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	<title>Ordem Livre &#187; Política</title>
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		<title>O mito do complô dos países ricos contra o desenvolvimento dos países pobres</title>
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		<pubDate>Thu, 23 May 2013 14:24:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Roberto de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[1. A busca de culpados (sempre deve existir algum&#8230;) Dentre todos os mitos já explorados e a serem examinados nesta avaliação serial dos equívocos mais renitentes no meio acadêmico, nenhum parece tão poderoso quanto o que pretende que os países ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>1. A busca de culpados (sempre deve existir algum&#8230;)</strong></p>
<p>Dentre todos os mitos já explorados e a serem examinados nesta avaliação serial dos equívocos mais renitentes no meio acadêmico, nenhum parece tão poderoso quanto o que pretende que os países ricos, que teriam outrora alcançado o seu desenvolvimento graças a uma série de políticas por eles hoje recusadas aos países emergentes, estariam agora ativamente empenhados em impedir que esses países, eufemisticamente ditos em desenvolvimento, possam galgar, igualmente, a escada da prosperidade econômica e os degraus da capacitação industrial e tecnológica, tornando-se, como eles, desenvolvidos.</p>
<p>Continuemos, pois, o exame dos equívocos selecionados nesta série<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> pela análise crítica de um dos exemplos mais notórios da &#8220;teoria conspiratória da história&#8221;, a tese do complô dos ricos contra os pobres, a presumida ação mancomunada dos desenvolvidos contra o crescimento e o progresso material dos países pobres ou menos desenvolvidos. O conjunto de &#8220;teses&#8221; defendidas pelos partidários do que classifico desde já como mais uma falácia, não deixa de apoiar-se em exemplos históricos que estariam aparentemente em linha com os argumentos dos defensores dessa teoria conspiratória, em especial no que se refere às políticas setoriais (industrial e comercial, em especial) e à suposta ação clarividente do Estado &#8220;empreendedor&#8221;.</p>
<p><strong>2. Friedrich List: versão século XXI</strong></p>
<p>O mais conhecido defensor contemporâneo dessa teoria é o economista coreano, atualmente na Cambridge University, Ha-Joon Chang, que se utiliza da famosa imagem forjada pelo seu predecessor alemão de 150 anos atrás, Friedrich List, para afirmar que os países ricos estão querendo &#8220;chutar a escada&#8221; que os levou a ser o que hoje são. Este é, aliás, o título de um de seus livros mais famosos.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a></p>
<p>Sua obra mais recente, <em>Bad Samarithans</em>, também publicada no Brasil, segue na mesma linha.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a> Promovida pela Ordem dos Economistas do Brasil, a obra constituiu o centro de atração de um seminário realizado em São Paulo, em janeiro de 2009, sob a responsabilidade da Ordem e da Fundação Getúlio Vargas, em torno de um programa de estudos focado na revisão do pensamento econômico sobre o desenvolvimento.</p>
<p>Seguindo as idéias de Chang, o coordenador da Escola de Economia da FGV-SP, Paulo Gala, acredita que &#8220;as experiências de maior sucesso observadas nos anos recentes, Coréia do Sul e Taiwan, nos anos 70 e 80, e China e Índia nos 90, basearam-se justamente em políticas contrárias às recomendações de Washington&#8221;.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a> Como já tratamos do problema do Consenso de Washington em ensaio anterior desta série,<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a> não iremos nos debruçar novamente sobre mais esse mito do pensamento acadêmico. Mas caberia registrar os &#8220;seis mitos neoliberais&#8221; que este professor brasileiro considera que vêm sendo propostos pelas instituições símbolo da globalização capitalista e que, em sua opinião, se revelaram incapazes de produzir os resultados prometidos.</p>
<p>Os &#8220;seis mitos neoliberais&#8221;, vários deles fictícios, seriam os seguintes: &#8220;1) os países ricos atualmente alcançaram seu sucesso através de políticas comprometidas com o livre mercado; 2) o neoliberalismo funciona; 3) uma globalização neoliberal não pode e não deve ser interrompida; 4) o modelo americano de capitalismo neoliberal representa o ideal, o qual todos os países em desenvolvimento devem replicar; 5) o modelo do Leste Asiático é idiossincrático, o modelo americano é universal; 6) países em desenvolvimento precisam de disciplina fornecida pelas instituições internacionais e por instituições politicamente independentes (Banco Central, por exemplo)&#8221;.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a> Não vou agora rebater argumentos que são mistificadores, em sua maior parte, inclusive porque o autor em nenhum momento traz qualquer comprovação de que esse tipo de proposição simplista venha sendo defendido pelas organizações &#8220;neoliberais&#8221; (eu apenas recomendaria que ele lesse mais história do mundo, estudasse um pouco mais de economia e observasse a realidade, simplesmente). Para preservar o foco, vamos tratar aqui apenas dos argumentos centrados sobre a &#8220;teoria do complô&#8221;, que constitui todo um capítulo na história das falácias acadêmicas.</p>
<p><strong>3. Uma história secreta do capitalismo?</strong></p>
<p>O subtítulo do mais recente livro de Ha-Joon Chang já constitui, por si só, uma prova eloqüente em favor de uma tese, aliás, uma verdadeira teoria, muito disseminada em certos meios acadêmicos. Colocada de maneira simplista, mas nem por isso menos correta, essa tese diz mais ou menos o seguinte: os países ricos — durante os momentos iniciais de sua decolagem econômica, e na fase de consolidação do desenvolvimento social — puderam exercer toda a latitude de políticas econômicas: desde as mais liberais — quando podiam, ou precisavam — até as mais protecionistas e subvencionistas — estas últimas, de maneira mais intensa ou freqüente, e sem que alguma entidade &#8220;ortodoxa&#8221;, do tipo do FMI ou o Banco Mundial, viesse lhes dizer o que deveriam ou poderiam adotar como políticas macroeconômicas e setoriais — até que puderam garantir para si um processo de crescimento sustentado, marcado pela autonomia tecnológica e a plena soberania sobre suas principais políticas públicas.</p>
<p>Uma vez alcançado o estágio em que se encontram, ou seja, de países líderes nas classificações de prosperidade econômica e do avanço tecnológico, eles se empenham todos — como se tivessem combinado tudo em algum local secreto de planejamento de maldades capitalistas — em impedir que países retardatários e os subdesenvolvidos, de maneira geral, os imitem, copiem o que fizerem, enfim, que os alcancem, do alto de seu progresso econômico e capacitação tecnológica. Numa reedição prolongada da falácia original de List e, de maneira tão perversa quanto calculada, os países ricos &#8220;chutam a escada&#8221; que permitiria aos atrasados chegar onde eles chegaram; constroem, assim, um fosso intransponível entre eles, um grupo pequeno de egoístas desenvolvidos, e todo o resto do mundo, um imenso conjunto de eternos condenados ao atraso e à pobreza (e, no mesmo movimento, levados a transferir renda para os de &#8220;cima&#8221;, como agravante).</p>
<p>Trata-se de uma caricatura, claro, mas apenas em parte. Vejamos a síntese que faz seu principal defensor, e prefaciador, no Brasil, Luiz Carlos Bresser Pereira, desse tipo de teoria propagada com maior competência por Chang: &#8220;Em <em>Maus Samaritanos</em>, Ha-Joon Chang faz uma crítica devastadora da teoria econômica ortodoxa ou neoclássica ao mostrar que suas propostas de política econômica são para uso externo, não sendo utilizadas pelos países ricos que as propagam&#8221; (p. xiii). Não contente em aderir à teoria conspiratória da história, Bresser Pereira agrava o seu caso, insistindo na tese do complô dos ricos contra os pobres seguidores infelizes do terceiro mundo. Vejamos o que ele diz, numa reconstituição histórica do processo de desenvolvimento econômico em escala mundial: &#8220;Desde a Revolução Industrial a teoria econômica tem sido um instrumento para justificar internamente o capitalismo e para evitar que os demais países que ficaram atrasados no seu processo de industrialização também cresçam e lhes façam concorrência&#8221; (p. xiii). Trata-se, sem dúvida alguma, de uma grave acusação a todos os teóricos da economia ortodoxa ou neoclássica, que poderiam invocar, se fosse o caso, o sentido moral de sua atividade, posto que transformados em simples feitores de uma espécie de &#8220;colonização mental&#8221; conduzida a partir de seus centros de estudo. Seria risível, se não fosse eticamente questionável.</p>
