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	<title>Ordem Livre &#187; Privatização</title>
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		<title>Privatizem a Petrobras!</title>
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		<pubDate>Wed, 15 May 2013 11:18:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Constantino</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Meio ambiente & recursos naturais]]></category>
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		<description><![CDATA[A Petrobras possui controle estatal, mas tem capital misto, com milhares de investidores brasileiros e estrangeiros. O uso político da estatal tem custado cada vez mais a esses investidores, cujos interesses são ignorados pelo governo. O prejuízo divulgado na sexta ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Petrobras possui controle estatal, mas tem capital misto, com milhares de investidores brasileiros e estrangeiros. O uso político da estatal tem custado cada vez mais a esses investidores, cujos interesses são ignorados pelo governo. O prejuízo divulgado na sexta é mais uma prova disso.</p>
<p>O governo mantém o preço dos combustíveis defasado para segurar a inflação, afetando negativamente o lucro da empresa. Além disso, ele demanda grande participação de fornecedores nacionais nos bilionários investimentos da estatal, o que custa mais e atrasa o cronograma. É o uso da empresa para a política industrial de governo, que já arrecada bilhões em royalties e impostos.</p>
<p>Infelizmente, quando o assunto é Petrobras o debate fica tomado pela emoção, sem espaço para argumentos racionais. A esquerda estatizante e a direita nacionalista se unem ideologicamente, alimentadas por muitos interesses obscuros em jogo, e repetem em uníssono que o setor é “estratégico”. A Embraer, a Telebrás e a Vale também eram “estratégicas”.</p>
<p>Ora, justamente por ser estratégico o setor deveria ser retirado da gestão politizada, ineficiente e corrupta do governo. A exploração do petróleo começou pela iniciativa privada nos Estados Unidos. Desde a primeira prospecção de Edwin Drake em 1859, na Pensilvânia, o setor viu um crescimento incrível com base na competição de várias empresas privadas. O Canadá também conta com dezenas de empresas privadas atuando no setor.</p>
<p>Por outro lado, países como Venezuela, México, Irã, Arábia Saudita, Nigéria e Rússia possuem estatais controlando a exploração de petróleo. Ninguém ousaria dizer que isto fez bem para seus respectivos povos, vítimas de regimes autoritários.</p>
<p>O brasileiro paga uma das gasolinas mais caras do mundo, o país ainda precisa importar derivados de petróleo após décadas de sonho com a autossuficiência, a estatal é palco de diversos escândalos de corrupção, mas muitos ainda repetem, inflando o peito, que “o petróleo é nosso”. Nosso de quem, cara-pálida?</p>
<p>O crescimento da produção de óleo e gás da Petrobras desde que o PT assumiu o governo foi medíocre: somente 2,4% ao ano. Trata-se de um resultado lamentável após tantos bilhões investidos, inclusive com financiamento do BNDES.</p>
<p>A Petrobras, que tinha R$ 26,7 bilhões de dívida líquida em 2007, terminou o primeiro semestre de 2012 devendo mais de R$ 130 bilhões. O endividamento sobe em ritmo acelerado por conta de seu gigantesco programa de investimentos, mas nem os investidores nem os consumidores se beneficiam disso.</p>
<p>A rentabilidade da Petrobras é uma das menores do setor. Seu retorno sobre patrimônio líquido não chega a 10%, metade da média de seus pares internacionais. Os investidores acusam o golpe, e as ações da Petrobras apresentam um dos piores desempenhos no mundo.</p>
<p>Desde 2009, suas ações caíram 5%, enquanto o Ibovespa subiu mais de 40% e a Vale mais de 50%. É o governo destruindo o valor da poupança de milhares de pessoas, incluindo todos que utilizaram o FGTS como instrumento para apostar na empresa.</p>
<p>Por que não há maior revolta então? Por que não há mobilização pela privatização da Petrossauro, como a chamava Roberto Campos? Parte da resposta é o fator ideológico já citado. Outra parte diz respeito a enorme quantidade de grupos de interesse que mamam nas tetas da estatal.</p>
