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	<title>Ordem Livre &#187; Cultura</title>
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		<title>Corte de gastos: comecemos por onde ninguém está vendo</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Apr 2013 21:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magno Karl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ninguém gosta de pagar impostos. Houve um tempo em que a oposição brasileira recorria ao STF para impedir o aumento de impostos. O problema, porém, é que raramente políticos indicam quais serviços públicos seriam cortados. O argumento do aumento da ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" alt="" src="http://radioflyer1980.files.wordpress.com/2009/06/static-tv.jpg" width="210" height="180" /></p>
<p>Ninguém gosta de pagar impostos. Houve um tempo em que <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,oposicao-vai-ao-stf-contra-aumento-de-impostos,105146,0.htm">a oposição brasileira recorria ao STF para impedir o aumento de impostos</a>. O problema, porém, é que raramente políticos indicam quais serviços públicos seriam cortados. O argumento do <i>aumento da eficiência nos gastos </i>costuma salvá-los de revelar quais serviços reduziriam ou extinguiriam.</p>
<p>Para aqueles poucos que estão verdadeiramente interessados em indicar uma área a ser cortada, o <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,oposicao-vai-ao-stf-contra-aumento-de-impostos,105146,0.htm" target="_blank">Estado de São Paulo publicou hoje uma boa dica</a>: o governo federal gasta anualmente 900 milhões de reais com a TV Brasil, com a NBR e com assessorias de imprensa.</p>
<blockquote><p>Os gastos crescentes com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e o uso cada vez mais comum de serviços terceirizados de assessoria de imprensa nos órgãos públicos criaram nos últimos anos uma máquina estatal de informações que emprega mais de 3.600 profissionais e cujos gastos anuais giram em torno de R$ 900 milhões.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>O projeto mais ousado do governo refere-se ao primeiro eixo da estrutura de comunicação estatal: a criação de uma rede pública de informações.</p>
<p>A EBC foi criada há seis anos, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a fusão das antigas Radiobrás e TVE-Brasil &#8211; esta com sede no Rio. Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) à época, Franklin Martins dizia que a rede serviria para se contrapor à &#8220;grande mídia&#8221;.</p>
<p>Nessa meia década, o sinal da TV Brasil, que emprega 479 funcionários, chega a 61% da população, com 7 emissoras próprias e 45 afiliadas. A audiência, porém, é baixa. Em 2012, a preferência pelo canal na Grande São Paulo variou de 0,06 a 0,11 ponto no Ibope.</p></blockquote>
<p>Mesmo que aceitemos o argumento – feito com ressalvas – de Eugenio Bucci, ex-presidente da Radiobrás e colunista do Estadão, de que a função da televisão pública não é viver da “tirania da audiência”, mas produzir programas educativos, culturais etc., a falta de interessados na programação da TV Brasil deveria soar algum alarme no governo. A não ser que não vejam problema algum em recolher recursos dos bolsos dos contribuintes para produzir programas nos quais esses mesmos contribuintes, comprovadamente, não têm nenhum interesse.</p>
<p>Se oposição precisar justificar a defesa da redução de impostos com o corte de algum serviço, ela poderia começar pela rede de televisão estatal. Os números mostram que quase ninguém perceberia a diferença.</p>
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		<title>Mais capitalismo e menos conversa fiada para o Brasil</title>
		<link>http://www.ordemlivre.org/2013/04/mais-capitalismo-e-menos-conversa-fiada-para-o-brasil-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Apr 2013 08:08:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Ostermann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Filosofia Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Dentre os grandes obstáculos a uma discussão madura e produtiva acerca dos rumos de uma nação, premissas equivocadas têm papel de destaque. Quando o equívoco envolve conceitos-chave de Economia Política, a confusão é garantida e a desinformação tende a imperar. ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dentre os grandes obstáculos a uma discussão madura e produtiva acerca dos rumos de uma nação, premissas equivocadas têm papel de destaque. Quando o equívoco envolve conceitos-chave de Economia Política, a confusão é garantida e a desinformação tende a imperar.</p>
<p>Típico exemplo disso é o termo Capitalismo, especialmente estigmatizado e mal compreendido. A expressão foi cunhada por um de seus mais notórios detratores (Karl Marx) para designar o sistema econômico baseado no acúmulo de capital. Apesar de seu sentido claramente pejorativo, o palavrão de Marx pegou.</p>
<p>No Brasil e em boa parte do mundo, a imagem daquilo que se supõe ser o sistema capitalista não é das melhores. A despeito da tragédia absoluta das experiências socialistas mundo afora, ainda vaga de nariz empinado a ideia de que mesmo o socialismo seria melhor do que “isso tudo que está aí”. Da miséria na África à corrupção em Brasília, o Capitalismo leva boa parte da culpa pelos problemas encontrados em diversas situações mundo afora. Aos seus detratores pode ser cômodo criar um espantalho e chamar-lhe de Capitalismo. Mas será correto afirmar que o Capitalismo “não deu certo” no Brasil e em outras localidades que não alcançaram níveis de prosperidade comparados aos dos países desenvolvidos?</p>
<p>Pra início de conversa, é necessário buscar uma melhor compreensão sobre o que realmente é o Capitalismo. Podemos dizer que se trata de um sistema econômico baseado em três pilares:</p>
<p>• Propriedade Privada de bens e meios de produção, sendo a propriedade sobre o próprio corpo e a sua força de trabalho o bem mais fundamental de todos;</p>
<p>• Liberdade de transacionar sua propriedade, empreender e comerciar; e</p>
<p>• Estado de Direito, onde todos os cidadão estão submetidos a um mesmo conjunto de regras claras, previamente estabelecidas que protejam contratos e direitos individuais.</p>
<p>É claro que a presença destes três pilares compõe a ilustração de um “tipo ideal”, difícil de ser alcançado em sua plenitude – assim como o tipo ideal socialista, na verdade. Nunca existiu em qualquer país um sistema de completo livre mercado, totalmente desprovido de amarras e interferências governamentais nas relações econômicas entre os indivíduos. Da mesma forma, argumentariam os defensores do Socialismo “Científico”, nunca houve uma aplicação estrita das ideias de Marx, ou mesmo, daquilo que Lenin planejava por em prática na URSS.</p>
<p>Apesar da impossibilidade de se comparar a aplicação ideal e perfeita dos dois sistemas, é possível, para fins didáticos, traçar um segmento de reta onde um ponto extremo seria o Capitalismo (com a presença absoluta dos três pilares acima listados) e o outro, o Socialismo (com a ausência absoluta dos mesmos pilares, substituídos pela soberania coletiva sobre o indivíduo, por meio do Estado ou, mais utopicamente, da “comunidade”). Assim, quanto mais próximo do tipo ideal Capitalismo, mais capitalista (e menos socialista) seria o país; quanto mais próximo ao tipo Socialismo, mais socialista (e, por óbvio, menos capitalista).</p>
<p>Para ajudar a entender, na prática, quais países são mais capitalistas e quais são menos, duas instituições norte-americanas (Fraser Institute, do Canadá, e Heritage Foundation, dos Estados Unidos) compilam anualmente dados sobre questões concernentes ao nível de liberdade econômica desfrutada mundo afora e organizam seus respectivos rankings: o Economic Freedom of the World Report (Fraser) e o Index of Economic Freedom (Heritage).</p>
<p>Tanto o ranking da Heritage quanto o do Fraser levam em consideração aspectos centrais na distinção entre Capitalismo e Socialismo, tais como:</p>
<p>• Participação do governo na economia</p>
<p>• Estrutura legal e segurança dos direitos de propriedade</p>
<p>• Controle da moeda e nível de inflação</p>
<p>• Liberdade para comerciar internacionalmente</p>
<p>• Regulação do mercado de trabalho e crédito</p>
<p>Quanto menor o grau de participação do governo na economia; quanto mais a estrutura legal é voltada para a segurança dos direitos de propriedade; quanto menor é o nível de controle sobre o câmbio e quanto maior é a prudência na emissão de moeda; quanto maior é a liberdade de comércio; e quanto mais livre é o mercado de trabalho e o crédito, maior é o nível geral de liberdade econômica nele desfrutada e, logo, mais capitalista ele pode ser considerado.</p>
<p>Os dois rankings, apesar de produzidos por duas instituições independentes e de contarem com algumas diferenças metodológicas, acabam encontrando anualmente resultados bastante semelhantes entre si. Os primeiros colocados nos dois rankings em sua edição 2011 (os países “mais capitalistas”) são Hong Kong (1° nos dois), Cingapura (2° nos dois), Nova Zelândia (4° &#8211; Heritage e 3° &#8211; Fraser) e Suíça (5° e 4°). Na outra ponta encontram-se Coreia do Norte (em último lugar no ranking da Heritage e nem sequer avaliada pelo Fraser), Zimbábue (penúltimo e último) e Cuba (177° em um, e não avaliada pelo outro).</p>
<p>O Brasil encontra-se muito mal colocado nos dois rankings. No da Heritage, estamos na 113ª posição, dentre 179 países analisados, enquanto no relatório produzido pelo Fraser o Brasil situa-se como o 102° país mais livre economicamente, dentre 141 países. Esse dado dá uma dimensão de quão longe estamos dos países mais capitalistas do mundo. Aqui, indivíduos e empresas convivem com uma regulação tributária, laboral e creditícia que desencoraja aqueles que buscam empreender livre e honestamente. Outro resultado óbvio da falta de Capitalismo e de instituições que garantam o livre funcionamento do processo de mercado no país é a transferência de recursos produtivos (que deixam de ser empregados em melhorias nos processos produtivos) para o mercado político.</p>
<p>A histórica estagnação econômica da África e (de boa parte) da América Latina é fruto dessa anacrônica mentalidade anticapitalista que, ao cercear de diversas formas a liberdade de empreender, impede o florescimento de empreendedores que possam criar riquezas de forma sustentável. A revolução econômica pela qual alguns países da Ásia vem passando nas últimas décadas deveria servir de exemplo. Ainda que a região ainda deixe a desejar no que toca a instituições democráticas, a recente melhoria na vida de centenas de milhões de asiáticos é resultado direto da crescente liberalização econômica posta em prática (ainda que de maneira reticente em muitos casos).</p>