<p>O professor da FGV-SP parece apreciar piadas históricas, já que Bresser Pereira tem prazer em reincidir na teoria: &#8220;A onda ideológica neoliberal que tem início nos anos 1970 tem como uma de suas motivações essa neutralização [dos concorrentes dos países em desenvolvimento], como objetivo nunca confessado, e jamais plenamente consciente&#8221; (p. xiv). Todos os elementos da teoria conspiratória estão presentes, posto que, segundo Bresser, Chang não hesita em &#8220;criticar os ‘maus samaritanos’ — os agentes dos países ricos e do neoliberalismo que aconselham mal os países em desenvolvimento, que afirmam estarem ajudando-os quando, de fato, estão criando obstáculos ao seu desenvolvimento&#8221; (p. xv). Esses agentes seriam uma combinação de professores adeptos da teoria neoclássica, os funcionários e consultores das organizações internacionais mais importantes na área econômica (FMI, BIRD, OMC) e os representantes dos países ricos que conduzem programas de ajuda e de cooperação técnica para os países pobres.</p>
<p>Mas não vale a pena continuar a falar da tese principal por meio de intérpretes de segunda mão; melhor ir direto ao original. Dois equívocos parecem estar em causa na construção desse tipo de mito que recebeu a poderosa contribuição de um economista que se lança de maneira ousada (embora leviana) nos caminhos da história: (a) a falácia de que os países ricos se tornaram o que eles são atualmente em virtude de um conjunto racional de políticas direcionadas a tal objetivo, aplicadas de forma sistemática e consciente, a despeito de contrariarem o pensamento econômico liberal de sua época; (b) e outra falácia, já pertencente à &#8220;teoria conspiratória da história&#8221;, é a de que esses países têm-se empenhado, desde então, em impedir que os pobres os alcancem, armando ardilosamente um complô para obstar a que os atrasados cheguem ao topo da escada.</p>
<p>Esses dois argumentos se baseiam numa leitura seletiva, incompleta e deformada da história, e são incapazes de se sustentar pela lógica de funcionamento do sistema capitalista (na verdade, da economia de mercado), ou pelo seguimento da experiência concreta de diferentes países engajados desde então no caminho do desenvolvimento, alguns bem sucedidos, outros, infelizmente, não.</p>
<p><strong>4. Políticas estatais como fator de desenvolvimento?</strong></p>
<p>Chang, tanto no seu livro anterior, <em>Chutando a Escada</em>, como neste atual, <em>Maus Samaritanos</em>, conta a mesma história, embora com argumentos ligeiramente diferentes, mas por meio do mesmo uso seletivo dos dados históricos. Na verdade, não é tanto da história que ele pretende falar — inclusive porque não se trata de um historiador econômico, nem, aliás, de um economista historiador — mas da &#8220;história&#8221; presente, ou o que ele pretende por tal. Essa &#8220;história&#8221; seria dominada pelas políticas neoliberais e pela imposição das &#8220;regras do Consenso de Washington&#8221; aos países em desenvolvimento, o que resultaria, assim segue a teoria do complô, em que estes não possam o que antes fizeram os países ricos.</p>
<p>Todos sabem quais são essas políticas e não seria preciso estender-se em demasia em sua descrição: políticas macroeconômicas estáveis e responsáveis, redução do peso do Estado, liberalização comercial e do regime de investimentos estrangeiros, defesa dos contratos e dos direitos de propriedade intelectual, banco central independente, etc. Existe em vários setores críticos — mas que provavelmente nunca leram os textos originais — uma grande confusão entre, de um lado, o que pode ser eventualmente recomendado pelos conselheiros das instituições de Bretton Woods e, de outro lado, as regras originais do economista John Williamson, que detém o <em>copyright</em> — ou pelo menos os<em></em></p>
<p>moral rights — sobre o chamado Consenso de Washington. Este &#8220;consenso&#8221;, em sua versão original, não compreendia nem a taxa de câmbio fixa (ele recomendava flexível), nem a liberalização do setor financeiro (ou dos movimentos de capitais, para ficar em algo mais tangível).</p>
<p>Não é o caso de dirimir essa confusão neste momento, tanto porque isto não parece preocupar aqueles que criticam de maneira leviana as &#8220;regras&#8221; de Washington, em primeiro lugar o próprio Chang. Sua principal missão é a de desmantelar essas regras, posto que elas seriam prejudiciais aos interesses atuais dos países em desenvolvimento. Usando mais suas impressões do que a pesquisa histórica, Chang recomenda o contrário: sua sugestão é a de que os países pobres façam aquilo que ele imagina que os países hoje ricos teriam feito nas etapas iniciais de crescimento e consolidação de seus processos de autonomia tecnológica.</p>
<p>E quais seriam essas políticas? Elas são muito diversas, obviamente, sendo que em alguns casos sequer houver políticas claramente definidas ou implementadas de maneira contínua segundo um plano pré-determinado. Mas Chang, em sua leitura seletiva dos dados históricos, identifica basicamente dois conjuntos de políticas que teriam sido usadas pelos países ricos em sua caminhada racional para o desenvolvimento: políticas industriais, do tipo &#8220;indústria infante&#8221; — tal como recomendado por List e, antes dele, pelo Secretário americano do Tesouro, Alexander Hamilton —, e comerciais. As principais medidas seriam o apoio direto às indústrias nacionais na fase inicial de instalação, por meio de subsídios, incentivos fiscais, proteção tarifária e outros tipos de defesa comercial e dirigismo setorial. Ele é bastante detalhista na coleta de medidas governamentais, ao longo do século XIX (e mesmo antes), que teriam sido mobilizadas para sustentar a industrialização desses países. O resultado entusiasma os dirigistas de várias épocas e de vários países, sobretudo aqueles que também pretendem criticar o suposto complô dos ricos e dos &#8220;washingtonianos&#8221;.</p>
<p>O fato é que os argumentos de Chang são distorcidos, seus &#8220;fatos&#8221; são incompletos e falham, lamentavelmente, em estabelecer as relações causais efetivas entre as medidas industrializantes apontadas por ele e o desenvolvimento dos países considerados, processo necessariamente mais complexo do que sua visão simplista da história. Ele não considera uma série imensa de outros fatores institucionais — tal como destacada por historiadores econômicos como Douglass North, por exemplo — e passa completamente por cima dos fatores culturais e educacionais que sustentaram — não apenas a industrialização, mas — a transformação tecnológica abrangente que teve lugar em vários desses países (alguns deles não necessariamente industriais, mas &#8220;essencialmente agrícolas&#8221;, como Dinamarca e Nova Zelândia).</p>
<p>É, por outro lado, igualmente simplificadora sua visão de que foram aquelas medidas estatais que provocaram a industrialização e o crescimento econômico; como se os países ricos tivessem &#8220;planejado&#8221; racionalmente seu processo de desenvolvimento, por uma série de medidas encadeadas no tempo, e estruturalmente integradas umas às outras, todas elas com o objetivo expresso — e talvez pré-determinado — de provocar essa modernização. Ele certamente não considera a contraditória e muitas vezes improvisada colcha de retalhos que constitui a trama da história real, na qual, indivíduos, grupos de pressão, ideologias e, não menos importante, reações defensivas ou &#8220;imitativas&#8221;, interagem de modo desordenado, ao sabor das relações de forças que se estabelecem na sociedade, para produzir um resultado que está longe de ser aquele desejado por categorias específicas de atores sociais.</p>
<p>A história não é certamente um livro branco, no qual governos supostamente esclarecidos podem ditar ordens e regras para sua implementação racional: ela é, bem mais, um pesado carro de bois que avança lentamente por uma estrada esburacada, com interrupções e deslizes que pouco têm de intencional ou planejado. Mesmo admitindo-se a existência de políticas claras para favorecer este ou aquele resultado antevisto — como costumam ser as medidas de subsídio industrial, de proteção tarifária ou de apoio logístico — é muito difícil ao honesto historiador econômico separar fatores estruturais e contingentes no complexo processo de desenvolvimento dos países atualmente ricos; a começar que eles não estavam desenhando políticas de desenvolvimento e sim respondendo a impulsos que lhes vinham de dentro e de fora, e nem sempre, aliás, pela mão dos governos.</p>
<p>Haveria muito mais a dizer sobre a peculiar leitura da história do professor Chang. Mas a discussão poderia nos levar muito longe, no espaço limitado deste ensaio. Bastaria, talvez, dizer isto: se o protecionismo comercial e as políticas dirigidas em apoio ao setor industrial fossem o sucesso que ele alega, nesse caso, os países da América Latina, que, durante várias décadas, praticaram ambos em doses altamente concentradas, deveriam ser hoje não apenas nações altamente industrializadas, como tecnologicamente desenvolvidas, o que obviamente não é o caso. Por outro lado, em sua própria Coréia natal, Chang deixa de ver todos os fatores institucionais e educacionais que favoreceram o seu desenvolvimento, e se concentra unicamente nas políticas industrializantes e de cunho comercial, que teriam, supostamente, impulsionado o crescimento e a transformação tecnológica. Em conclusão, como economista, Chang pode até ter seu valor de mercado, mas como historiador ele falha miseravelmente em comprovar as suas teses.</p>
