpe ou outra revolução.
2- Fariñas defende que essa transição conduza à democracia, não a um outro regime ditatorial.
3- Fariñas defende que essa transição rumo à democracia seja realizada de forma pacífica, recusando o uso da violência como instrumento político e as mortes como método de imposição de uma causa.
Fariñas defende uma mudança do sistema político que permita o florescimento da sociedade cubana mediante a instituição de um conjunto de liberdades que sirva como instrumento de melhoria e respeito aos modos de vida da população.
O segundo trecho a ser destacado:
O único medo que tenho é de não estar à altura do que nossa pátria requer.
Fariñas usou a greve de fome, uma violação de seu próprio corpo, de forma a chamar a atenção para a situação dos presos políticos em Cuba. Seu protesto, o único meio que lhe restou, foi um poderoso ato contra a ditadura cubana, que, cercada por pressões de todos os lados, parece abrir uma vereda de possibilidade para mudanças. Não por bondade, mas por interesse e necessidade.
O governo humanitário de Cuba
08 de Julho de 2010 por Bruno Garschagen
A notícia de que o governo de Cuba vai libertar 52 presos políticos deve ser comemorada. Mas com moderação.
Deve-se esperar qualquer coisa dos irmãos Castro. Inclusive, libertar só os presos já mortos ou em vias de.