<p>A despeito do relativo sucesso da propaganda anticapitalista, o fato é que nenhum país até hoje tornou-se próspero sem adotar consistentemente as instituições que caracterizam e dão guarida ao sistema capitalista. No caso brasileiro, o Capitalismo é um mero conhecido de vista. Já o vimos na rua, na casa de um vizinho, talvez até já tenhamos esbarrado com ele no ônibus. Mas nunca realmente nos interessamos em conhecê-lo melhor, convidá-lo para a nossa casa e apresentá-lo a nossa família. No entanto, precisamos aprender a reconhecê-lo e não aceitarmos que nos vendam gato por lebre. Seguir culpando o gato por que a lebre não consegue pegar o rato não nos conduzirá à prosperidade.</p>
<p><em>* Publicado originalmente em 27/01/2012</em></p>
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		<title>O brasileiro é um povo fútil?</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Apr 2013 19:16:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diogo Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No relatório de consumo de países emergentes da Credit Suisse, o Brasil é o país com um consumo “discricionário mais prevalente”, o que é uma forma educada de dizer que gastamos mais dinheiro com futilidades do que outros países emergentes. Entre os ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" alt="" src="http://www.cassetteblog.com/wp-content/uploads/2012/12/funk_ostentacao.jpg" width="279" height="171" /></p>
<p>No <a href="https://www.credit-suisse.com/news/doc/media_releases/consumer_survey_0701_small.pdf">relatório de consumo de países emergentes</a> da Credit Suisse, o Brasil é o país com um consumo “discricionário mais prevalente”, o que é uma forma educada de dizer que gastamos mais dinheiro com futilidades do que outros países emergentes. Entre os brasileiros com uma renda de até U$1.000 (PPP), 62% dos participantes disseram que pretendem comprar roupa ou tênis *de marca* nos próximos 12 meses. A proporção sobre para 74% entre os que ganham mais de U$2.000, mais do que nos demais países emergentes do relatório. Lembrando que, mesmo em paridade de poder de compra, *roupa de marca* é mais cara aqui que em outros países emergentes.</p>
<p>Não sei dizer se somos mais fúteis. Se somos, não saberia explicar como ficamos assim, mas, a la Rousseau, vou propor uma hipótese de economia política para justificar parte da suposta futilidade nacional.</p>
<p>Todo consumo humano tem um significado que vai além da sua prometida utilidade prática. Quando compramos um sapato, estamos comprando um calçado mas também um símbolo de distinção para com outras pessoas. Thorstein Veblen fala sobre esse consumo distintivo em <em><a href="http://www.amazon.com/Theory-Leisure-Class-Thrift-Editions/dp/0486280624/ref=sr_1_1?ie=UTF8">The Theory of the Leisure Class</a></em>: “O elemento da distinção e o elemento da eficiência bruta não são separáveis na apreciação de mercadorias feitas pelo consumidor”. Em termos secos e econômicos, pagamos o preço da sinalização do nosso status social. Parte do que uma logomarca faz é comunicar tacitamente o status social do dono.</p>
<p>Mesmo antes de haver Farragamo e Prada, a incrementação supérflua sempre serviu de sinalização do produto. Quanto mais essa incrementação ultrapassa o necessário para que o produto possa ser funcional, maior seu status. Vá em qualquer museu histórico e repare como que de utensílios a estruturas, qualquer objeto tem formas e detalhes que vão além da sua função primária. Ou pense nos relógios que são fabricados com mais técnica e detalhes do que um indivíduo precisa para saber as horas a qualquer momento. Antes da revolução industrial, a incrementação de um produto exigia alto grau de tempo e esforço.</p>
<p>Tudo mudou com o progresso capitalista dos últimos 200 anos. Desde a revolução industrial, são as máquinas, não os seres humanos, que conseguem realizar maior incrementação e precisão técnica. Nos países em que os pobres têm amplo acesso ao capitalismo, a produção em massa populariza a incrementação industrial, desmanchando sua propriedade sinalizadora.</p>
<p>Na margem, essa popularização da produção industrial separa do preço a incrementação e a precisão técnica. A produção de um relógio incrementado e tecnicamente preciso fica mais barata que um relógio produzido de modo mais artesanal. Ter um smartphone ou um tênis Nike não serve para sinalizar status nas ruas de Londres ou nos cafés de Paris.</p>
<p>Nesses cenários, produtos menos industriais e mais artesanais ganham em valor de sinalização. Dedicar tempo de trabalho pessoal para a criação de um bem que pode ser produzido industrialmente parece um desperdício. Mas é um desperdício de trabalho que substitui o desperdício da incrementação. De maneira que, diz Veblen, até as “imperfeições e irregularidades nas linhas do artigo artesanal” ganham valor de status.</p>
<p>O Brasil não está dentro do mesmo capitalismo global. Nossos produtos industrializados continuam sendo bastante caros. Por um lado, porque tributamos a industrialização – você é penalizado se quiser aumentar sua produtividade empregando máquinas. Por outro lado, sufocamos a importação com barreiras de exclusão comercial e com uma burocracia indecifrável.</p>
<p>Enquanto a diminuição dos custos da incrementação industrial diminui radicalmente seu valor sinalizador lá fora, aqui dentro ela continua sendo custosa. O que não é sinal de distinção em outros países passa a ser sinal de distinção dentro do Brasil.</p>
<p>Acabamos sendo um país que gasta mais com futilidades não porque os brasileiros são necessariamente tão mais fúteis, mas em parte porque nosso consumo de status se dá por meio de futilidades industrializadas, principalmente pela juventude.</p>
<p>O adolescente gringo sinaliza status andando de tênis de lona; o adolescente brasileiro sinaliza status andando de tênis cheio de amortecedores. O gringo sinaliza status bebendo um café artesanal; o brasileiro, comendo um sanduíche industrial. O gringo usa uma camisa de tricot; o brasileiro usa uma polo de marca. O gringo sinaliza status andando de bicicleta; o brasileiro, andando de carro com adesivos e aerofólios. O gringo sinaliza status saindo à noite para ver uma apresentação musical independente; o brasileiro, saindo para ouvir música industrial com um DJ. O gringo planeja passar as férias em Costa Rica ou na Indonésia; o brasileiro planeja pasar férias em Las Vegas ou na Disney.</p>
<p>Um alemão hipster continua sinalizando tanto status quanto um brasileiro playboy. Nos dois casos, o desperdício funcional continua a ser sinal de status, mas em Berlim se desperdiça menos na incrementação industrial, e mais na mão de obra: consumo ambientalista, localista, zen, fair trade etc são todas formas de sinalizar status com desperdício funcional.</p>
<p>O paradoxal é que quanto menos se tem acesso ao capitalismo, maior o valor de status dos bens capitalistas. No brasil, esse encarecimento político afeta de modo desproporcional pobres e ricos, porque os pobres são excluídos do capitalismo a que o rico tem acesso. Quando o capital é escasso, futilidade é desperdiçar capital. Quando a mão de obra é escassa, futilidade é desperdiçar mão de obra.</p>
<p>A vantagem é que o hipster vai rir da sua própria hipsterice com mais facilidade que o playboy brasileiro consegue rir de si mesmo. Vide Portlandia:</p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/36293215" height="300" width="400" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p><em>* Publicado originalmente no <a href="http://www.capitalismoparaospobres.com/?p=640" target="_blank">Capitalismo Para Os Pobres</a></em></p>
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		<title>O igualitarismo economista</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Mar 2013 14:30:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magno Karl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Será que o costume de tratar os indivíduos em seus modelos teóricos como sendo fundamentalmente iguais pode fazer dos economistas uma classe mais inclinada ao liberalismo civil, de ideias mais cosmopolitas? Essa é a proposição de Tyler Cowen na sua coluna ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" alt="" src="http://www.etftrends.com/wp-content/uploads/2010/10/110660-glowing-green-neon-icon-alphanumeric-equal-sign.png" width="215" height="215" /></p>
<p>Será que o costume de tratar os indivíduos em seus modelos teóricos como sendo <i>fundamentalmente </i><i>iguais </i>pode fazer dos economistas uma classe mais inclinada ao liberalismo civil, de ideias mais cosmopolitas?</p>
<p>Essa é a proposição de Tyler Cowen na <a href="http://www.nytimes.com/2013/03/17/business/the-egalitarian-tradition-of-economics.html?_r=3&amp;" target="_blank">sua coluna publicada no New York Times</a> no último sábado. Cowen chama atenção para o “liberalismo civil” [<i>civil libertarianism</i>] dos economistas, profissionais que são muitas vezes associados a outros valores menos apreciados socialmente, como o egoísmo e a ganância.</p>
<p>O argumento de Cowen se baseia na abordagem dos economistas em relação aos indivíduos em seus modelos teóricos e na vida real – seja defendendo ideias ou formulando legislações.</p>
<p>Se os economistas tratam indivíduos como seres fundamentalmente iguais em suas formulações teóricas, seria estranho se esses mesmos economistas defendessem que a legislação deve tratar indivíduos diferentemente, diz Cowen.</p>
<p>E os economistas parecem tender em direção a esse princípio também quando se aventuram na política parlamentar.</p>
<blockquote><p>(…) The crucial implication is this: If you treat all individuals as fundamentally the same in your theoretical constructs, it would be odd to insist that the law should suddenly start treating them differently.</p>