<p><strong>5. A arte de chutar escadas: uma fábula fabulosa</strong></p>
<p>O que dizer, então, da outra parte deste mito ridículo, que consiste em afirmar que os países na vanguarda do progresso industrial atuam deliberadamente para impedir outros de os seguirem na &#8220;escada&#8221; do desenvolvimento? Essa tese é tão ridícula — como compete a uma &#8220;boa&#8221; teoria conspiratória da história — que nem valeria o esforço de desmenti-la, se não fosse a existência de tantos crédulos nos países retardatários, sempre em busca de um bode expiatório para culpá-lo pela sua industrialização deficiente ou seu desenvolvimento insatisfatório. Mais uma vez Chang falha em trazer as &#8220;provas históricas&#8221; desse tipo de argumento, e apenas avança as recomendações dos atuais &#8220;conselheiros washingtonianos&#8221; como a evidência de que os países ricos desejam manter todos os demais no fundo do poço do não-desenvolvimento: para isso, eles &#8220;chutam a escada&#8221;, num sentido metafórico, claro, pois a única coisa que fazem seria recomendar políticas que inviabilizariam a &#8220;subida da escada&#8221;, mantendo os retardatários na eterna dependência dos que estão no topo.</p>
<p>Curioso que esses mesmos &#8220;alpinistas industriais&#8221; investem nos retardatários, e não apenas para contornar barreiras comerciais e outras restrições ao capital estrangeiro, como sabemos por todos os exemplos dos movimentos de capitais de risco na história econômica mundial. Mais curioso ainda é que todo esse ardor obstrucionista não impediu os Estados Unidos e a Alemanha, no século XIX, e os demais países avançados, na passagem da segunda revolução industrial — grosso modo a partir dos anos 1870 — de galgarem eles também a escada da industrialização e do desenvolvimento econômico. Seria por que a história só começa, de verdade, quando as ex-colônias pretendem se industrializar? Mas tanto o Japão &#8220;feudal&#8221;, como a Coréia &#8220;colonial&#8221; desmentem a visão conspiratória do bloqueio dos ricos exercido contra os pobres periféricos, como isso também é cabalmente desmentido por outros exemplos atuais em outras regiões.</p>
<p>Certo, Chang e seus seguidores poderiam argumentar que os &#8220;asiáticos&#8221; — que são os exemplos que ele seguidamente invoca para comprovar a sua &#8220;teoria&#8221; — justamente não seguiram as recomendações do Consenso de Washington e por isso puderam se desenvolver com base em políticas ativas; aquelas mesmas supostamente utilizadas outrora pelos países ricos e que agora eles não mais recomendam aos retardatários (ao contrário, buscam impedir por todos os meios). A história é, contudo, mais complexa. Assim como Chang não conseguiu estabelecer relações de causalidade entre as suas &#8220;políticas ativas&#8221; e o progresso industrial e tecnológico nos países hoje ricos, ele tampouco consegue provar de maneira cabal que são essas políticas que estão na origem do desenvolvimento relativo dos países asiáticos.</p>
<p>O fato é que os países de desenvolvimento rápido na Ásia — e também em algumas outras regiões, como no Brasil, tempos atrás — conseguiram &#8220;construir&#8221; condições institucionais que puderam atender, eventualmente, a alguns dos &#8220;requerimentos&#8221; — talvez necessários, mas certamente não suficientes — que os colocaram no caminho da autonomia tecnológica e industrial; entre eles fatores de natureza fiscal, tributária, logística e, acima de tudo, de cunho cultural e educacional compatíveis com as &#8220;regras&#8221; do desenvolvimento. O processo é certamente complexo e reduzi-lo a medidas de política industrial ou comercial, quaisquer que sejam os méritos respectivos dessas últimas, pode tornar impossível o ato de manter-se fiel ao registro histórico e à realidade de determinadas experiências concretas.</p>
<p>De resto, existem tantos exemplos de sucesso quanto de fracasso na história da industrialização contemporânea — como a Europa do Sul ou a América Latina, até um período ainda recente da história econômica mundial — e estes últimos, curiosamente, não são enfatizados por Chang em sua &#8220;reconstituição&#8221; do desenvolvimento de uns e outros. O trabalho do historiador — <em>a fortiori</em> do &#8220;planejador&#8221; de desenvolvimento, também — envolve presumivelmente a consideração de todos os casos relevantes, e não apenas os de sucesso. É verdade que aprendemos tanto, ou mais, com os casos de fracasso — e mesmo com desastres espetaculares — pois são eles que podem nos indicar a combinação errada da &#8220;receita&#8221; do desenvolvimento — se é que ela existe —, quando os fatores de sucesso podem ser múltiplos e difíceis de determinar.</p>
<p>Como, aliás, indica a história da própria humanidade — na qual a maior parte dos povos ainda vegeta em baixos níveis de prosperidade e de bem-estar — o mundo é feito bem mais de &#8220;fracassos&#8221; que de &#8220;sucessos&#8221;, ainda que esses conceitos sejam altamente dúbios, para não dizer completamente equivocados. Dos 35 a 40 bilhões de seres humanos que já viveram na superfície do planeta, provavelmente um número muito reduzido, equivalente, digamos, a 5% desse total, desfrutou, até hoje, de uma esperança razoável de vida, com o gozo simultâneo de bons padrões de alimentação e de bem estar. A afluência material — isto é, a &#8220;libertação&#8221; da penúria, da fome e da doença — ainda é algo relativamente &#8220;recente&#8221; na história da humanidade, correspondendo, talvez, aos últimos dois ou três séculos de avanços na agricultura e de progressos industriais.</p>
<p>Ao se questionarem &#8220;por que o mundo todo não é desenvolvido?&#8221;,<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a> os historiadores economistas acabam chegando aos verdadeiros fatores de progresso material e de avanços tecnológicos que, longe de terem sido provocados por &#8220;políticas industriais e comerciais&#8221;, têm a ver, basicamente, com os ganhos de produtividade do trabalho humano ao longo do tempo e em diferentes sociedades, aspecto eminentemente vinculado ao desenvolvimento cultural, de modo geral, e à educação básica e técnica, de modo particular. Estes são fatores que um economista historiador — mas Chang não é um — deveria considerar na avaliação das diferentes experiências nacionais de desenvolvimento, não um aspecto, apenas, da ação governamental em favor deste ou daquele ramo industrial.</p>
<p>Quanto ao complô dos países ricos para &#8220;chutar a escada&#8221; dos retardatários, bem, ficou, é verdade, faltando tratar desse &#8220;aspecto&#8221; da história com maior grau de detalhe. Mas a crença é tão ridícula que me constrange ter de levantar argumentos para derrubar hipótese tão fantasiosa. Para começar, ela contraria a &#8220;lógica&#8221; — se alguma existe — da economia de mercado (e do capitalismo, diriam alguns marxianos mais razoáveis) que consiste em ampliar continuamente a &#8220;esfera da acumulação&#8221; — para retomar esse linguajar barroco — e conectar os mercados de forma contínua. Como já tinha explicado Marx em 1848, o capital busca sempre derrubar barreiras feudais e muralhas de modos de produção ancestrais, para instalar suas máquinas infernais, que seriam teoricamente suscetíveis de submeter à sua dominação implacável os povos de todo o mundo, ainda que convertidos em um &#8220;exército industrial de reserva&#8221; (logicamente, para deprimir os salários dos trabalhadores na pátria de origem do capital; para o que mais seria?). Por que, nessas condições, desejaria o capital restringir as possibilidades de desenvolvimento capitalista na periferia? Deixo a resposta — se é que existe alguma, racional, quero dizer — aos adeptos da teoria do bloqueio capitalista.</p>
<p>A rigor, essa tese já era inoperante, inaplicável e &#8220;fantástica&#8221; na época do próprio mentor de Chang, o economista alemão Friedrich List — que publicou seu livro de economia política em meados do século XIX — e parece-me que ela continua a ser tudo isso, 150 anos depois. De fato, a teoria conspiratória não se sustenta, e só consegue desmoralizar seus partidários, a menos, claro, que eles sejam imbuídos dessa crença numa &#8220;história secreta do capitalismo&#8221;, que só consegue causar<em></em></p>