<p>Seus 80 mil funcionários custaram para a empresa mais de R$ 18 bilhões em 2011, ou quase R$ 20 mil mensais por empregado. Claro que muitos merecem o que ganham, mas como negar o uso da estatal como cabide de emprego para os “amigos do rei”?</p>
<p>Fornecedores nacionais ineficientes ou corruptos também agradecem, pois não precisam competir abertamente no livre mercado. O caminho até a estatal muitas vezes é outro, como comprova o caso do Silvinho “Land Rover”, o ex-secretário do PT que ganhou um carro importado de uma empresa fornecedora da estatal.</p>
<p>Artistas e cineastas engajados da “esquerda caviar” também aplaudem a estatal, que destinou mais de R$ 650 milhões para patrocínios culturais de 2008 a 2011. Isso sem falar de blogueiros “chapa-branca”, que recebem gordas verbas da estatal. A lista é longa.</p>
<p>Os políticos, então, nem se fala. Quem esqueceu Severino Cavalcanti negociando à luz do dia, em nome da “governabilidade”, aquela diretoria que “fura poço”? O ex-presidente Lula era outro que adorava usar a Petrobras para seus fins políticos em parceria com Hugo Chávez.</p>
<p>Só há uma maneira eficaz de acabar com esta pouca vergonha que tem custado tão caro aos investidores da empresa: sua privatização!</p>
<p><em>* Publicado originalmente no jornal O Globo. Republicado no OrdemLivre em 08/08/2012.</em></p>
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		<title>Parcerias do público para o privado</title>
		<link>http://www.ordemlivre.org/2013/03/parcerias-do-publico-para-o-privado/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Mar 2013 19:13:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diogo Costa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<description><![CDATA[Luigi Zingales traça a seguinte analogia em Capitalism for the People: O problema com muitas Parcerias Público-Privadas [PPPs] foi melhor capturado por um comentário que George Bernard Shaw fez sobre uma bela bailarina. Ela havia proposto que tivessem um filho juntos ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center">Luigi Zingales traça a seguinte analogia <span class="GINGER_SOFATWARE_correct">em</span> <a href="http://www.amazon.com/Capitalism-People-Recapturing-American-Prosperity/dp/0465029477">Capitalism for the People</a>:</p>
<blockquote><p>O problema com muitas Parcerias Público-Privadas [PPPs] foi melhor capturado por um comentário que George Bernard Shaw fez sobre uma bela bailarina. Ela havia proposto que tivessem um filho juntos para que a criança pudesse ter a inteligência do pai e a beleza da mãe. Shaw <span class="GINGER_SOFATWARE_noSuggestion GINGER_SOFATWARE_correct">recusou</span>. Tinha medo de que a criança fosse acabar com a inteligência da mãe e a beleza do pai. Da mesma maneira, parcerias público-privadas costumam acabar com os objetivos sociais do setor privado e a eficiência do setor público.</p></blockquote>
<p>Nas PPPs, o governo consegue privatizar o lucro e a empresa socializar as perdas – <em>capitalismo para os ricos/socialismo para os pobres</em> em seu melhor. E isso não ocorre por acidente; está previsto na legislação de concessões especiais. Nessa modalidade de PPP, o governo se compromete a investir dinheiro no projeto e a ser solidário com o fracasso do setor privado, cobrindo eventuais prejuízos.</p>
<p>Mas setor privado não é apenas uma categoria jurídica. É também e principalmente uma categoria econômica, referente às atividades <em>fundamentadas na propriedade </em><em></em><em>privada</em>. E com propriedades privadas vêm <a href="http://www.capitalismoparaospobres.com/?p=440">responsabilidades</a> privadas. Ter a propriedade de um carro responsabiliza o dono por qualquer dano que que ele cometa contra terceiros. Sem a possibilidade do prejuízo, o setor privado se define meramente pela posse de um CNPJ.</p>
<p><img class="alignright" alt="" src="http://www.shootforthehead.com/AdvHTML_Upload/walking-dead-zombies.jpg" width="216" height="144" /></p>