<p itemprop="articleBody">At least since the 19th century, the interest of economists in personal liberty can be easily documented. In 1829, all 15 economists who held seats in the British Parliament voted to allow Roman Catholics as members. In 1858, the 13 economists in Parliament voted unanimously to extend full civil rights to Jews. (While both measures were approved, they were controversial among many non-economist members.) For many years leading up to the various abolitions of slavery, economists were generally critics of slavery and advocates of people’s natural equality, as documented by David M. Levy, professor of economics at George Mason University, and Sandra J. Peart, dean of the Jepson School of Leadership Studies at the University of Richmond, in <a title="The book’s listing on Amazon.com." href="http://www.amazon.com/Vanity-Philosopher-Hierarchy-Post-Classical-Economics/dp/0472114964">“The ‘Vanity of the Philosopher’: From Equality to Hierarchy in Post-Classical Economics.”</a></p>
</blockquote>
<p>Lendo a coluna, lembrei-me do relato feito por Voltaire sobre o mercado financeiro londrino, em suas <i>Cartas Filosóficas</i>.</p>
<p>Ele descreve como a impessoalidade do comércio eliminava reservas pessoais que cada parte poderia ter em relação à outra. O comércio transformava em cooperação, relações entre pessoas de religiões distintas. Relações que encontrariam dificuldades de se desenvolver em qualquer outro contexto.</p>
<blockquote><p>“Vá ao mercado de ações de Londres (&#8230;) e você verá representantes de todas as nações reunidos a serviço da humanidade. Lá, os judeus, os muçulmanos e os cristãos fazem negócios entre si como se pertencessem à mesma religião e só chamam de infiéis aqueles que vão à falência.”</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>*******</p>
<p>Em um <a href="http://marginalrevolution.com/marginalrevolution/2013/03/the-cosmopolitan-and-philosophical-core-of-economics.html" target="_blank">post publicado hoje</a> em seu blog, o <a href="http://marginalrevolution.com/" target="_blank">Marginal Revolution</a>, Cowen comenta a sua coluna e expande um pouco mais as questões nele tratadas.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Por que a América Latina não decola: alguma explicação plausível?</title>
		<link>http://www.ordemlivre.org/2013/03/por-que-a-america-latina-nao-decola-alguma-explicacao-plausivel-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Mar 2013 15:02:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Roberto de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No sentido lato, a América Latina existe desde aproximadamente cinco séculos; desde o descobrimento, para ser exato. No sentido estrito, trata-se de um conceito político que se firmou desde meados do século 19, aproximadamente. Em qualquer sentido que se pense, ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No sentido lato, a América Latina existe desde aproximadamente cinco séculos; desde o descobrimento, para ser exato. No sentido estrito, trata-se de um conceito político que se firmou desde meados do século 19, aproximadamente. Em qualquer sentido que se pense, a América Latina é um continente dotado de imensos recursos naturais e uma grande população dividida entre descendentes dos ibéricos colonizadores, remanescentes dos povos autóctones (que em determinados países compõem a maioria dos habitantes), proporções variadas de descendentes dos antigos escravos negros e contingentes igualmente variados de imigrantes de todas as partes, com destaque para europeus, levantinos e asiáticos. Esse tipo de mistura também existe na América do Norte, com a diferença (essencial) que os colonizadores foram, em sua maioria, famílias inglesas e da Europa ocidental, do mundo anglo-saxão.</p>
<p>O traço que mais distingue a América Latina é a persistência da pobreza e da desigualdade, mesmo se o fenômeno não é exatamente residual, e sim um elemento estrutural de sua formação e &#8220;desenvolvimento&#8221;. Sim, o continente se desenvolveu, a despeito de comparações desfavoráveis não apenas com a América do Norte, mas também com o continente asiático, região que até um período ainda recente parecia concentrar toda a miséria da humanidade. De continente promissor em termos de <em>catch-up</em>, ou seja, possibilidade de alcançar os países desenvolvidos, numa fase em que a Ásia era sinônimo de pobreza extrema, a região estagnou em várias áreas de interesse social, recuou sob outros critérios – nas conjunturas de hiperinflação, por exemplo – ou foi simplesmente superada pelos países asiáticos em diversas frentes do processo de desenvolvimento: perdeu espaço no comércio internacional e na atração de investimentos estrangeiros, com a agravante de ter mantido a baixa educação, as tentações populistas no terreno político e uma tendência recorrente a experimentar os mesmos equívocos econômicos do passado, numa repetição incompreensível de um <em>déjà vu</em> cinematográfico (do tipo: “já vimos esse filme, sabemos como vai acabar”).</p>
<p>Para sermos mais precisos, nem toda a América Latina repassou o velho filme do populismo, do descontrole econômico e da persistência no atraso. Alguns países fizeram progressos no caminho do desenvolvimento, entre eles o Chile; mas o seu caminho foi longo, especialmente trágico durante treze anos, com a repressão brutal do começo, seguida de um lento processo de recuperação e de construção de um consenso econômico que se tem mantido desde o retorno da democracia (sem mais populismos na política econômica). O Chile foi o país que mais cresceu nos anos 1990 e durante boa parte da primeira década do século 21 e se prepara para ingressar na OCDE em prazo relativamente curto, sendo o primeiro país da América Latina a fazê-lo, depois que o México foi levado ao clube, pelas mãos dos Estados Unidos em 1994 (no mesmo processo que levou à formação do Nafta).</p>
<p>O Brasil também fez progressos sensíveis desde que conseguiu domar a inflação, em meados dos anos 1990, e efetuou ajustes no regime cambial e no controle da inflação no final da década, medidas que foram sustentadas durante quase toda a década seguinte, mesmo na ausência de rigor fiscal e sob intensa demanda do partido hegemônico em favor de &#8220;desenvolvimentismo&#8221; ao velho estilo. Outros países também conseguiram escapar do dragão inflacionário e adotaram a via das políticas econômicas responsáveis, o que não foi o caso de alguns poucos, especialmente os chamados “bolivarianos”. Estes enveredaram por políticas econômicas cujos efeitos são conhecidos dentro e fora da região: mais inflação, penúrias no abastecimento, fuga de capitais, desinvestimento estrangeiro e formação de um mercado cambial paralelo. Mesmo sem ser um país bolivariano, a Argentina conseguiu praticar as mesmas políticas erradas várias vezes, feitas de controles de preços, manipulação cambial, confiscos de fundos financeiros, calote da dívida externa e impostos sobre as exportações. Trata-se de um caso único na história econômica mundial: um processo deliberado de decadência autoinfligida, por obra e graça de seus políticos.</p>
<p>Os críticos das políticas econômicas ditas neoliberais as acusam de serem responsáveis pelos desastres sociais na América Latina, recomendando, em seu lugar, as mesmas políticas aplicadas durante as décadas de desenvolvimentismo renitente, e que levaram a região à situação em que ela se encontra hoje, já descrita ao início deste ensaio. Poucos deles explicam como e porque a aplicação persistente dessas mesmas políticas recomendadas atualmente – <em>encore et toujours</em> – deixou a maior parte dos países no mesmo lugar e por que deveriam voltar a fazê-lo. Eles tampouco têm muito a dizer a respeito do Chile, que mudou radicalmente de políticas e foi praticamente o único a crescer num longo período de baixo crescimento ou de estagnação na região.</p>
<p>A dificuldade – em certos casos a incapacidade – de manter uma taxa de crescimento sustentada em grande parte dos países da América Latina, com transformação estrutural e distribuição social, tem algumas causas bem conhecidas e um diagnóstico geral que não costuma ser feito pelos ‘especialistas’ da região. As causas usualmente identificadas com o atraso histórico têm a ver com a concentração da terra (e a ausência de reforma agrária), os baixos níveis educacionais da população, a especialização primária, com obstáculos institucionais à industrialização, e (fatores menos importante) a carência de capitais e a insuficiência de investimentos estrangeiros (posto que facilmente contornáveis pela inversão de políticas setoriais).</p>
<p>Outras causas têm a ver com a irresponsabilidade fiscal, o exagero na emissão da moeda, o desregramento dos orçamentos, o excesso de despesas governamentais, manipulações do câmbio e da taxa de juros e o uso político de bancos estatais. No plano das políticas setoriais figuram o protecionismo comercial exagerado, a discriminação contra o capital estrangeiro e distorções gerais nas regras do jogo, afetando, em particular, a produção agrícola e industrial (com um terciário largamente informal). Fatores de caráter sistêmico podem ser vinculados ao desrespeito aos contratos e aos direitos de propriedade e, de forma geral, a violação da legalidade constitucional e o desvio constante do que os anglo-saxões chamam de <em>rule of Law</em>.</p>
<p>Com as poucas exceções mencionadas, estes são alguns dos fatores que, em perspectiva histórica e em caráter conjuntural, explicam o atraso persistente e as dificuldades de decolagem dos países da América Latina: combinados eles continuam a reter o continente num patamar de baixo crescimento e de ausência de mudanças estruturais. Alguns poucos países conseguem escapar das armadilhas que a insistência em políticas equivocadas transforma em círculo vicioso; um esclarecimento correto quanto às verdadeiras causas do subdesenvolvimento econômico poderá corrigir as trajetórias dos demais igualmente. Mas é <span class="GRnoSuggestion GRcorrect">preciso</span> <span class="GRnoSuggestion GRcorrect">insistir</span> no diagnóstico <span class="GRnoSuggestion GRcorrect">adequado</span>…</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>* Publicado originalmente <span class="GRcorrect">em</span> 30/08/2010</em></p>
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		<title>A Lei da Demanda</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jan 2013 09:34:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Art Carden</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Últimas Atualizações]]></category>