<p>frisson naqueles imbuídos do &#8220;secreto desejo&#8221; de enterrar o (mal)dito sistema. A verdade é que, numa economia de mercado, que combina diversos tipos de capitalismos, o processo de desenvolvimento adota caminhos diversos, nenhum deles controlável por alguma força social específica, e muito menos por governos ou atores sociais estrangeiros. Nessas condições, imaginar que capitalistas e burocratas do FMI e do Banco Mundial se reúnam na calada da noite — ou talvez nas reuniões anuais do Fórum Econômico Mundial — para encontrar maneiras de impedir países pobres de ascender na escala do desenvolvimento, cozinhando para eles receitas de não-desenvolvimento, acreditar nisso representa bem mais do que defender alguma teoria conspiratória da história e redundaria, simplesmente, em ofender a mais comezinha inteligência econômica (além de fazer pouco caso, obviamente, da própria inteligência dos burocratas e dirigentes de países pobres, ou pelo menos daqueles que não foram &#8220;comprados&#8221; pelos primeiros).</p>
<p>Quem adota esse tipo de postura — histórica ou econômica — também costuma enveredar por outras teorias fantasiosas para explicar o sucesso de alguns e a &#8220;derrota&#8221; de outros, posto que as teorias conspiratórias se retro-alimentam e produzem, de contínuo, novas razões para velhos fracassos, como, por exemplo, a persistente pobreza e a imensa desigualdade na maior parte dos países latino-americanos. Muitos — espera-se, ao menos, que este número seja decrescente — acreditam que isso se deve à exploração imperialista e à existência de estruturas capitalistas produtoras de miséria e de desigualdade; mas eu não preciso antecipar o que penso a respeito, não é mesmo? (disso tratarei em futuro ensaio). Os que assim &#8220;pensam&#8221; — se o verbo se aplica — não estão apenas ofendendo a simples verdade dos fatos e distorcendo a natureza do processo histórico; eles também estão diminuindo suas próprias chances de ascenderem a uma explicação mais consistente sobre as verdadeiras causas do atraso de alguns povos e do progresso de outros. De certa forma, eles estão &#8220;chutando a escada&#8221; que os levaria a um patamar superior de conhecimento.</p>
<p>Mas este parece ser o destino de muitas falácias acadêmicas: baseadas num contato superficial com a realidade, elas acabam desenvolvendo uma explicação de &#8220;senso comum&#8221; que não é apenas redutora e simplista, mas que se alimenta de suas próprias crenças equivocadas.</p>
<p>Até a próxima falácia&#8230;</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">A relação dos ensaios já publicados na <em>Espaço Acadêmico</em> e uma lista sugestiva de temas a serem eventualmente tratados em trabalhos futuros podem ser encontradas em meu site pessoal, neste link:</a></p>
<p>www.pralmeida.org/05DocsPRA/FalaciasSerie.html.</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Cf. Ha-Joon Chang, <em>Kicking Away the Ladder:Development Strategy in Historical Perspective</em> (Londres: Anthem Press, 2002), já publicado no Brasil: <em></em></p>
<p>Chutando a Escada: estratégia de desenvolvimento em perspectiva histórica (São Paulo: UNESP, 2004).</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Cf. Ha-Joon Chang,<em> Bad Samarithans:</em><em></em></p>
<p>The Myth of Free Trade and the Secret History of Capitalism (Londres: Bloomsbury, 2007);<em>Maus Samaritanos: o mito do livre-comércio e a história secreta do capitalismo</em> (Rio de Janeiro: Elsevier, 2009).</p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Cf. Paulo Gala, Apresentação a <em>Maus Samaritanos</em>, op. cit., p. ix.<a href="#_ftnref5" name="_ftn5"></a></p>
<p>[5] Ver, deste autor, &#8220;Falácias acadêmicas, 2: o mito do Consenso de Washington&#8221;, in <em>Espaço Acadêmico</em>, n. 88, setembro 2008; link:<a href="http://www.espacoacademico.com.br/088/88pra.htm">http://www.espacoacademico.com.br/088/88pra.htm</a>.</p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Cf. Gala, idem, p. x.</p>
<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Ver, a este propósito, o trabalho, já antigo, de Richard A. Easterlin, &#8220;Why Isn&#8217;t the Whole World Developed?&#8221;, <em>The Journal of Economic History</em>, vol. 41, n. 1, The Tasks of Economic History, (Mar. 1981), p. 1-19; disponível: http://goo.gl/aLBWB. Cabe reconhecer que esse autor foi excessivamente otimista em suas suposições mais importantes — sobre a disseminação cada vez mais rápida dos elementos culturais e educacionais que &#8220;produziram&#8221; desenvolvimento em vários países —, mas talvez ele tenha razão no longo prazo. Infelizmente, esse prazo tem-se revelado desnecessariamente mais longo do que o desejável para muitos povos, mas fatores políticos, não técnicos ou econômicos, podem explicar esse atraso inexplicável para os padrões da racionalidade ocidental.</p>
<p><em>* Publicado originalmente em 11/05/2009.</em></p>
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		<title>Privatizem a Petrobras!</title>
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		<pubDate>Wed, 15 May 2013 11:18:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Constantino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
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		<description><![CDATA[A Petrobras possui controle estatal, mas tem capital misto, com milhares de investidores brasileiros e estrangeiros. O uso político da estatal tem custado cada vez mais a esses investidores, cujos interesses são ignorados pelo governo. O prejuízo divulgado na sexta ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Petrobras possui controle estatal, mas tem capital misto, com milhares de investidores brasileiros e estrangeiros. O uso político da estatal tem custado cada vez mais a esses investidores, cujos interesses são ignorados pelo governo. O prejuízo divulgado na sexta é mais uma prova disso.</p>
<p>O governo mantém o preço dos combustíveis defasado para segurar a inflação, afetando negativamente o lucro da empresa. Além disso, ele demanda grande participação de fornecedores nacionais nos bilionários investimentos da estatal, o que custa mais e atrasa o cronograma. É o uso da empresa para a política industrial de governo, que já arrecada bilhões em royalties e impostos.</p>
<p>Infelizmente, quando o assunto é Petrobras o debate fica tomado pela emoção, sem espaço para argumentos racionais. A esquerda estatizante e a direita nacionalista se unem ideologicamente, alimentadas por muitos interesses obscuros em jogo, e repetem em uníssono que o setor é “estratégico”. A Embraer, a Telebrás e a Vale também eram “estratégicas”.</p>
<p>Ora, justamente por ser estratégico o setor deveria ser retirado da gestão politizada, ineficiente e corrupta do governo. A exploração do petróleo começou pela iniciativa privada nos Estados Unidos. Desde a primeira prospecção de Edwin Drake em 1859, na Pensilvânia, o setor viu um crescimento incrível com base na competição de várias empresas privadas. O Canadá também conta com dezenas de empresas privadas atuando no setor.</p>
<p>Por outro lado, países como Venezuela, México, Irã, Arábia Saudita, Nigéria e Rússia possuem estatais controlando a exploração de petróleo. Ninguém ousaria dizer que isto fez bem para seus respectivos povos, vítimas de regimes autoritários.</p>
<p>O brasileiro paga uma das gasolinas mais caras do mundo, o país ainda precisa importar derivados de petróleo após décadas de sonho com a autossuficiência, a estatal é palco de diversos escândalos de corrupção, mas muitos ainda repetem, inflando o peito, que “o petróleo é nosso”. Nosso de quem, cara-pálida?</p>
<p>O crescimento da produção de óleo e gás da Petrobras desde que o PT assumiu o governo foi medíocre: somente 2,4% ao ano. Trata-se de um resultado lamentável após tantos bilhões investidos, inclusive com financiamento do BNDES.</p>
<p>A Petrobras, que tinha R$ 26,7 bilhões de dívida líquida em 2007, terminou o primeiro semestre de 2012 devendo mais de R$ 130 bilhões. O endividamento sobe em ritmo acelerado por conta de seu gigantesco programa de investimentos, mas nem os investidores nem os consumidores se beneficiam disso.</p>
<p>A rentabilidade da Petrobras é uma das menores do setor. Seu retorno sobre patrimônio líquido não chega a 10%, metade da média de seus pares internacionais. Os investidores acusam o golpe, e as ações da Petrobras apresentam um dos piores desempenhos no mundo.</p>
<p>Desde 2009, suas ações caíram 5%, enquanto o Ibovespa subiu mais de 40% e a Vale mais de 50%. É o governo destruindo o valor da poupança de milhares de pessoas, incluindo todos que utilizaram o FGTS como instrumento para apostar na empresa.</p>
<p>Por que não há maior revolta então? Por que não há mobilização pela privatização da Petrossauro, como a chamava Roberto Campos? Parte da resposta é o fator ideológico já citado. Outra parte diz respeito a enorme quantidade de grupos de interesse que mamam nas tetas da estatal.</p>
<p>Seus 80 mil funcionários custaram para a empresa mais de R$ 18 bilhões em 2011, ou quase R$ 20 mil mensais por empregado. Claro que muitos merecem o que ganham, mas como negar o uso da estatal como cabide de emprego para os “amigos do rei”?</p>