<p>O Brasil é o país do empresariado sem empreendedorismo. Ser um empreendedor é conviver com a possibilidade de fracassar. O erro de um servirá de lição para os próximos. Num capitalismo que funciona para todos, inclusive os pobres, são as escolhas dos consumidores que indicarão sucesso e fracasso do empreendedor.</p>
<p>As PPPs <span class="GINGER_SOFATWARE_correct">emburrecem</span>. Quando o governo promete cobrir perdas, ele está destruindo o processo de aprendizado por tentativa e erro. Está mantendo politicamente vivas empresas e projetos que já estão economicamente mortos. Se zumbis se alimentam de cérebros humanos, empresas zumbis, mantidas por subsídios, se alimentam do cérebro do mercado. Elas estão consumindo o processo de descoberta que permite ao capitalismo servir aos consumidores.</p>
<p>Mas estou sendo injustos com os zumbis. Só se transformam em zumbis aqueles quem eles conseguem morder. A <span class="GINGER_SOFATWARE_noSuggestion GINGER_SOFATWARE_correct">empresa</span> <span class="GINGER_SOFATWARE_correct">zumbi</span> <span class="GINGER_SOFATWARE_noSuggestion GINGER_SOFATWARE_correct">cria</span> <span class="GINGER_SOFATWARE_noSuggestion GINGER_SOFATWARE_correct">outros</span> <span class="GINGER_SOFATWARE_correct">zumbis</span> a distância. Quem não quer uma parceria com um governo que garante seu sucesso e ainda te repassa dinheiro de tributos? O que ocorre nessas PPPs é uma redistribuição de dinheiro dos pobres para o bolso dos ricos. É como se cem pobres ficassem sem suas casas cada vez que a mansão de um rico pegasse fogo. <span class="GINGER_SOFATWARE_correct">Os</span> <span class="GINGER_SOFATWARE_noSuggestion GINGER_SOFATWARE_correct">tijolos</span> dos <span class="GINGER_SOFATWARE_noSuggestion GINGER_SOFATWARE_correct">barracos</span> <span class="GINGER_SOFATWARE_noSuggestion GINGER_SOFATWARE_correct">seriam</span> utilizados para <span class="GINGER_SOFATWARE_noSuggestion GINGER_SOFATWARE_correct">reconstruir</span> a mansão. Nesse cenário, haveria mais mansões, mais desabrigados, e piores instalações elétricas para garantir a atividade das construtoras.</p>
<p>* Publicado originalmente no blog <a href="http://www.capitalismoparaospobres.com/?p=536" target="_blank"><em>Capitalismo Para <span class="GINGER_SOFATWARE_correct">Os</span> Pobres</em></a></p>
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		<title>Petróleo estatal, adeus Brasil verde</title>
		<link>http://www.ordemlivre.org/2013/02/petroleo-estatal-adeus-brasil-verde-2/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Feb 2013 15:35:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paralelamente a todas as discussões a respeito de meio ambiente, aquecimento global, desmatamento, etanol, biomassa, diesel vegetal, Al Gore, ONGs, Raposa Serra do Sol, generais da ativa e da reserva, pré-sal, faltou uma. Ela é a mais importante e pode ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Paralelamente a todas as discussões a respeito de meio ambiente, aquecimento global, desmatamento, etanol, biomassa, diesel vegetal, Al Gore, ONGs, Raposa Serra do Sol, generais da ativa e da reserva, pré-sal, faltou uma. Ela é a mais importante e pode ser uma boa explicação de por que, dificilmente, teremos carros elétricos ou uso intensivo de energias não baseadas em derivados de petróleo e/ou etanol no Brasil.</p>
<p>Se você, leitor, não adivinhou ainda, a resposta é simples: o governo brasileiro (qualquer que seja ele) é o maior interessado em que não se tenha nenhuma outra fonte de energia eficiente e lucrativa, porque ele é o único produtor de petróleo do Brasil. E a bancada sucroalcooleira é uma das maiores no Congresso Nacional.</p>
<p>A tecnologia e a pesquisa vão a reboque do governo, que tem, via Executivo e Legislativo, interesses constituídos muito poderosos, os quais não fazem a menor questão de que consumamos menos etanol ou petróleo. Ao contrário, quanto mais gastarmos desses combustíveis, mais felizes eles ficarão. Cada vez que usarmos outras energias, eles perderão dinheiro.</p>
<p>Não se iluda, leitor, não pense na Petrobrás perdendo dinheiro, pense no governo perdendo o dinheiro da Petrobrás.</p>