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		<description><![CDATA[A lei da demanda é um princípio simples, mas com consequências profundas e um poder explanatório inacreditável. Ela é tão simples que pode ser explicada em um haiku: Se tudo mais é constante A quantidade demandada cai Quando os preços ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A lei da demanda é um princípio simples, mas com consequências profundas e um poder explanatório inacreditável. Ela é tão simples que pode ser explicada em um haiku:</p>
<p><em>Se tudo mais é constante</em></p>
<p><em>A quantidade demandada cai</em></p>
<p><em>Quando os preços sobem</em></p>
<p>Quando o preço dos tomates sobe, as pessoas comem menos tomates. Quando o preço dos tomates cai, as pessoas comem mais tomates. E o que vale para o mercado de tomates, também vale para outros mercados. A lei da demanda pode ser aplicada ao mercado de bens como os tomates, ou ao mercado de serviços como o paisagismo ou o reparo de automóveis.</p>
<p>Ela também pode ser aplicada a mais fatores além dos bens e serviços que compramos. Nós podemos pensar em “demanda” para todos os tipos de coisas, como demanda por velocidade ou conforto enquanto dirigimos. Quando fica mais arriscado dirigir em alta velocidade, menos pessoas fazem isso. Quando dirigir em alta velocidade fica mais seguro, mais pessoas fazem isso.</p>
<p>Analise outro fator que recentemente despertou muita controvérsia: a demanda por comunicação conveniente. Com a difusão de telefones celulares (principalmente dos <i>smart phones</i>), a comunicação via email, mensagens de texto, Facebook, Twitter e outros aplicativos nunca esteve tão fácil. O canto da sereia dos emails, da internet e das mensagens de texto pode ser bem poderoso, até mesmo para pessoas que estejam dirigindo.</p>
<p>Vejamos como a lei da demanda nos ajuda a explicar porque as pessoas mandam mensagens enquanto dirigem, e depois falaremos da teoria implícita por trás das leis que proíbem essa prática.</p>
<p>Primeiro, analisemos algo chamado o <a href="http://www.tinyurl.com/dxeqga" target="_blank">Efeito Peltzman</a>, que recebeu esse nome em homenagem ao economista Sam Peltzman, que estudou os hábitos dos motoristas antes e depois da implementação das leis que obrigam o uso do cinto de segurança. O uso obrigatório do cinto de segurança deu mais segurança ao motorista e fez o ato de dirigir ser menos arriscado. Dessa maneira, reduziu o “preço” da direção imprudente.</p>
<p>De fato, Peltzman constatou que os motoristas se arriscavam mais depois que as leis sobre o cinto de segurança foram implementadas. No livro <i>The Armchair Economist</i>, Steven Landsburg resumiu bem as descobertas de Peltzman: houve mais acidentes, mas menos fatalidades. Quem mais sofreu com a mudança foram os pedestres, cujas mortes aumentaram.</p>
<p>Não é necessário que <i>todo mundo </i>responda dessa maneira para que a lei da demanda seja aplicável ou útil. É provável que existam muitas pessoas que não modificaram os seus hábitos ao volante por estarem usando o cinto de segurança, da mesma forma que existem pessoas que não consomem mais cervejas quando o preço delas cai. Mas só porque é um abstêmio que não beberá mais cerveja caso o preço caia, isso não quer dizer ninguém mais irá fazê-lo. Da mesma maneira, é mais provável que alguém mande uma mensagem de texto ou dê uma olhada no Facebook caso essa pessoa esteja dirigindo um carro mais seguro.</p>
<p>As autoridades reconhecem que as pessoas respondem às mudanças dos custos e benefícios de seus atos. A proibição do envio de mensagens de texto ao volante – como a que existe no estado americano do Alabama – são tentativas de aumentar o preço de uma ação imprudente e, dessa maneira, reduzir o número de pessoas que a praticam. Mas ainda precisamos observar como essas proibições irão afetar a segurança em geral, já que os recursos para colocá-la em prática precisarão vir de algum lugar. Os policiais que fiscalizarão o envio de mensagens de texto não estarão solucionando crimes.</p>
<p><b>Ignorando a demanda</b></p>
<p>Às vezes, as políticas governamentais ignoram totalmente a lei da demanda. Pense, por exemplo, no salário mínimo. Quando o governo estabelece um preço mínimo para o trabalho, os empregadores reduzem a quantidade de trabalho que demandariam e procuram alternativas. Alguns deles podem decidir reduzir as contratações. Outros podem cortar as horas trabalhadas (e de acordo com a lei da oferta, com um salário maior, os trabalhadores desejariam trabalhar mais horas), ou então podem simplesmente substituir o trabalho por capital (como os caixas automáticosem supermercados).</p>
<p>Outros efeitos podem ser difíceis de serem vistos e os efeitos do salário mínimo podem não aparecer em uma situação de alto desemprego. As empresas que costumavam oferecer treinamento remunerado podem deixar de fazê-lo. Outras empresas que costumavam oferecer uniformes podem passar a fazer os funcionários pagarem por eles. E assim por diante. Em resposta aos preços mais altos, as empresas reduzem a quantidade de trabalho que demandam.</p>
<p>Os governos também impõem controles sobre os preços de outras coisas, como o aluguel de apartamentos. Após desastres naturais, leis nebulosas contra a “manipulação dos preços” podem ser postas em prática para limitar a capacidade dos comerciantes de aumentar os preços durante situações de emergência. Em períodos assim, as pessoas precisam de mais gelo, lanternas, pilhas, madeira, pão, leite e gasolina &#8212; a qualquer preço. Se os preços puderem subir, as pessoas receberão o sinal de que precisam pensar bem antes de comprar qualquer coisa. Em resposta ao controle dos preços, as empresas não estarão dispostas a fornecer mais gelo, lanternas, pilhas e o resto dos produtos ao mercado. As pessoas ainda pagam mais caro por alguns bens que estão em falta. Eles podem não pagar muito mais em dinheiro, mas acabarão “pagando” ao ficar em longas filas.</p>
<p>A lei da demanda é uma das ideias mais importantes das ciências sociais. É um princípio simples, com uma ampla variedade de aplicações. Ele nos ajuda a compreender os mercados através de bens como os tomates, serviços como os dos encanadores ou dos paisagistas, e mesmo coisas que não são tão “econômicas” assim, como a justiça e os riscos. Ela é também a lei que ignoramos em nosso próprio risco: ao formularem políticas que não levam em conta a lei da demanda, os políticos costumam utilizar “curas” políticas, como as leis de salário mínimo e o controle de preços, acabam sendo piores do que os problemas que desejam solucionar.</p>
<p><em>* Publicado originalmente na revista The Freeman</em></p>
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		<title>Gramática política</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Dec 2012 06:42:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Morgenstern</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Política]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Princípios]]></category>
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		<description><![CDATA[O filósofo da linguagem Ludwig Wittgenstein (1889-1951) definiu: &#8220;Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo”. Não são apenas palavras, e sim conceitos: Com pouco vocabulário conceitual, pouco se pode conhecer do mundo. Para uma correta apreciação ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O filósofo da linguagem Ludwig Wittgenstein (1889-1951) definiu: &#8220;Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo”. Não são apenas palavras, e sim conceitos: Com pouco vocabulário conceitual, pouco se pode conhecer do mundo.</p>
<p>Para uma correta apreciação do fenômeno político, é preciso um vocabulário conceitual vasto, que dê conta de explicar ideias opostas e suas imbricações entre correntes que são radicalmente antagônicas e, muitas vezes, nem por isso deixam de ter pontos de intersecção comuns.</p>
<p>Se na química tem-se uma disciplina específica apenas para nomenclatura de novos compostos e sua categorização, é nas <i>soft sciences</i>, como a ciência política, há pasto e circunstância para tudo ser amacetado e retrabalhado conforme a visão do próprio observador.</p>
<p>Se um químico não toma o partido de um sulfureto de chumbo perante um cloreto estanoso diidratado, na ciência política um observador nunca pode se considerar imparcial ao falar de esquerda, direita, liberalismo, social-democracia ou ideologias que, de tão assustadoras, ganharam carga psicológica negativa por si, como comunismo e fascismo. Fatalmente, o próprio cientista tem sua preferência por um, e analisa tanto a si próprio quanto ao outro agente teórico e/ou político sob tal viés.</p>
<p>O problema não se encontra apenas em palavras. Mesmo componentes menores, como sufixos, são problemáticos. É comum ouvir, por exemplo, que não se pode mais ser comunista, visto que o bloco soviético ruiu em 1991.</p>
<p>Ora, o sufixo <i>–ista</i> pode indicar muitas coisas: tanto ser membro de um Partido Comunista assentado em alguma democracia, apenas tendo apreço pela ditadura do proletariado, quanto ser alguém sem apreço ideológico algum, mas que faz parte do maquinário burocrático do Partido-Estado, visto que, caso se nasça em algum país dominado pelo Partido único, não há escapatória para trabalho a não ser para o próprio regime – caso de muitos cientistas com pouca atividade política que trabalharam ativamente para a elite soviética.</p>
<p>Pode-se complicar ainda mais uma única palavra quando se unem sufixos a palavras com apelo psicológico forte, mas de significado desvinculado de uma taxonomia adequada, que delimite seus contornos em relação às demais.</p>
<p>No espectro político, nenhuma deve sofrer tanto quanto a palavra <b>conservador</b>. Nitidamente visualizada com valor pejorativo, a palavra é enganosa tanto em sua raiz quanto em seu sufixo.</p>
<p>“Conservador” é um termo que pode simplesmente apontar para alguém apegado ao passado, como nossas avós escandalizando-se com o que veem nas novelas da TV, independentemente de suas posições políticas (felizmente poucas delas sabem navegar na internet). Um músico, um estilo artístico, o layout de um jornal, o treinamento de um jogador de tênis: todas essas coisas podem ou não ser “conservadoras”.</p>
<p>Todavia, há também o <b>conservadorismo</b>. Este <i>–ismo</i>, apesar de parecer apenas uma manobra gramatical, faz toda a diferença. Aqui não falamos apenas do apego a qualquer tradição, e sim de um conjunto de normas, valores e posturas políticas compiladas por intelectuais – sobretudo o irlandês Edmund Burke (1729-1797) – que precisaram dar um nome ao novo arcabouço conceitual.</p>