<p>Fornecedores nacionais ineficientes ou corruptos também agradecem, pois não precisam competir abertamente no livre mercado. O caminho até a estatal muitas vezes é outro, como comprova o caso do Silvinho “Land Rover”, o ex-secretário do PT que ganhou um carro importado de uma empresa fornecedora da estatal.</p>
<p>Artistas e cineastas engajados da “esquerda caviar” também aplaudem a estatal, que destinou mais de R$ 650 milhões para patrocínios culturais de 2008 a 2011. Isso sem falar de blogueiros “chapa-branca”, que recebem gordas verbas da estatal. A lista é longa.</p>
<p>Os políticos, então, nem se fala. Quem esqueceu Severino Cavalcanti negociando à luz do dia, em nome da “governabilidade”, aquela diretoria que “fura poço”? O ex-presidente Lula era outro que adorava usar a Petrobras para seus fins políticos em parceria com Hugo Chávez.</p>
<p>Só há uma maneira eficaz de acabar com esta pouca vergonha que tem custado tão caro aos investidores da empresa: sua privatização!</p>
<p><em>* Publicado originalmente no jornal O Globo. Republicado no OrdemLivre em 08/08/2012.</em></p>
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		<title>Uma perspectiva liberal do Bolsa Família</title>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 03:45:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Assistencialismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Discute-se muito o Bolsa Família do ponto de vista ético — dar dinheiro a quem não trabalha — mas costuma-se esquecer que o aspecto mais impactante do Bolsa Família sobre a dinâmica da economia como um todo não tem a ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Discute-se muito o Bolsa Família do ponto de vista ético — dar dinheiro a quem não trabalha — mas costuma-se esquecer que o aspecto mais impactante do Bolsa Família sobre a dinâmica da economia como um todo não tem a ver com seu suposto caráter redistributivo (de dar um dinheirinho extra para as pessoas que ganham pouco), mas sim com seu caráter libertário: receba e gaste como quiser!</p>
<p>Este é o ponto fundamental: gaste como quiser (desde que mantenha os filhos na escola). Vejamos as consequências macroeconômicas disso em dois contextos.</p>
<p>Desde a posse de Lula, o crescimento foi maior no Nordeste do que em qualquer outra região do Brasil. Por quê? Porque o Bolsa Família monetizou a economia do Nordeste e fez com que passasse a haver negócios onde antes não havia nada. Estimulou o crescimento de um capitalismo básico no qual milhões de recebedores têm total liberdade para escolher, sem que ninguém lhes diga como vão gastá-lo.</p>
<p>Quando fazem escolhas no livre mercado, pessoas movimentam a base do sistema capitalista: criam-se negócios porque empreendedores recebem sinais de que alguns tipos de produtos e serviços são mais procurados, atendem melhor à clientela (que aliás não existia antes), vendem e fabricam mais, aumentando o bem-estar de todos e gerando mais impostos.</p>
<p>Cada um utilizar o dinheiro com total liberdade, como bem lhe aprouver, afeta positivamente todas as etapas do ciclo econômico capitalista, e beneficia tanto os mais pobres quanto os mais ricos. Se olharmos o Bolsa Família desse ponto de vista, o copo não está meio vazio. Está meio cheio.</p>
<p>Na crise, o governo Obama entrou pelo caminho oposto na hora de lidar com a crise que estourou em 2009. Em vez de reaquecer a economia reduzindo impostos e estimulando o livre consumo, o governo pegou o dinheiro de todos e o distribuiu entre um punhado de bancos (o apoio aos bancos começou com o Bush, é verdade) e empresas que fizeram o melhor <em>lobby</em>.</p>
<p>Intervencionistas, os burocratas decidiram que bancos e empresas deveriam receber o dinheiro dos pagadores de impostos. Não funcionou, e não vai funcionar, porque esse sistema favorece as empresas mais ineficientes na gerência e na produção, premiando quem tem os melhores lobistas.</p>
<p>No Brasil, o governo fez parecido, mas de maneira um pouco menos injusta: privilegiou alguns setores (principalmente o automobilístico e da chamada linha branca), mas concedeu aos cidadãos o direito de, pelo menos, escolher a que fabricante e/ou revendedor ele daria o seu dinheiro, comprando seu veículo ou seu eletrodoméstico com isenção de impostos.</p>
<p>No Brasil, apesar dessas isenções, a arrecadação desses impostos subiu. Ou seja: baixar o imposto aumenta a arrecadação. Com preços mais baixos, mais pessoas compram mais. É a diferença entre o modelo Daslu e o modelo Lojas Marisa.</p>
<p>Ainda falta bastante para a burocracia e os políticos reduzirem seu apetite pelo nosso dinheiro e sua tentação de corromper-se, até aprenderem que imposto baixo aumenta a satisfação geral, e preserva a liberdade individual quanto ao uso do próprio dinheiro. Isso aumenta a arrecadação, dinamiza a economia, torna as pessoas mais felizes e maltrata menos os pobres.</p>
<p>O governo argumenta que inventou o Bolsa Família. Potoca. Os tucanos já o usavam no governo Fernando Henrique. Chamava-se Bolsa Escola. É sempre bom lembrar que o Senador Eduardo Suplicy (que chateia com isso mais gente do que dez elefantes) está certo: a linhagem do Bolsa Família é muito mais liberal do que intervencionista. Veio da Inglaterra, de Juliet Rhys-Williams, política liberal inglesa, e foi retomada na década de 1960 por Milton Friedman, papa da escola liberal de Chicago.</p>
<p><em>* Publicado originalmente em 08/02/2010.</em></p>
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		<title>Capitalismo de compadres</title>
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		<pubDate>Wed, 08 May 2013 11:30:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Luiz Mauad</dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma cena no novo filme de Michael Moore, <em>Capitalism: a love story</em>, em que o gorducho diretor e protagonista estaciona um carro-forte em frente a um desses grandes bancos que receberam ajuda financeira do governo durante a crise e avisa que veio exigir a devolução do dinheiro dos pagadores de impostos (contribuintes) americanos.</p>
<p>Esta é a imagem que as pessoas têm do capitalismo ao redor do mundo, um sistema que privilegia as grandes corporações em detrimento de todo resto. Moore não está muito errado no seu diagnóstico a respeito do capitalismo praticado atualmente na maioria dos lugares. Seu erro está provavelmente na solução: sua receita é dar mais poder e dinheiro aos governos, algo análogo a tentar curar um viciado com doses maciças de droga.</p>
<p>Existem duas maneiras de um empreendedor tornar-se bem sucedido nos negócios. Na primeira, ele deve produzir bens ou serviços que atendam aos interesses do consumidor, gerando resultados desejáveis para a sociedade. Na outra, utiliza-se de meios políticos para obter do governo variadas vantagens para o seu negócio.</p>
<p>Com muita frequência, os maiores oponentes do sistema capitalista de livre mercado não são os socialistas empedernidos, como Michael Moore, que pouca gente leva a sério depois da queda do Muro de Berlim. Seus verdadeiros inimigos são líderes empresariais que, em público, não se cansam de enaltecer as virtudes da competitividade e do liberalismo, enquanto tentam, por baixo dos panos, extinguí-las em seus próprios benefícios, principalmente através do favorecimento contínuo da intervenção estatal na economia. Eles sabem que os governos costumam ser muito mais eficientes na hora de atender aos reclamos de lobbies bem organizados e articulados do que propriamente para gerir os dinheiros públicos no interesse geral.</p>
<p>Numa notável ilustração do potencial de rentabilidade disso que se convencionou chamar de capitalismo de compadres, um estudo concluído recentemente nos Estados Unidos descobriu que a aprovação de uma única lei de renúncia fical provocou lucros da ordem de US$220 para cada US$1 “investido” em lobby pelas empresas interessadas &#8211; uma taxa de retorno de 22.000%. <a href="http://www.news.ku.edu/2009/april/9/taxlobbying.shtml">O trabalho, realizado por três pesquisadores da Universidade de Kansas</a>, revela em cores vivas por que o lobby (que nos EUA é uma atividade lícita) tornou-se uma indústria que movimenta US$3 bilhões por ano só na capital americana, <a href="http://www.opensecrets.org/lobby/index.php">tendo praticamente dobrado a sua movimentação do ano 2000 para cá</a>.</p>
<p>Normalmente, é muito difícil medir os benefícios financeiros do “lobby” político, embora todos saibam que ele é imensamente lucrativo. Não por acaso, as grandes empresas têm apostado cada vez mais dinheiro nele. E assim será enquanto as nações continuarem colocando quantidades crescentes poder e recursos nas mãos dos governos, além de autorizar que interfiram cada vez mais na economia.</p>