<p>A Petrobrás desconfia que haja muito petróleo abaixo da camada do pré-sal. Especula-se, no mercado, que a reserva se estenda muito mais ao longo do território brasileiro do que o que já foi divulgado até agora (a relação entre o governo dos EUA ter recriado a 4ª Frota no Atlântico Sul e as reservas ao longo da costa brasileira está aberta à sua especulação, leitor, aceito idéias e sugestões).</p>
<p>A Petrobrás é imprivatizável (desculpe, ministro Antonio Magri; obrigado, acadêmico Cândido Mendes) desde o governo Fernando Henrique. As pessoas se iludem achando que o Brasil ganha com a Petrobrás estatal. E tanto a Petrobrás quanto o seu dono, o governo, fazem de tudo para que continuemos a acreditar nisso. <span class="GRcorrect">Potoca</span>.</p>
<p>Ganham é os funcionários da Petrobrás e o governo, que usa o dinheiro da empresa para pagar muitas extravagâncias e idiossincrasias (não estou falando de atividades corruptas ou ilegais) para as quais ele &#8211; governo &#8211; não tem dinheiro no Orçamento público, votado pelo Congresso Nacional. Mas consegue fazer com o dinheiro da Petrobrás. Como, de resto, o faz também com o dinheiro do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do BNDES e, quiçá, de outras empresas estatais menores.</p>
<p>Basta olhar boa parte das campanhas e dos patrocínios a todo tipo de atividades. Lá &#8211; na camisa do atleta, nos créditos do filme ou da peça teatral, nos cartazes da exposição &#8211; estará o logotipo ou o nome de uma das estatais fazendo política social ou incentivando a cultura, a educação ou o esporte.</p>
<p>Nada contra nenhuma dessas causas, mas isto é apenas para lembrar que, como o governo distribui dinheiro a rodo por intermédio dessas empresas, para iniciativas boas e ruins, mais meritórias e menos meritórias, há uma grande massa de financiados que querem manter a imprivatizabilidade da Petrobrás e de outras estatais, pois vivem do dinheiro delas.</p>
<p>O governo faz cortesia com o nosso chapéu, financiando campanhas que, independentemente do mérito ou demérito de cada uma delas, têm uma coisa em comum: fazem o governo sair melhor na foto (e, de quebra, financia seus amigos).</p>
<p>No caso dos combustíveis <span class="GRcorrect">alternativos</span>, a situação é <span class="GRcorrect">mais</span> grave. Existe um movimento mundial para fazer uma faxina no ar que se respira, que passa, em parte, pela redução do consumo de petróleo. Em lugares onde o petróleo não é estatal, governos podem ajudar na faxina incentivando empresas, universidades e pessoas, ou pelo menos não as desincentivando, a buscar e desenvolver combustíveis alternativos.</p>
<p>O preço definido livremente pelo mercado é sempre o melhor incentivador ou desincentivador de atividades. Bastou o petróleo passar de US$ 120 o barril e montadoras desistiram de carros possantes e fecharam fábricas. Empresas de aviação testam combustíveis não derivados de petróleo. A freqüência do metrô de Nova York sobe quase 5% e, lá, os engarrafamentos urbanos se reduzem.</p>
<p>Aqui, o governo tenta comprar a vitória nas eleições municipais segurando o preço dos derivados de petróleo. Já vimos esse filme.</p>
<p>Nada melhor que o mercado. Hoje há, pelo mundo, todo tipo de pessoas e empresas tentando mover engenhos com vento, sol, óleo de fritura usado, estrume, hidrogênio e muitas coisas mais. Onde o petróleo não é estatal, os governos podem ajudar isso a acontecer ou, pelo menos, podem não atrapalhar.</p>
<p>Aqui, como o governo é o maior interessado no lucro do petróleo, a esperança de termos pesquisa significativa em energias alternativas é muito pequena. Não interessa ao governo.</p>
<p>E mais: não duvido que, em sendo descobertas alternativas energéticas em outros países, seja muito possível que o governo brasileiro não permita sua importação ou seu uso no nosso país, por uma razão muito simples: o governo ganha com a poluição.</p>
<p>Bastou o anúncio das reservas do pré-sal para o governo brasileiro entrar num assanhamento sem par. Há gente no governo querendo meter mais fundo a mão nos lucros hipotéticos do petróleo.</p>