<p>Escolheram o termo <i>conservatism</i>, mas poderia ter sido qualquer outro que propagandeasse um dos pilares fundamentais de sua doutrina – poderia ser “moralitismo”, por exemplo. Sequer a “conservação” é necessariamente a <i>principal</i> diretriz de uma política conservadora: se um conservador político subir ao poder logo depois de duas décadas de agitação promovidas por um revolucionário, precisará mudar e reformar as instituições de cima abaixo para promover sua ideologia.</p>
<p>Não à toa, o próprio Edmund Burke é famoso pelo seu apoio aos <i>revolucionários</i> americanos, e não um fanático obscurantista defensor eterno do <i>statu quo</i> como o melhor dos mundos possíveis (tendência hegeliana repudiada por 9.999 em cada dez mil conservadores).</p>
<p>Um “conservador”, portanto, pode ter pouco ou nada a ver com o “conservadorismo”.</p>
<p>Uma vovó escandalizada com um beijo lésbico na novela pode muito bem também achar Lula o sacrossanto pai dos pobres, assim como forças retrógradas em países dominados pela esquerda também são tachadas pelo mesmo apelido: Mahmoud Ahmadinejad é um dos “conservadores” do regime dos mulás iranianos, sendo inimigo mortal de qualquer um dos “conservadores” ligados ao conservadorismo (seu sistema político-econômico é completamente baseado na União Soviética), assim como Nicolae Ceausescu foi o “conservador” do bloco soviético que quis manter a linha-dura stalinista mesmo com a abertura promovida por Gorbachev. Não é preciso buscar maiores inimigos de Burke, Paine, Kirk, Voegelin, Tocqueville ou Peyrefitte no mundo, contudo.</p>
<p>Muitas vezes, sequer os próprios conservadores (ou as vítimas de tal mistureba conceitual) percebem a salada russa. No caso em questão, para o analista político ruim ou manipulador, há um prato cheio para vender preconceitos na forma de análises sólidas.</p>
<p>Quando se fala em “esquerda” e “direita”, por exemplo, é comum tratá-las como termos relativo um ao outro, pois os significantes dos signos (as próprias palavras escolhidas para representar cada um dos conceitos) foram, <b>originalmente</b>, escolhidas por sua relação diretamente oposta (os “novos” e os “velhos” direitos pós-Revolução Francesa).</p>
<p>Aqui, falamos de tendências aglutinadoras gerais (há várias esquerdas e direitas, como há várias posturas que tomam um pouco de cada), e é bem possível que um país que não tem exatamente as mesmas tradições de pensamento político da França tenha apenas tendência à esquerda entre suas facções (mesmo numa democracia), ou mesmo só à direita (talvez Israel seja o único exemplo deste caso, hoje).</p>
<p>Contudo, como tais signos enganam, é comum que o analista que defenda uma das tendências confunda-a com a própria noção de “bem” na política, jogando todo o resto para o “mal”, identificado à perfeição com a tendência oposta. Assim, o que o analista defende é “a esquerda”, e tudo aquilo que não for bom ou gerar resultados desprezíveis é imediatamente pechado como “direita”, mesmo que não tenha relação nem remota com a tradição “de direita”.</p>
<p>É um erro que Norberto Bobbio comete com certa frequência em seu tratado <i>Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política</i>, assim como, com muito menos garbo e elegância, Mino Carta, ao “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=l4-wZGkjECs" target="_blank">explicar</a>” que Stalin é “de direita” porque não é democrático.</p>
<p><b>Saudades de Ceausescu</b></p>
<p>À guisa de péssimo exemplo, o dono da revista <b>Carta Capital</b>, aliás, não teria mesmo muito mais argumentos para uma sandice deste tamanho. Em uma edição tragicômica de seu seminário, com a chamada de capa <i>“A velha cara da nova direita”</i>, os jornalistas Leandro Fortes e William Vieira espancam sua facúndia para explicar que tudo o que é bom politicamente é de esquerda (e, naturalmente, petista), e tudo o que não for de esquerda é uma massa homogênea malévola, abissal, obscura e comedora de criancinhas chamada “direita”.</p>
<p>Como um dos pilares da esquerda é ser contrária à liberdade econômica (ou seja, contra o indivíduo trabalhar, e ficar com os frutos do trabalho para si, ao invés de seu ganho ser antes remanejado por políticos e burocratas para, só então, depois de subtraído, voltar às suas mãos), a revista fez uma “reportagem” (com o perdão da hipérbole) sobre as instituições que promovem tal liberdade hoje. Como contra-argumentar contra a liberdade seria impossível, furtaram-se ao velho expediente de considerar que defensores do mercado são “a direita”, que é apenas uma massa hiper-homogênea que vai de liberais privatizantes até fascistas totalitários e defensores da ditadura militar, como se fossem uma coisa só.</p>
<p>Com o título de <i>“Saudades de 1964”</i>, Leandro Fortes inventa de estro próprio o conteúdo do que foi um encontro promovido pelo Instituto Millenium em 1.° de março de 2010. Segundo ele, “uma reunião de milionários” (eu e meus amigos saímos de lá de ônibus para nossos aluguéis debaixo de chuva) “festejada pela mídia” (alguém viu um anunciozinho por aí?) marcando “uma nova etapa da luta da civilização ocidental contra o ateísmo comunista e a subversão dos valores cristãos” (o evento convidou Fernando Gabeira, substituído por ninguém menos do que Antônio Palocci, não se discutiu religião e boa parte dos palestrantes eram ateus).</p>
<p>Para novamente se furtar a debater ideias (as únicas palavras citadas do que foi dito foram as piadas do humorista Marcelo Madureira, do Casseta &amp; Planeta), o jornalista afirma de sua caixola que o Instituto Millenium é “muito semelhante” ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), que fomentou o golpe de 1964 (na verdade, produzindo muitos estudos que iam contra a hegemonia esquerdista acadêmica, sendo também financiado por alguns industriais que também apoiaram o golpe). Solta-se então laivos contra a ditadura (conceito fácil de ser atacado) por páginas a fio, buscando acertar com isso os defensores da liberdade econômica, que odeiam a concentração de poder nas mãos de políticos.</p>
<p>Para isso não falta dizer que os defensores da liberdade econômica replicam “as mesmas ideias que emanam do carcomido auditório do Clube Militar, espaço de recreação dos oficiais de pijama” (uma das primeiras palestras do Fórum da Liberdade foi sobre o fim das forças armadas), ou dizer que o Millenium é “meio empresa, meio quartel” (total de militares escrevendo para o instituto: zero).</p>
<p>O que nossos “analistas” sofrem é de <b>conceitofobia</b>, que é passado de professor para aluno em nossas universidades: se a esquerda é “o Bem”, todo o resto são uma coisa só. Sendo esta coisa “o Mal”, ela não tem necessidade de ser estudada. Assim, fica fácil colocar no mesmo butim os defensores da liberdade econômica, que acreditam que as únicas funções do Estado são garantir a segurança para seus cidadãos realizarem trocas livremente, com fascistas e ditadores militares (Geisel foi o maior criador de estatais <i>do mundo</i>).</p>
<p>Com medo de conceitos que o jornalista não saberia mostrar que estão errados, sobram momentos realmente hilários, como “o discurso liberal esconde um frequente flerte com o moralismo udenista” (2 minutos analisando as inúmeras posturas pró-casamento gay e aborto nos grupos de Liberalismo do Facebook faria o jornalista engolir tais palavras sem manteiga) ou o período mais ridículo já escrito por alguma revista semanal de circulação nacional:</p>
<blockquote><p>O símbolo do Millenium é um círculo de sigmas, a letra grega da bandeira integralista, aquela turma no Brasil que apoiou os nazistas.</p></blockquote>
<p>Para não apenas cair na risada, eis o símbolo do Millenium:</p>
<p><img class="alignnone" alt="" src="http://www.ordemlivre.org/wp-content/uploads/11.jpg" width="151" height="156" /></p>
<p style="text-align: left;" align="center"> Eis a letra sigma:</p>
<p style="text-align: left;" align="center"><img class="alignnone" alt="" src="http://www.ordemlivre.org/wp-content/uploads/22.jpg" width="129" height="160" /></p>
<p>Eis um corte do símbolo do Millenium:</p>
<p><img class="alignnone" alt="" src="http://www.ordemlivre.org/wp-content/uploads/32.jpg" width="142" height="159" /></p>
<p>Alguém mais notou alguma problemática extrema na tentativa desesperadoramente pueril da revista Carta Capital de tentar associar o instituto Millenium com nazistas?! Para não dar o ouro de graça aos meus leitores, fica uma dica: o nome do instituto é&#8230; Millenium.</p>
<p>(A propósito, os integralistas apoiaram o fascismo, mas eram contra as teorias racistas do nazismo alemão; não tem nada a ver com o Millenium ou a liberdade de mercado de “moralismo udenista”, mas mostra o conhecimento histórico de quem foge a conceitos.)</p>
<p>Carta Capital não foi a primeira, e não será a última revista inimiga da liberdade a falhar em seu ataque por falta de uma gramática política correta. Em setembro último, a revista <b>Brasileiros</b> legou ao mundo outro rompante de irrisão do mesmo porte (a primeira a se incomodar com a liberdade no semestre foi a revista <b>Caros Amigos</b>). Com a chamada de capa em fundo negro <i>“A direita mostra a sua cara&#8230;”</i>, a “reportagem” “investiga” o <b>Instituto Mises</b>.</p>
<p>Também não houve um argumento contrário a qualquer artigo, livro ou podcast do Instituto. Apenas outra hilária tentativa de associar os anarquistas do Instituto Mises aos ditadores militares autoritários:</p>
<blockquote><p>Assustador é o brasão do Instituto Mises Brasil que (sic) lembra, por tudo, a TFP (Tradição, Família e Propriedade). O lema do instituto é ‘Propriedade, Liberdade, Paz’.</p>
<p>O rosto no brasão é do ‘patrono’ do instituto, o economista conservador austríaco de origem judaica Ludwig Von Mises, de frente e de perfil. A imagem de perfil guarda uma profunda semelhança com o general Costa e Silva. Talvez seja uma menção proposital.</p></blockquote>
<p>Este é o nível de “investigação” do jornalismo dos que pouco estudaram: “analisar” logos, buscando sempre uma associação com uma ditadura (mesmo em um logo com uma letra ou com um perfil em nanquim, onde qualquer velhinho pareceria com qualquer outro velhinho no planeta).</p>
<p>Seria o mesmo que analisar a revista Brasileiros ou a Carta Capital afirmando: “Seu logo é vermelho, lembra o totalitarismo da União Soviética, portanto deve defender a ditadura do Ceausescu”. Dado ainda que entre seus jornalistas encontramos pessoas que defendem declaradamente o socialismo, não seria mesmo difícil fazer tal associação – muito mais “cientificamente” do que chamando o liberal Mises de conservador, um M de sigma, um general brasileiro num emblema de um economista fugido do nazismo.</p>