<p>Num ambiente que incentive a troca de favores, mesmo aqueles empresários que talvez preferissem manter distância da política acabam sendo jogados na prostituição, ainda que em legítima defesa. Antes de 1998, Bill Gates não tinha um só lobista em Washington D.C, além de estar afastado das famigeradas doações partidárias. Porém, teve que mudar de atitude quando o governo quase destruiu sua empresa, através de um processo bilionário de “concorrência predatória”. Desde então, Gates mantém um verdadeiro exército de lobistas, consultores e advogados, além de ter-se tornado <a href="http://www.opensecrets.org/orgs/summary.php?id=D000000115">um dos mais generosos “doadores” políticos do país</a>.</p>
<p>Sempre que os governos detiverem poder tanto para levar empresários à fortuna quanto à ruína, será quase impossível escapar do compadrio político. A exemplo da Microsoft, muitas empresas acabam concluindo que é necessário proteger-se, não só da sanha regulatória dos governos, mas também de seus concorrentes, frequentemente dispostos a utilizar os “bons serviços” políticos para enfraquecer os oponentes.</p>
<p>Tocar um negócio num sistema competitivo não é algo fácil e envolve imensos riscos. Obter benesses e contratos altamente lucrativos junto a políticos e burocratas é muito mais fácil e seguro. Quanto maior e mais poderoso é o governo, especialmente quando o Estado se confunde com o próprio sistema econômico, mais os empresários sentem-se incentivados a buscar rendas através do desvio de dinheiro público e dos favores especiais (rent-seeking).</p>
<p>Portanto, ao contrário do que pensam Michael Moore e muitos outros, é preciso cortar o fornecimento da droga, não aumentar a dosagem.</p>
<p><em>* Publicado originalmente em 18/11/2009.</em></p>
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		<title>Um para você, um para mim</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2013 17:49:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magno Karl</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Burocracia]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_2ipC0B-nxVs/S7s6qf9FRQI/AAAAAAAAATw/YCqHYxTnv70/S250/brasil-suecia2.jpg" width="216" height="151" /></p>
<p>Impostos indiretos, políticas industriais criadoras de <i>campeões nacionais</i> e a remuneração de funcionários públicos muito acima da remuneração equivalente à função nas empresas privadas. Atividades concentradoras de renda que parecem a um modelo de Estado que, ao menos em tese, visa aliviar o sofrimento dos mais pobres.</p>
<p>Baseada em um estudo de pesquisadores do IPEA, a revista Exame <a href="http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1038/noticias/e-o-estado-piora-esta-diferenca?page=1" target="_blank">publicou uma matéria</a> que logo em seu título diz o que os leitores desse blog já devem desconfiar há tempos: boa parte da <em>desigualdade</em> é derivada da ação do governo.</p>
<blockquote><p>Estamos na 73ª posição no ranking de desigualdade das Nações Unidas, com indicadores de 134 países. O governo brasileiro até se propõe a atuar para dividir melhor o bolo. Mas parte da dificuldade em diminuir diferenças está no fato de que o Estado ajuda a provocar a desigualdade que se propõe a combater.</p>
<p>A conclusão é dos pesquisadores Marcelo Medeiros e Pedro Souza, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No artigo “Gasto público, tributos e desigualdade de renda no Brasil”, eles mostram que a ação estatal responde por um terço da concentração de renda no Brasil.</p>
<p>O estudo analisou o Índice de Gini, criado pelo italiano Corrado Gini, em 1912, para medir a concentração de renda. Em 2009, o índice brasileiro era de 0,561, numa escala que vai de zero (mais igual) a 1 (mais desigual). Os pesquisadores criaram uma fórmula para descobrir os elementos que ajudam a concentrar e a distribuir a riqueza do país.</p></blockquote>
<p>Há duas semanas, incluí numa postagem um link para um <a href="http://prosaeconomica.com/2013/04/11/carga-tributaria/" target="_blank">artigo no Prosa Econômica</a> que demonstra o impacto regressivo da carga tributária brasileira. Em razão dos impostos indiretos, aqueles que ganham até 2 salários mínimos pagam quase metade dos seus rendimentos em impostos.</p>
<p>Aspiramos que nossos pobres vivam como vivem os pobres suecos e dinamarqueses e, para que logo se acostumem, começamos por impor-lhes uma carga tributária escandinava.</p>
<p>Para o bem dos pobres, o Estado brasileiro se apropria de quase metade do que ele consegue ganhar. Eu não sei qual é a sua ideia de sociedade justa ou modelo de estado, mas aposto que você vê pouca justiça no cenário atual. Certo?</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Valores acima da política</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2013 12:04:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Sette-Câmara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Política]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologias]]></category>
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		<description><![CDATA[Ainda que eu certamente não seja monarquista, não deixo de me admirar com a cena do filme A rainha em que Tony Blair será confirmado pela monarca britânica como primeiro-ministro. Ela logo o coloca em seu lugar, dizendo que já confirmou diversos ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda que eu certamente não seja monarquista, não deixo de me admirar com a cena do filme <em>A rainha</em> em que Tony Blair será confirmado pela monarca britânica como primeiro-ministro. Ela logo o coloca em seu lugar, dizendo que já confirmou diversos primeiros-ministros, e que o primeiro foi Winston Churchill. A política passa; o Estado permanece. Não que o Estado, como todas as criações do homem, não vá passar também um dia. Apenas se assinala que a política não é tudo. Nem, talvez, muita coisa. Ao menos não deveria ser. E nós, cidadãos privados, devemos ouvir com extremo ceticismo as palavras dos políticos profissionais que querem revestir a política de pretensões totalizantes. Nem mesmo o Estado é tudo; a política do dia-a-dia, então, deveria ser pó.</p>
<p>Foi nisso que pensei ao ler na última sexta os trechos do <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1351275&amp;seccao=Maria%20Jos%E9%20Nogueira%20Pinto&amp;tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco”">artigo de Maria José Nogueira Pinto</a> destacado pelo <a href="http://cesarmaia.blogspot.com/">ex-blog de Cesar Maia</a>. Eis o segundo parágrafo:</p>
<blockquote><p>Foi esta decadência das ideologias que arrastou uma decadência dos valores e a questão que, apesar de tudo, permanece é a de saber se sem convicções e sem valores pode haver, verdadeiramente, luta política ou, mesmo, política. Como podemos resignar-nos a uma política assepticamente não ideológica, não valorativa, sem princípios objectivos, sem convicções?</p></blockquote>
<p>Aquela velha lenga-lenga do fim das ideologias que simplesmente ignora que o povão nunca teve ideologia. Ou o povo é religioso, ou não está nem aí. O fim da União Soviética não significou nada para a vasta maioria da população brasileira. Isso pode ter obrigado algumas pessoas de esquerda a repensar algumas coisas. Elas, é claro, transformam sua crise pessoal numa crise universal.</p>
<p>Além disso, não foi a decadência das ideologias que “arrastou uma decadência dos valores”. Foi o crescimento das ideologias que atacavam os valores tradicionais que, bem, levou a uma certa decadência desses valores tradicionais. As primeiras feministas acreditavam estar libertando a mulher. Agora, suas filhas valem-se da promiscuidade sem ônus social enquanto as mães reclamam da “decadência dos valores”. Não é uma questão de ser contra ou a favor dessas coisas, mas apenas de juntar a com b. Se uma geração de feministas luta para que a variedade de — para usar termos do Ministério da Saúde — parceiros sexuais não provoque cara feia em ninguém, por que reclamam que suas filhas simplesmente se aproveitem disso?</p>
<p>Penso que esses revolucionários d’antanho perceberam &#8211; não vão admitir &#8211; que o prestígio da transgressão não pode ser mantido por décadas a fio. O amor livre poderia ser glamuroso e romântico nos anos 1960. Graças a ele, temos as micaretas. O ano inteiro. Ingenuamente, aquelas pessoas achavam que a destruição do tal do patriarcado traria um mundo novo de dignidade e respeito. Mas o único resultado foi a Ivete Sangalo.</p>
<p>Igualmente, após a esquerda ter afirmado tanto, e tão insistentemente, que não havia certo e errado, que essas noções eram apenas maneiras de manipular as pessoas, por que alguém deveria ficar admirado que a política do dia-a-dia tenha ficado “assepticamente não ideológica, não valorativa, sem princípios objectivos, sem convicções”?</p>
<p>Volta e meia ouvimos pessoas como a Sra. Maria José Nogueira Pinto falando de como a humanidade “precisa de suas grandes utopias coletivas”. Precisa nada. Quem precisa disso é ela. Os amigos dela. Meia dúzia de professores universitários que julgam que nessa utopia teriam um salário melhor e trabalhariam menos. O negócio é que as tais utopias perderam o prestígio. Solapados os valores tradicionais, a URSS caiu, o muro de Berlim caiu, a China vai-se abrindo lentamente, e a Sra. Maria José Nogueira Pinto já não passa muito bem. Pode a política ter valores? Mas foram pessoas como a Sra. que de um lado derrubaram os valores que eram maiores do que a política, enquanto propunham uma visão política totalizante que, quando posta em prática, foi o mais assombroso e horripilante aborto da História.</p>
