22/04/2013

Todos os Posts em Cultura

Corte de gastos: comecemos por onde ninguém está vendo

Ninguém gosta de pagar impostos. Houve um tempo em que a oposição brasileira recorria ao STF para impedir o aumento de impostos. O problema, porém, é que raramente políticos indicam quais serviços públicos seriam cortados. O argumento do aumento da eficiência nos gastos costuma salvá-los de revelar quais serviços reduziriam ou extinguiriam.

Para aqueles poucos que estão verdadeiramente interessados em indicar uma área a ser cortada, o Estado de São Paulo publicou hoje uma boa dica: o governo federal gasta anualmente 900 milhões de reais com a TV Brasil, com a NBR e com assessorias de imprensa.

Os gastos crescentes com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e o uso cada vez mais comum de serviços terceirizados de assessoria de imprensa nos órgãos públicos criaram nos últimos anos uma máquina estatal de informações que emprega mais de 3.600 profissionais e cujos gastos anuais giram em torno de R$ 900 milhões.

(…)

O projeto mais ousado do governo refere-se ao primeiro eixo da estrutura de comunicação estatal: a criação de uma rede pública de informações.

A EBC foi criada há seis anos, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a fusão das antigas Radiobrás e TVE-Brasil – esta com sede no Rio. Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) à época, Franklin Martins dizia que a rede serviria para se contrapor à “grande mídia”.

Nessa meia década, o sinal da TV Brasil, que emprega 479 funcionários, chega a 61% da população, com 7 emissoras próprias e 45 afiliadas. A audiência, porém, é baixa. Em 2012, a preferência pelo canal na Grande São Paulo variou de 0,06 a 0,11 ponto no Ibope.

Mesmo que aceitemos o argumento – feito com ressalvas – de Eugenio Bucci, ex-presidente da Radiobrás e colunista do Estadão, de que a função da televisão pública não é viver da “tirania da audiência”, mas produzir programas educativos, culturais etc., a falta de interessados na programação da TV Brasil deveria soar algum alarme no governo. A não ser que não vejam problema algum em recolher recursos dos bolsos dos contribuintes para produzir programas nos quais esses mesmos contribuintes, comprovadamente, não têm nenhum interesse.

Se oposição precisar justificar a defesa da redução de impostos com o corte de algum serviço, ela poderia começar pela rede de televisão estatal. Os números mostram que quase ninguém perceberia a diferença.

Leia mais...

Posts Recentes

 

Mais capitalismo e menos conversa fiada para o Brasil

Dentre os grandes obstáculos a uma discussão madura e produtiva acerca dos rumos de uma nação, premissas equivocadas têm papel de destaque. Quando o equívoco envolve conceitos-chave de Economia Política, a confusão é garantida e a desinformação tende a imperar. …

O brasileiro é um povo fútil?

No relatório de consumo de países emergentes da Credit Suisse, o Brasil é o país com um consumo “discricionário mais prevalente”, o que é uma forma educada de dizer que gastamos mais dinheiro com futilidades do que outros países emergentes. Entre os …

O igualitarismo economista

Será que o costume de tratar os indivíduos em seus modelos teóricos como sendo fundamentalmente iguais pode fazer dos economistas uma classe mais inclinada ao liberalismo civil, de ideias mais cosmopolitas? Essa é a proposição de Tyler Cowen na sua coluna …

Por que a América Latina não decola: alguma explicação plausível?

No sentido lato, a América Latina existe desde aproximadamente cinco séculos; desde o descobrimento, para ser exato. No sentido estrito, trata-se de um conceito político que se firmou desde meados do século 19, aproximadamente. Em qualquer sentido que se pense, …

image

A Lei da Demanda

A lei da demanda é um princípio simples, mas com consequências profundas e um poder explanatório inacreditável. Ela é tão simples que pode ser explicada em um haiku: Se tudo mais é constante A quantidade demandada cai Quando os preços …

open-book-on-top-of-pile-of-books

Gramática política

O filósofo da linguagem Ludwig Wittgenstein (1889-1951) definiu: “Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo”. Não são apenas palavras, e sim conceitos: Com pouco vocabulário conceitual, pouco se pode conhecer do mundo. Para uma correta apreciação …

Flush-Poker-Hand

O mercado livre e o poker

A maior expressão do mercado da civilização recente, a Bolsa de Valores, encontra paralelos curiosos ao jogo de poker. Tanto no que se assemelham quanto no que são distintos, os conceitos e preconceitos que temos com o mercado podem ser …

Children-watching-televis-007

Propaganda infantil

Há em curso uma crescente tentativa de regular mais ou até mesmo proibir a propaganda voltada ao público infantil. Parte desta luta pode ser atribuída aos interesses perversos de forças estatizantes que adorariam ver os canais de televisão cada vez …

Educação online: revolução ou avanço marginal?

Professores de economia da Universidade George Mason e autores do blog Marginal Revolution, Alex Tabarrok e Tyler Cowen anunciaram no início do mês passado que ofereceriam de graça na internet aquilo que seus empregadores os pagam para que façam em sala de …