<p><b>Falta estudo</b></p>
<p>O problema de confundir tantos conceitos é acreditar que coisas opostas são a mesma.</p>
<p>Apenas para terminar com um pouco de humor, podemos selecionar alguns trechos da reportagem de Carta Capital a título de mau exemplo:</p>
<p>Tentando dizer que os valores defendidos pelos defensores da liberdade estão errados, sobra um muxoxo: <i>“O Millenium investe ainda em palestras, lançamentos de livros e debates abertos ao público, quase sempre voltados para assuntos econômicos e a discussão tão obsessiva quanto inútil sobre liberdade de imprensa e liberdade de expressão”</i>. A culpa seria do Millenium ou de quem usa um aparato estatal trilionário para acabar com tais liberdades?</p>
<p>Tentando descobrir quanto ganham os diretores do Instituto Millenium, Leandro Fortes, diante de um “não” da diretora executiva Priscila Barbosa Pereira Pinto, tasca:</p>
<blockquote><p>Embora seja a principal executiva de um instituto que tem entre suas maiores bandeiras a defesa da liberdade de imprensa e de expressão – e à livre circulação de ideias –, Priscila Pinto não se mostrou muito disposta a fornecer informações a CartaCapital.</p></blockquote>
<p>Conceitos malucos. Liberdade de expressão agora é dizer ao mundo o seu salário? Que tal Leandro Fortes dizer o seu, ou então ser considerado um risco à liberdade de expressão, de imprensa e circulação de ideias? Note-se que sua revista oferece desconto em assinatura para filiados ao PT (ou “para filiados em partidos políticos”, embora o link só esteja no site do PT). Visto que fundos partidários são públicos e envolvem o dinheiro até de quem não vota em tal partido nem sob tortura, não seria muito mais urgente tal informação? (Mino Carta também chegou a pedir uma boa grana em “adiantamento” a Luiz Gushiken, quando este ainda era todo-poderoso dentro do governo petista)</p>
<p>Para encobrir o conceito maluco, nada como um ar de mistério. Após afirmar sobre Diogo Mainardi que “sua covardia (<i>sic</i>) o levou a se esconder (<i>sic</i>) em Veneza” (receber ameaças de morte é ser “covarde”), lá vem jornalismo calibrado:</p>
<blockquote><p>O que toda essa gente faz e quanto cada um doa individualmente é mantido em segredo. Apesar da insistência de CartaCapital, a diretora-executiva Priscila Pinto mandou informar, via assessoria de imprensa, que não iria fornecer as informações requisitadas pela reportagem.</p></blockquote>
<p>Outro conceito aprendido: investigação que não deu em nada é prova de que há algo errado. Mesmo quando se é um “insistente” de uma revista inócua como Carta Capital.</p>
<p>Sobre os “jovens conservadores”, sobra dizer, por exemplo, que estão todos defendendo “os bons costumes” (até pessoas com uma moral prafrentex como Leandro Narloch e Rodrigo Constantino), chamar o PPS (Partido Popular Socialista) de “direita” ou, após duvidar da “hegemonia da esquerda” nas universidades colocando-a entre aspas (a própria formação desses jornalistas a comprova), falar sobre a minúscula chapa para o DCE da USP que só concorreu em 2010 (as chapas não consultadas <b>Liberdade</b>, <b>Reação</b> e <b>É USP Então!</b> foram as defensoras da liberdade em 2010, 2011 e 2012, respectivamente): <i>“Pensadores conservadores como Edmund Burke e Russell Kirk forneceram as bases teóricas. Jesus completou a doutrina.”</i> (<i>sic</i>³) Claro, uma associação providencial com skinheads tampouco faltou.</p>
<p>O que fica como lição é o fator óbvio: confundir conceitos não apenas não revela a ignorância do analista político. Na verdade, ele passa a ser adorado por isso.</p>
<p>Quando se tem vários adversários, não há melhor tática para agremiar simpatizantes do que tratar todos os seus adversários como se fossem o pior genocida da humanidade. É por isso que vemos tanto desespero dos <b>conceitofóbicos</b> em associar tudo a nazismo. Mesmo a liberdade econômica anti-Estado que os totalitários nazistas tanto odiavam (<i>“Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato”</i>).</p>
<p>Ainda que à custa de expedientes ridículos (como os logos “analisados” pelas revistas supracitadas), a tática funciona: aprender conceitos é como aprender uma língua nova (praticamente o mesmo, mas dentro da própria língua). Dão trabalho, ainda mais quando vão contra preconceitos já arraigados. Jogar com a preguiça sináptica dos leitores é sempre um jogo ganho.</p>
<p>Afinal, ninguém nunca leu revistas mirins como Carta Capital, Caros Amigos ou Brasileiros para se informar. Apenas defendem a ideia de que um partido no poder está certo, e sempre que o veem sofrendo denúncias, correm para tais revistas para encontrar um discurso que garanta que se mantenham na posição que já se encontram. Nunca ninguém era contra o que diziam Carta Capital e similares e, lendo suas páginas, se convenceu: são revistas para convertidos amaciarem seus próprios egos.</p>
<p>No conflito de ideias, a liberdade econômica <a href="http://www.ordemlivre.org/2012/01/as-algemas-economicas-do-brasil/" target="_blank">sempre venceu</a>. A solução para os que são contrários à liberdade foi sempre a mesma, nas ditaduras e nas democracias: impedir que a população tome conhecimento do que é a liberdade. Por ser sempre mais agradável, nunca será substituída, a não ser por aquele que lucrará roubando a liberdade alheia (nunca a sua própria).</p>
<p>Liberdade é liberdade sobretudo para conhecer. É preciso conhecer também os adversários da liberdade: eles é que morrem de medo de conhecer as ideias liberais. Até hoje no mundo só há dois tipos de pessoas: os que conhecem o liberalismo e os que o atacam. Nunca se viu algum grande estudioso das obras liberais/conservadoras que seja contrário a elas. Porque conhecer a liberdade é defendê-la. Para se criticar a liberdade, é obrigatório que não se compreenda o que ela é.</p>
<p>Precisamos aumentar nosso vocabulário e nossa gramática política, escapando das armadilhas sintáticas que os adversários podem preparar. Mas só com conceitos adequados poderemos mostrar que estamos do lado da paz, da prosperidade e livres da opressão, no reino definido por Mises como o lugar em que o homem comum é senhor, e é o cliente que sempre tem razão (o que nunca conseguiu ser perante o Estado).</p>
<p>Assim poderemos concretizar o adágio de Murray Rothbard: <i>“Liberty is an idea whose time has come.”</i></p>
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		<title>O mercado livre e o poker</title>
		<link>http://www.ordemlivre.org/2012/11/mercado-livre-e-poker/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Nov 2012 10:42:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Morgenstern</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
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		<description><![CDATA[A maior expressão do mercado da civilização recente, a Bolsa de Valores, encontra paralelos curiosos ao jogo de poker. Tanto no que se assemelham quanto no que são distintos, os conceitos e preconceitos que temos com o mercado podem ser ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center">A maior expressão do mercado da civilização recente, a Bolsa de Valores, encontra paralelos curiosos ao jogo de poker.</p>
<p>Tanto no que se assemelham quanto no que são distintos, os conceitos e preconceitos que temos com o mercado podem ser bem explicados pelo funcionamento das regras de cada um.</p>
<p>O poker é um jogo de cartas de apostas. Em todas as suas modalidades (tradicional, Texas Hold’em, Omaha etc), faz-se apostas conforme o que se acredita serem boas ou más cartas que se possui em mãos. Para continuar jogando uma mão, é sempre preciso ao menos cobrir a maior aposta feita, ou desistir do que foi apostado na rodada para não pagar ainda mais.</p>
<p>Uma Bolsa de Valores também é um modelo de apostas. Alguém investe em uma empresa conforme o que se acredita que será seu potencial de lucratividade. Se uma empresa quebra ou não tem bons resultados, o dinheiro investido por seus acionistas é perdido. Há algumas semelhanças e diferenças importantes entre poker e o mercado financeiro que nos ajudam a visualizar nossos acertos e erros de perspectiva sobre o mercado.</p>
<p><strong>Jogo de soma zero</strong></p>
<p>O poker não produz riqueza. É um jogo no sentido estrito, e geralmente compra-se fichas para aposta com dinheiro real, mesmo em jogos <em>Just for fun</em>. A riqueza produzida por nosso trabalho, em outro lugar, é investida no jogo.</p>
<p>Quem ganha fichas no poker ganha <em>de outra pessoa</em>. É o famoso <strong>jogo de soma zero</strong>, em que se entra com uma quantidade X de riqueza, joga-se, a riqueza troca de mãos, ficando mais igualitária ou não, e a soma da riqueza de todos os jogadores na saída continua sendo exatamente X.</p>
<p>A Bolsa de Valores, ao contrário do que se pensa, não é um jogo de soma zero. Investir em empresas <em>produz riqueza</em>. O que era antes um punhado de farinha, ovos e açúcar vira um bolo com valor bem mais alto do que o valor de todos os seus ingredientes somado – mesmo porque um bolo produzido por um cozinheiro profissional e o mesmo bolo com mesma receita produzido por alguém sem a competência necessária não terão o mesmo valor.</p>
<p>Este <em>erro fatal</em> é usualmente cometido por críticos do mercado e da liberdade econômica, que tratam o mercado como um jogo de soma zero, onde toda a riqueza do mundo <em>já está pronta</em>, só sendo “tomada” pelos mais fortes. Toda a obra de Karl Marx é uma descrição em minudências de um sistema fictício tomado por real, em que “o capital”, inacessível aos comuns mortais, é a força anterior que toma a riqueza já pronta do mundo, <em>através</em> da exploração do trabalho alheio.</p>
<p>Seu erro é acreditar que <a href="http://www.ordemlivre.org/2012/08/uma-unica-licao-de-economia/">o mundo já é “rico”</a> &#8211; já tem sistemas de irrigação e de produção de alimentos em massa, além de transporte, remédios, receitas de bolos de pistache com castanhas-do-pará e smartphones, só precisando então “distribuir” a riqueza, acabando com a exploração. Para tal, sugere um poder político totalitário, visando atingir a igualdade econômica através de uma extrema desigualdade política – não notando que, então, estará, justamente, <em>explorando</em> as pessoas, numa economia de comando em que cada indivíduo produz sem ficar com os frutos de sua produção – e o Partido, que não produz, fica com a produção sem trabalhar.</p>