<p>Vamos lá, Sra. Maria José Nogueira Pinto. Vamos lá, Sr. Cesar Maia. Políticos do mundo, abri os ouvidos. Há valores maiores do que a política. O homem tem direitos naturais (caso a expressão “direitos dados por Deus” ofenda sua sensibilidade) à vida, à propriedade (isto é, à manutenção da vida). O papel dos políticos não é competir com o passado, nem com o futuro, nem com os outros políticos do presente para ver quem conseguirá dirigir a sociedade de maneira mais duradoura. O papel dos políticos é estar a serviço da aplicabilidade desses valores que sempre existirão, e não de tentar criar resultados sociais, e muito menos de inventar um mundo novo. Se não há uma rainha Elizabeth II que possa colocá-los no devido lugar, se eles não creem em Deus, que ao menos olhem para suas consciências, e percebam que o bem comum é muito mais precioso do que a vaidade de seus egos obesos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>* Publicado originalmente em 13/09/2009.</em></p>
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		<title>Ian Vasquez entrevista Yoani Sanchez</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Apr 2013 14:40:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magno Karl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As últimas reformas do governo cubano trataram de legalizar o que já ocorria e não poderiam impedir de acontecer, explica a jornalista Yoani Sanchez em entrevista a Ian Vasquez, diretor do Centro para a Liberdade e Prosperidade Global do Cato ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As últimas reformas do governo cubano trataram de legalizar o que já ocorria e não poderiam impedir de acontecer, explica a jornalista Yoani Sanchez em entrevista a Ian Vasquez, diretor do Centro para a Liberdade e Prosperidade Global do <a href="http://www.cato.org/">Cato Institute</a>.</p>
<p>Sanchez fala sobre as mudanças que permitiram que ela e outros dissidentes cubanos deixassem a ilha e visitassem diversos países, <a href="http://www.ordemlivre.org/2013/02/por-que-a-esquerda-brasileira-odeia-yoani-sanchez/">inclusive o Brasil</a>, sobre o plano de reformas promovido por Raul Castro, e a hipocrisia dos países democráticos que escolhem ignorar as práticas antidemocráticas do governo cubano.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/QndlScrVpvY" height="315" width="560" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p>Entrevista realizada em espanhol. Se preferir assistí-la dublada em inglês, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=-tTfejGCCro" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
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		<title>Corte de gastos: comecemos por onde ninguém está vendo</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Apr 2013 21:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magno Karl</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Ninguém gosta de pagar impostos. Houve um tempo em que a oposição brasileira recorria ao STF para impedir o aumento de impostos. O problema, porém, é que raramente políticos indicam quais serviços públicos seriam cortados. O argumento do aumento da ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" alt="" src="http://radioflyer1980.files.wordpress.com/2009/06/static-tv.jpg" width="210" height="180" /></p>
<p>Ninguém gosta de pagar impostos. Houve um tempo em que <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,oposicao-vai-ao-stf-contra-aumento-de-impostos,105146,0.htm">a oposição brasileira recorria ao STF para impedir o aumento de impostos</a>. O problema, porém, é que raramente políticos indicam quais serviços públicos seriam cortados. O argumento do <i>aumento da eficiência nos gastos </i>costuma salvá-los de revelar quais serviços reduziriam ou extinguiriam.</p>
<p>Para aqueles poucos que estão verdadeiramente interessados em indicar uma área a ser cortada, o <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,oposicao-vai-ao-stf-contra-aumento-de-impostos,105146,0.htm" target="_blank">Estado de São Paulo publicou hoje uma boa dica</a>: o governo federal gasta anualmente 900 milhões de reais com a TV Brasil, com a NBR e com assessorias de imprensa.</p>
<blockquote><p>Os gastos crescentes com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e o uso cada vez mais comum de serviços terceirizados de assessoria de imprensa nos órgãos públicos criaram nos últimos anos uma máquina estatal de informações que emprega mais de 3.600 profissionais e cujos gastos anuais giram em torno de R$ 900 milhões.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>O projeto mais ousado do governo refere-se ao primeiro eixo da estrutura de comunicação estatal: a criação de uma rede pública de informações.</p>
<p>A EBC foi criada há seis anos, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a fusão das antigas Radiobrás e TVE-Brasil &#8211; esta com sede no Rio. Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) à época, Franklin Martins dizia que a rede serviria para se contrapor à &#8220;grande mídia&#8221;.</p>
<p>Nessa meia década, o sinal da TV Brasil, que emprega 479 funcionários, chega a 61% da população, com 7 emissoras próprias e 45 afiliadas. A audiência, porém, é baixa. Em 2012, a preferência pelo canal na Grande São Paulo variou de 0,06 a 0,11 ponto no Ibope.</p></blockquote>
<p>Mesmo que aceitemos o argumento – feito com ressalvas – de Eugenio Bucci, ex-presidente da Radiobrás e colunista do Estadão, de que a função da televisão pública não é viver da “tirania da audiência”, mas produzir programas educativos, culturais etc., a falta de interessados na programação da TV Brasil deveria soar algum alarme no governo. A não ser que não vejam problema algum em recolher recursos dos bolsos dos contribuintes para produzir programas nos quais esses mesmos contribuintes, comprovadamente, não têm nenhum interesse.</p>
<p>Se oposição precisar justificar a defesa da redução de impostos com o corte de algum serviço, ela poderia começar pela rede de televisão estatal. Os números mostram que quase ninguém perceberia a diferença.</p>
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		<title>A Venezuela de Maduro</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 13:08:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magno Karl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Apesar de Nicolas Maduro ter sido proclamado vencedor das eleições presidenciais venezuelanas realizadas no último domingo, a pequena margem entre a votação dos candidatos devem abalar permanentemente o chavismo. Denúncias de irregularidades e o conflito violento entre manifestantes e a polícia podem trazer ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" alt="" src="http://exame3.abrilm.com.br/assets/images/2013/3/135808/size_590_O_vice-presidente_da_Venezuela_Nicol%C3%A1s_Maduro_fala_com_apoiadores_de_Hugo_Ch%C3%A1vez.jpg?1362775169" width="248" height="186" /></p>
<p>Apesar de Nicolas Maduro ter sido proclamado vencedor das eleições presidenciais venezuelanas realizadas no último domingo, a pequena margem entre a votação dos candidatos devem abalar permanentemente o <i>chavismo</i>. Denúncias de irregularidades e o <a href="http://www.publico.pt/mundo/noticia/maduro-oficialmente-proclamado-presidente-da-venezuela-1591426#/0">conflito violento entre manifestantes e a polícia</a> podem trazer ainda mais problemas ao país que, apesar de seu presidente afirmar ser o continuador de uma revolução, entregou mais de 49% dos votos ao candidato oposicionista.</p>
<p>“Há várias denúncias de irregularidades”, afirma Juan Carlos Hidalgo, Coordenador de Projetos para a América Latina do Cato Institute, <a href="http://www.cato.org/multimedia/daily-podcast/chavismo-without-chavez">num podcast do instituto</a>. “Depois que as urnas fecharam no domingo, forças de segurança tiraram das seções eleitorais cédulas que ainda não tinham sido apuradas e capangas armados impediram que as pessoas participassem da contagem dos votos.”</p>
<p>Hidalgo se diz satisfeito com a posição dos Estados Unidos e Canadá, que pediram a recontagem dos votos, mas esperava uma posição diferente dos países da América do Sul, que se apressaram em reconhecer o candidato chavista como o vencedor - <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/104096-brasil-reconhece-vitoria-de-maduro-na-venezuela.shtml" target="_blank">principalmente do Brasil</a>.</p>