<p><strong>Desigualdade de oportunidades</strong></p>
<p>Não existe situação de maior nervosismo para um jogador de poker do que, quando ele está com poucas fichas, ir parar numa mesa com um jogador com muitas. Todo o seu cuidado com apostas deve ser multiplicado por dez: um jogador com fichas pode apostar tudo o que tem muitas vezes e reaver as fichas com facilidade; um jogador com menos fichas, assim que erra uma aposta completa (<em>all in</em>), é excluído do jogo e perde o seu dinheiro.</p>
<p>Numa Bolsa de Valores isso também acontece de forma mais lenta: obviamente que um investidor com pouco dinheiro não pode montar toda a sua cartela de ações em um investimento de alto risco, ainda que estes sejam usualmente os mais lucrativos.</p>
<p>Todavia, na Bolsa, estamos apostando em empresas já consolidadas. Uma pessoa pode muito bem ser dona de uma Apple, de uma Ford, de uma Coca-Cola, ainda que tenha uma participação menor – mas com a mesma lucratividade. No poker, aposta-se na habilidade própria de fazer as melhores apostas com as cartas distribuídas pelo acaso (no dizer de Schopenhauer, <em>“O destino embaralha as cartas, e nós jogamos”</em>), enquanto na Bolsa apostamos na capacidade de uma empresa inteira, muitas vezes mais antiga do que nosso tempo de vida, de continuar lucrando com os melhores produtos.</p>
<p>É como se, no poker, ao invés de apostarmos em nós mesmos, pudéssemos investir fichas para que os melhores jogadores de poker do mundo jogassem longas rodadas por nós – e com os melhores produtos (o equivalente a uma quantidade de fichas maior do que podemos pagar).</p>
<p>A famosa “desigualdade de oportunidades”, assim, é dirimida no mercado financeiro, como nunca se pode antes na história mundial: curiosamente, um preconceito comum com investidores é difundido a bocas largas na teoria, mas negado mortalmente na prática: a ideia de que “especuladores financeiros dominam o mundo”. Se assim o fosse, seria fácil enriquecer qualquer pessoa com algumas parcas economias: entrar na Bolsa. Mas os mesmos críticos do mercado que juram ser essa a verdade sobre o mundo morrem de medo dos riscos de perder todo o seu dinheiro no mercado financeiro, preferindo uma parca poupança bancária.</p>
<p>É também por isso que os adversários do livre mercado precisariam proibir o poker, além de tentar destruir o próprio mercado: para se atingir a “igualdade de oportunidades”, só se poderia proibir que alguém fique com as fichas que ganhou no jogo, assim como proibir que fiquem com o fruto do seu trabalho. Pior: na vida, existe a poupança, que pode ser contabilizada através de juros compostos. Se Pedro ganha o mesmo que Felipe, mas economiza R$ 100 por mês, enquanto Felipe gasta estes R$ 100 em cachaça, em 30 anos saberemos que um estará bem mais rico do que outro. Como então manter a “igualdade de oportunidades” para os filhos de cada um? Tomando o dinheiro poupado de Pedro (do qual ele não usufruiu) e dando <em>novamente</em> a Felipe, para ele gastar <em>mais uma vez</em>?</p>
<p>E lembrando, como Thomas Sowell, que tive as <em>mesmas</em> oportunidades de ser o Lionel Messi – o que me faltou foi <em>talento</em>. Por isso aproveitei outras oportunidades. E quanto maior a liberdade econômica, maior o espectro de oportunidades (ao invés de ser “operário” ou “camponês”, podemos decidir ser escritores, psicólogos, vendedores, cozinheiros&#8230;).</p>
<p><strong>Ganhadores e perdedores</strong></p>
<p>Tanto no poker quanto na Bolsa de Valores há ganhadores e perdedores. As fichas perdidas no poker ficam com outro jogador, já o dinheiro perdido na Bolsa é realmente riqueza perdida (um bolo queimado, que não pode voltar a ser farinha, ovos e açúcar para ser utilizado com outro fim).</p>
<p>É praticamente impossível falar com um investidor que nunca tenha tido seus revezes no mercado financeiro: ninguém prevê o futuro com tamanha maestria. Também os melhores jogadores de poker, como os melhores jogadores de qualquer esporte, não ganham 100% do tempo.</p>
<p>A sutileza para tal resultado chega a ser idiota de ser explicada, já que é um truque muito óbvio, mas cotidianamente por nossos teóricos e críticos de mercado: basta ter mais resultados favoráveis do que perdas. Um piloto de Fórmula 1 pode quebrar o carro várias vezes durante o campeonato – o que importa é que ganhe mais pontos no fim.</p>
<p>Assim agem investidores com cartela de ações diversificada, e bons jogadores de poker – que sabem inclusive administrar o fator psicológico de deixar o adversário ganhar algumas vezes para se arriscar a apostas mais altas, quando então age com maior destreza.</p>
<p>Como resultado, mesmo no ambiente desfavorável do poker – em que, por ser um jogo de soma zero, sempre que um ganha, está tomando dinheiro do outro, ao contrário da Bolsa de Valores, em que todos podem estar ganhando ao mesmo tempo com mais riqueza sendo trocada livremente – um jogador iniciante pode enriquecer, mesmo com sua “desigualdade de oportunidade”. Basta vencer a maioria das partidas – e, para tal, há diversos modelos de campeonatos que podem favorecer que sua ascensão não enfrente riscos tão desproporcionais. Exatamente como o mercado faz com as pessoas.</p>
<p>É por isso que o poker enriquece tantas pessoas: mesmo que os campeões fiquem com muito dinheiro em campeonatos grandiosos, não significa que todos os outros jogadores estão mais pobres. Significa tão somente que a maioria está administrando seus momentos de “perda”.</p>
<p>Quando for a um cassino, portanto, ao invés de comprar cem fichas de roleta e jogar cem vezes, jogue todas de uma vez. Um cassino pode te dar algum dinheiro, mas todas as suas contas são feitas para que, em mais de 90% das vezes, ele que ganhe o seu dinheiro. Não caia no erro de ganhar uma vez e, por isso, achar que vai ganhar alguma outra se apostar mais dez vezes.</p>
<p>No mercado financeiro, quando uma empresa ganha muito, ela não ganha sozinha: sua riqueza é também externalizada. Quando uma empresa de transportes lucra, mesmo que João nunca utilize os seus serviços, ela facilita que mais mercadorias cheguem a João por um menor preço. ambos estarão ganhando nisso, já que a realidade não é um jogo de soma zero.</p>
<p>Seria como se, no poker, os jogadores fossem empresas de capital aberto: pudéssemos “investir” em jogadores como Barry Greenstein, Gus Hansen, Doyle Brunson ou Jennifer Harman, ficando com um percentual de seus lucros e dividendos.</p>
<p>Infelizmente, ainda tentamos enriquecer os pobres com modelos falidos de gerenciamento estatal, em que o dinheiro de um é tomado por outro para ser dado a um terceiro, e obviamente que o gerenciador ganha mais, sem produzir nada, do que quem produziu e do que o favorecido final. Seria muito mais sensato ensinar aos desfavorecidos os meandros do enriquecimento conjunto, com as consequências de suas próprias decisões, na Bolsa de Valores. E o poker pode ser uma excelente introdução.</p>
<p>Há muito ainda a unir o poker e o mercado, como poupança e juros, variáveis de tempo e conhecimento, a incapacidade do blefe no mercado&#8230; mas isso ainda fica para lições futuras.</p>
<p>Por ora, apenas uma lição para os já iniciados no poker: <strong>viver significa dar <em>fold</em> e <em>all-in</em> muitas vezes antes de ter um <em>Royal</em> <em>Straight Flush</em> nas mãos.</strong></p>
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		<title>Propaganda infantil</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Oct 2012 08:48:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Constantino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Direito e liberdades civis]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Princípios]]></category>
		<category><![CDATA[Últimas Atualizações]]></category>

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				<content:encoded><![CDATA[<p>Há em curso uma crescente tentativa de regular mais ou até mesmo proibir a propaganda voltada ao público infantil. Parte desta luta pode ser atribuída aos interesses perversos de forças estatizantes que adorariam ver os canais de televisão cada vez menos independentes. Com a perda de importantes anunciantes, como produtores de biscoitos ou refrigerantes, os veículos de comunicação dependeriam mais e mais da propaganda ligada ao estado. Como o cão não morde a mão que o alimenta, eles ficariam subservientes aos interesses do governo.</p>
<p>Mas aqui não vou tratar deste caso, que sem dúvida existe e deve ser levado em consideração. Vou lidar apenas com a parcela bem-intencionada, que apresenta ao menos um ponto legítimo: crianças são imaturas, não possuem condições de discernimento e se tornam alvos mais influenciáveis dessas propagandas. A obesidade precoce é uma doença que cresce no mundo todo, com graves conseqüências pessoais e sociais. Como evitar este risco? Seria por meio da proibição de comerciais que estimulam o consumo desenfreado de ”porcarias”?</p>
<p>Quem tratou do assunto foi o psiquiatra Theodore Dalrymple, em um artigo presente no livro <em>Anything Goes</em>. Logo de cara, ele deixa claro que, do ponto de vista moral, condena tais propagandas:</p>
<p><em>Por definição, as crianças pequenas não são totalmente capazes de fazer suas próprias decisões sobre as coisas, e parece-me que as propagandas dirigidas a elas para levá-las a fazer coisas que possam ser permanentemente prejudiciais a elas, para ter um lucro, ou melhor, um lucro extra, são imorais.</em></p>
<p>Para começo de conversa, nem tudo aquilo que é imoral deve ser ilegal. Podemos pensar em vários casos. A prostituição, por exemplo. É absolutamente legítimo considerá-la um ato degradante e imoral, mas nem por isso devemos demandar a prisão de adultos que se envolvem em trocas sexuais voluntárias. Portanto, podemos concordar (ou não) com a imoralidade de se criar propagandas sedutoras que causam mal à saúde das crianças indefesas, mas isso não seria necessariamente motivo para a sua proibição.</p>
<p>Só que há outro ponto importante em jogo aqui. A transferência de autoridade dos pais para o estado. Dalrymple toca no cerne da questão:</p>
<p><em>Esta transferência de autoridade é um fenômeno de massa, caso contrário, a epidemia não teria ocorrido. Os pais já não parecem no controle de quanto de televisão seus filhos assistem, o que seus filhos compram com o seu dinheiro ou mesmo o que comem em casa.</em></p>