<p><iframe src="http://www.cato.org/longtail-iframe/node/45887/field_longtail_player/0" height="360" width="640" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p>Em <a href="http://g1.globo.com/mundo/hugo-chavez/noticia/2013/04/resultado-na-venezuela-aumenta-polarizacao-no-pais-dizem-analistas.html">análise para o G1</a>, <a href="http://www.ordemlivre.org/tag/diogo_costa/">Diogo Costa</a> lembrou que apesar das denúncias de fraudes serem constantes em eleições na Venezuela, a diferença de menos de 230 mil votos no resultado dessa votação faz com que essas denúncias sejam mais sérias. Fraudes têm mais chances de decidirem eleições com resultados apertados, como a do último domingo:</p>
<blockquote><p>A grande diferença agora é que a margem é tão pequena que a irregularidade pode fazer diferença. Mas apenas essa possibilidade já mostra que a Venezuela já está vivendo um outro paradigma, não é mais o paradigma chavista. Agora existem possibilidades viáveis de a oposição se organizar contra o Chávez. Mas essa batalha é menos uma batalha legal do que uma batalha política</p></blockquote>
<p>Parece provável que o resultado de domingo não será modificado. A boa parte dos países já reconhece Maduro como presidente e, como destaca Hidalgo, a manifestação dos EUA em favor da recontagem poderá acabar sendo contra produtiva para os esforços da oposição.  Além disso, há inúmeras denúncias de <a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/04/maduro-e-proclamado-presidente-da-venezuela-policia-e-oposicao-se-enfrentam-1.html">cédulas que já teriam sido destruídas</a>, o que efetivamente impossibilitaria a recontagem. A realidade, porém, é que Maduro enfrentará um país bem diferente daquele de Hugo Chávez.</p>
<p>O discurso de um governo revolucionário, apoiado pelos pobres e rejeitado apenas pelos ricos, está morto. Não é difícil imaginarmos que a maior parte dos 49% dos eleitores que votaram em Capriles seja composta por venezuelanos pobres. Importante também são os centenas de milhares de eleitores que há alguns meses votaram em Chávez, mas que dessa vez escolheram Capriles.</p>
<p>Após o anúncio do resultado das eleições, Maduro adotou um discurso conciliador. Resta sabermos se o governo caminhará para o centro com o <a href="http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2013/04/17/interna_internacional,372466/violencia-pos-eleicao-mata-sete-e-fere-61.shtml">acirramento dos conflitos</a> na Venezuela ou se Maduro <a href="http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/maduro-acusa-eua-de-financiarem-violencia-pos-eleitoral">continuará a culpar os Estados Unidos pela violência no país</a> e a acreditar que lidera uma revolução.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O paradoxo das esquerdas</title>
		<link>http://www.ordemlivre.org/2013/04/o-paradoxo-das-esquerdas-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 15 Apr 2013 10:24:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Luiz Mauad</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[O tempo passa, as sociedades evoluem, as ideias se renovam, mas há coisas que não mudam jamais. O ódio das esquerdas ao livre mercado, por exemplo, é uma delas. Esse ódio, entretanto, tem contornos extremamente contraditórios, pois parte daqueles que, ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O tempo passa, as sociedades evoluem, as ideias se renovam, mas há coisas que não mudam jamais. O ódio das esquerdas ao livre mercado, por exemplo, é uma delas. Esse ódio, entretanto, tem contornos extremamente contraditórios, pois parte daqueles que, pelo menos da boca para fora, se intitulam defensores dos fracos e dos oprimidos. Afinal, o capitalismo tem como principal virtude oferecer produtos e serviços de forma abundante e a preços accessíveis, transformando os consumidores de baixa-renda nos seus principais beneficiários.</p>
<p>Peguemos, por exemplo, a fúria dos ungidos¹ contra o Walmart. A acusação mais frequente a esse maldito conglomerado — que insiste em vender mais barato que a concorrência — é de que ele paga salários muito baixos aos seus empregados, além de não conceder certos benefícios extras, “exigidos” por sindicatos de trabalhadores. A ladainha é a mesma de sempre: o capitalista ganancioso explora o trabalhador indefeso, pagando-lhe salários injustos.</p>
<p>O que os ungidos nunca dizem é que a empresa da Família Walton costuma empregar muitos jovens, sem qualquer experiência profissional anterior, e idosos, que trabalham para complementar suas aposentadorias. “Esquecem” ainda que, se esses indivíduos não estivessem trabalhando para o Walmart, estariam provavelmente engordando os índices de desemprego, já que em qualquer país livre, como os EUA e outros onde o WM está instalado, ninguém pode obrigar os demais a trabalhar. Os contratos são atos voluntários entre as partes e, portanto, se existe gente interessada em vender serviços a um patrão ganancioso e malvado, é porque as alternativas certamente seriam piores. Porém, nada disso importa diante do indefectível argumento da exploração do trabalhador pelo bicho-papão capitalista, que dá origem à não menos famosa e estapafúrdia teoria da luta de classes, sofisma marxista subjacente à maioria das críticas ao processo capitalista.</p>
<p>A ciência econômica é, frequentemente, contraintuitiva (oposta ao senso comum) e, por isso, quase sempre mal compreendida pela maioria das pessoas (muito por culpa dos próprios economistas, que fazem questão de torná-la ininteligível para os reles mortais). A vanguarda do atraso se vale exatamente dessa dificuldade cognitiva para espalhar desinformação e, de quebra, todas as falácias que lhes interessam.</p>
<p>Ludwig Von Mises foi um dos economistas que fugiu à regra acima. No seu monumental <a href="”http://ordemlivre.org/ebooks/Ludwig+von+Mises+-+A%C3%A7%C3%A3o+Humana”"><em>Ação Humana</em></a>, ele discute o tema do trabalho de forma brilhante e exaustiva, explicando detalhadamente como e porque a labuta só é preferível ao ócio (termo usado aqui no sentido de “não-trabalho”) até onde o produto daquela é mais urgentemente desejado do que satisfação gerada por este. O homem, ao considerar o esforço físico, mental ou psicológico do trabalho, avalia não somente se haveria um fim mais desejável para o emprego de suas energias, mas também, e não menos, se não seria mais conveniente e satisfatório abster-se dele. O ócio seria, portanto, “objeto da ação intencional do ser humano”, ou, nas palavras do autor, um “bem econômico de primeira ordem”, enquanto o trabalho é somente um dos meios utilizados para alcançá-lo.</p>
<p>Qualquer que seja o nível de renda, portanto, a maioria dos homens estará propensa a largar o trabalho no ponto em que não mais considere a sua utilidade como compensação suficiente para o desconforto gerado por ele. Por esse mesmo raciocínio, se houver alguém disposto a pagar para que não façamos nada, o produto do trabalho terá que ser bem mais alto e, consequentemente, compensador, para que nos disponhamos a abandonar o ócio remunerado (vide o resultado de programas como seguro-desemprego, Bolsa-Família e congêneres na oferta de mão-de-obra).</p>
<p>Esta lição simples é constantemente negligenciada pelos ungidos ao vomitar sobre nós os seus sofismas econômicos. Malgrado a fantasia marxista da “mais valia” já tenha sido sobejamente desmentida por inúmeros economistas, a imagem apresentada ao público continua sendo a de que as grandes corporações se beneficiam dos baixos salários pagos aos funcionários ou, em palavras mais exatas, que o capital é o grande vilão do trabalho.</p>
<p>Não é outra a razão por que essa gente é contrária a qualquer avanço econômico ou tecnológico. No passado, espernearam contra inovações que melhoraram muito a vida do ser humano em geral, como a linha de montagem e a mecanização industrial. Hoje, combatem a robótica, os computadores e tudo quanto possa aumentar a produtividade de um trabalhador. Aqui no Brasil, por exemplo, os ungidos lutam contra o agro-negócio e defendem a volta de uma extemporânea agricultura familiar.</p>
<p>O rancor provocado pelo Walmart nos ungidos só pode estar ligado a um latente inconformismo com o fato de que ele consiga abastecer o mercado de forma eficiente, abundante e econômica, algo que as suas utopias socialistas jamais conseguiram. O êxito do WM está diretamente relacionado aos preços baixos que pratica, os quais beneficiam milhões de consumidores, especialmente de baixa renda. Estivessem os ungidos realmente em sintonia com os seus discursos e preocupados com os mais pobres, deveriam ser os primeiros a desejar-lhe vida longa e próspera. No entanto, o sucesso de empresas como esta representa um perigo real para todos aqueles que ainda insistem em enxergar o capitalismo como algo nocivo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Nota</strong></p>
<p><a name="”Nota1”"></a>[*] Uma gente que “acredita estar de posse de alguma sabedoria especial capaz de fazer do mundo um lugar melhor”. (Thomas Sowell, em <a href="”http://www.amazon.com/Vision-Anointed-Self-Congratulation-Social-Policy/dp/046508995X”">The Vision of The Anointed: Self-Congratulation as a Basis for Social policy</a>)</p>
<p>&nbsp;</p>
<div><em>* Publicado originalmente em 26/08/2010.</em></div>
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