<p>Podemos pensar em várias causas para este fenômeno, o que daria um livro inteiro. Adultos infantilizados, ou “senhorzinhos satisfeitos” (Ortega y Gasset), agiriam como crianças mimadas que pensam ter “direito” a tudo aquilo que a civilização alcançou, sem compreender como chegamos a tais conquistas.</p>
<p>Elas passam, então, a olhar para o “deus” laico moderno, o estado, como um Pai que vai atender todas as suas demandas e assumir a responsabilidade em seus lugares. Saber frear os próprios apetites, como compreendia Edmund Burke, é condição necessária para ser livre. Esta característica está em falta na atualidade. Os pais seriam, por esta ótica, crianças crescidas, tendo de educar suas próprias crianças.</p>
<p>Talvez os pais modernos, ambos trabalhando fora o dia todo, sintam-se culpados e tentem compensar, deixando seus filhos tomarem conta da situação em casa. Talvez eles sejam egoístas demais, em uma visão individualista exacerbada, e considerem o sacrifício necessário para a boa educação um fardo demasiado. Ou talvez, em uma visão hedonista deturpada, eles pensem que permitir aos filhos tudo o que querem seja uma expressão de amor profundo. Seria o <em>carpe diem</em> levado ao extremo da irresponsabilidade.</p>
<p>Seja lá qual for a causa (ou causas), o mais chocante é justamente esta transferência de autoridade e responsabilidade. Os pais olham impotentes para seus filhos mimados (e obesos), e buscam no estado o guardião de sua saúde. Este fenômeno é bem mais preocupante do que os interesses obscuros dos estatizantes, pois ele representa uma ameaça muito maior à liberdade.</p>
<p>Há bastante demanda e apelo dos próprios pais por tais restrições e maior controle estatal, eis o ponto-chave aqui. E, como sabemos desde o século 16 com Étienne de La Boétie, não há nada mais perigoso do que a “servidão voluntária”, pois ela preserva as aparências da liberdade, enquanto a destrói em seus pilares. Dalrymple tenta justamente abordar este outro lado:</p>
<p><em>Não é que eu ache que a proposta de o governo proibir a publicidade de produtos nocivos para as crianças pequenas seja errada; o que me incomoda é a incapacidade de reconhecer que há qualquer outra dimensão ao problema, uma dimensão que é de fato muito mais grave.</em></p>
<p>Em seguida, ele vai direto ao ponto nevrálgico:</p>
<p><em>É sempre mais seguro, do ponto de vista de ganhar a estima da ‘intelligentsia’ e de evitar a sua censura, culpar as autoridades ou aqueles em grandes corporações, em vez de as pessoas ‘comuns’, que são, por definição, vítimas inocentes. Mas absolver as pessoas comuns de todas as culpas pela obesidade de seus filhos, simplesmente omitindo de mencioná-las por completo, é negar-lhes a propriedade de seres humanos plenos.</em></p>
<p>O mesmo vale para a crise das hipotecas americanas e europeias. Automaticamente os dedos acusatórios voltaram-se na direção dos grandes bancos, ignorando a responsabilidade do indivíduo, do homem comum que aceitou um grau de endividamento absolutamente ousado, para dizer o mínimo. Blindar o “homem ordinário” contra seus próprios atos, transformando-o em uma simples marionete de forças maiores, é o caminho mais rápido para a servidão. Todo tipo de tutela paternalista e controle estatal passa a ser defensável, se cada um não passa de um mentecapto indefeso.</p>
<p>Se nós aceitarmos que a responsabilidade pela dieta adequada de nossos filhos cabe ao estado, então nós aceitamos a premissa do totalitarismo. O fato surpreendente de tal questão sequer permear os debates sobre o tema da propaganda infantil já denota a era preocupante em que vivemos. Os pais perderam a capacidade de impor limites aos seus filhos? Eles precisam pedir ajuda ao estado, que assumirá as funções mais básicas da paternidade? Se seguirmos nesta direção, então o futuro será sombrio. Melhor deixar a propaganda infantil em paz, e cada um retomar as rédeas da educação de seus filhos.</p>
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		<item>
		<title>Educação online: revolução ou avanço marginal?</title>
		<link>http://www.ordemlivre.org/2012/10/educacao-online-revolucao-ou-avanco-marginal/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Oct 2012 20:33:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magno Karl</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Professores de economia da Universidade George Mason e autores do blog Marginal Revolution, Alex Tabarrok e Tyler Cowen anunciaram no início do mês passado que ofereceriam de graça na internet aquilo que seus empregadores os pagam para que façam em sala de ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Professores de economia da Universidade George Mason e autores do blog <a href="http://marginalrevolution.com/">Marginal Revolution</a>, Alex Tabarrok e Tyler Cowen <a href="http://marginalrevolution.com/marginalrevolution/2012/09/introducing-mruniversity-spread-the-word.html" target="_blank">anunciaram</a> no início do mês passado que ofereceriam de graça na internet aquilo que seus empregadores os pagam para que façam em sala de aula: eles ensinariam cursos de economia na <a href="http://mruniversity.com/">Marginal Revolution University</a> (MRU).</p>
<p><img class="alignright" title="mru" src="http://mruniversity.com/sites/all/themes/mru/logo.png" alt="" width="288" height="81" /></p>
<p>Os <a href="http://mruniversity.com/basic-facts-growth-and-development" target="_blank">primeiros vídeos</a> do primeiro curso, <em>Development Economics</em>, foram disponibilizados ontem, dia 01 de outubro.</p>
<p>No último mês, Cowen e Tabarrok discutiram <a href="http://www.newstatesman.com/blogs/economics/2012/09/marginal-revolution-launch-online-university" target="_blank">em</a> <a href="http://www.wiredacademic.com/2012/09/heard-yglesias-take-on-the-upcoming-marginal-revolution-university-econ-courses/" target="_blank">vários</a> <a href="http://ww3.tvo.org/video/182491/tyler-cowen-great-stagnation" target="_blank">veículos</a> os objetivos e visões que tinham para a MRU, um projeto tido pelos autores como um <em></em><em>spin off </em>do blog mantido por eles e que pretende permanecer independente dos grandes sites de cursos oferecidos online por instituições tradicionais de ensino, como a <a href="https://www.coursera.org/" target="_blank">coursera</a>.</p>
<p>Esse trecho é parte da entrevista de Tyler Cowen à <a href="http://www.wiredacademic.com/2012/09/heard-yglesias-take-on-the-upcoming-marginal-revolution-university-econ-courses/" target="_blank">Wired Academic</a>:</p>
<blockquote><p><strong>WA – Who is funding it? </strong></p>
<p>Tyler  - We have put our own money into the project.  The Mercatus Center at GMU has helped with software management.</p>
<p><strong>WA – Will GMU have a role/stake/name in it? </strong></p>
<p>Tyler  - Of course we both teach at GMU and GMU as a whole has been very enthusiastic about our efforts but still it is our material, just as say a blog would be.  We would gladly do more with the school in this area.</p>
<p><strong>WA – What video platform will you use? YouTube? And other notable ed tech platforms? E.g. Moodle, Blackboard, Pearson? Will students find the course only at MRU? Or will it also be found in iTunes U, Udacity, edX etc?</strong></p>
<p>Tyler – YouTube, and only at MRU.</p>
<p><strong>WA – What’s your future goals for MRU itself? How many courses and students and professors would you like to see teaching there in 5 years? </strong></p>
<p>Tyler – We don’t place an upward cap on how much activity we would like to see there.  What these kinds of sites and classes will look like is still in the midst of a Hayekian “discovery process.”</p></blockquote>
<p>Mas e se a potencial <em>revolução </em>na educação através dos cursos online acabar sendo apenas um avanço tímido em relação àquilo esperado para o ensino pela internet? Essa é a possibilidade levantada por alguns críticos que, embora louvem a iniciativa do ensino online, acreditam que apresenta mudanças tímidas em relação aoistema educacional atual.</p>
<p><a href="http://www.forbes.com/sites/joshuagans/2012/10/01/online-education-experiments-at-the-margin/2/" target="_blank">Joshua Gans</a> da Forbes e <a href="http://www.adamsmith.org/blog/education/why-marginal-revolution-university-wont-work" target="_blank">Tim Worstall</a> do Adam Smith Institute estão entre os que têm reservas quanto ao potencial dessas iniciativas. Worstall chega a afirmar logo no título de seu artigo que a MRU simplesmente <em>won&#8217;t work</em>. Companheiro de Tabarrok e Cowen na Universidade George Mason, Bryan Caplan escreve no EconLog que <a href="http://econlog.econlib.org/archives/2012/09/marginal_revolu_1.html" target="_blank">torce pelo programa</a> e espera que a MRU prove que suas idéias sobre as limitações do ensino online para revolucionar a educação estão erradas.</p>
<p>Por outro lado, na Slate, Matt Yglesias <a href="http://www.slate.com/blogs/moneybox/2012/09/06/who_will_online_higher_education_help_.html" target="_blank">saúda a iniciativa</a>. Ele afirma que os grandes vencedores deverão ser pessoas que apesar de inteligentes, motivadas e dedicadas, não podem pagar por uma universidade. Yglesias lembra que é dificil vermos como essas iniciativas podem afetar os estudantes americanos <em>marginais</em>, que provavelmente acabarão endividados e abandonando seus cursos numa universidade com aulas presenciais, mas que é provável que a educação online grandes avanços para os estudantes de países pobres. Exatamente o público alvo do primeiro curso disponibilizado pela MRU.</p>
<p>É difícil ver como uma parte relevante dos brasileiros poderia participar dessa magnífica novidade em curto prazo. Uma <a href="http://oglobo.globo.com/emprego/brasileiros-nao-sabem-falar-ingles-apenas-5-dominam-idioma-6239142" target="_blank">matéria publicada pelo jornal O Globo</a> no último fim de semana, mostrou que apenas 5% dos brasileiros dominam a língua inglesa. É pouco provável que os brasileiros mais pobres tenham acesso à iniciativas como a MRU em um futuro próximo, mas é louvável que elas existam e estejam disponíveis a quem se interessar &#8212; ou puder fazer uso delas agora.</p>
<p>Que as próximas gerações de brasileiros encontrem essas e outras iniciativas por aí, quando dominarem melhor a língua inglesa ou, pelo menos, quando os videos elaborados em outras línguas estiverem traduzidos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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