<p>A Petrobrás não é suficiente, dizem alguns. Querem uma outra estatal, mais monopolista e mais poderosa, para controlar uma herança cujo valor ainda não se conhece ao certo, mas se acha ser muito grande. Agora brigam governo e Petrobrás. Ela, para não perder poder; ele, para eliminar a Petrobrás dessa perspectiva de se tornar mais poderosa.</p>
<p>Ganhe ela ou ganhe ele, não teremos nada a dizer, porque um monopólio nos tira todo o poder.</p>
<p>Que falta faz um mercado de verdade na energia do Brasil!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> * Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo em 07/11/2008.</em></p>
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		<title>Privatizem a CEEE</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jan 2013 12:59:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Ostermann</dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Porto Alegre tem um clima previsivelmente imprevisível. Em distintas épocas do ano, chove e venta muito por aqui. Quando isso ocorre, milhares de porto-alegrenses são privados da energia elétrica, vital para sua vida diária. Após sucessivos apagões ao longo deste mês, o governador Tarso Genro eximiu-se de responsabilidade, culpando uma suposta “privatização selvagem” ocorrida na década de 1990. Elementar, mas uma privatização de verdade (chame de “selvagem”, se assim preferir) é justamente o que faltou. À época (15 anos atrás), parte do mercado da CEEE passou ao controle de concessionárias privadas, mas não houve realmente uma privatização. Privatizar significa, antes de qualquer coisa, despolitizar. Energia elétrica é algo importante demais para ficarmos à mercê da ineficiente gestão política que caracteriza todo e qualquer empreendimento governamental. Além disso, é essencial que haja concorrência, sob o risco de trocar-se um monopólio público por um privado.</p>
<p>Hoje, fosse a CEEE uma empresa privada, “cabeças já teriam rolado”, ações teriam despencado e mudanças teriam sido feitas para que tais fatos não mais ocorressem. No presente cenário, o foco não foi a solução dos problemas, mas, sim, a produção de desculpas com a finalidade de “limpar a barra” do governo. Culpou-se o vento, a falta de investimentos e, é claro, governos anteriores. Por ser uma empresa estatal, a CEEE não está submetida a incentivos de mercado. Desfruta de um monopólio, precisa realizar concursos públicos e licitações que, apesar de essenciais devido à transparência que deve orientar toda e qualquer atividade estatal, não primam pela eficiência ou pela meritocracia. Pelo bem de todos os seus clientes, a CEEE deve se tornar uma empresa privada, submetida ao mais rígido e eficiente controle público (diferente de estatal, frise-se) já inventado: a vontade dos consumidores por meio da livre concorrência no mercado.</p>
<p><em>* Publicado originalmente pelo Jornal do Comércio em 31/12/2012</em></p>
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		<title>Por que privatizar a Petrobras</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Nov 2012 14:23:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Constantino</dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" title="pj" src="http://images1.folha.com.br/livraria/images/7/b/1187970-250x250.png?_c=2012-10-30-154205" alt="" width="250" height="250" /></p>
<p>Nenhum outro setor da economia desperta tantas paixões e controvérsias quanto o do petróleo. A Petrobras é motivo de orgulho para muitos brasileiros – e pesquisas recentes mostram que quase 80% da população é contra a privatização da estatal que explora nosso “ouro negro”. Em quase todos os debates, os argumentos são os mesmos: é preciso proteger nossas riquezas naturais, o governo precisa cuidar de um setor tão estratégico. “O petróleo é nosso”, dizem os nacionalistas.</p>
<p>É claro que o petróleo é fundamental para a economia moderna. Ele é a energia que faz a roda da economia girar. Mas será que isso é suficiente para considerá-lo tão diferente assim dos demais produtos? Será que é uma justificativa para preservar uma estatal quase monopolista? Mais ainda: assumindo que o petróleo é mesmo especial e, portanto, estratégico, será que devemos manter um recurso tão importante sob os cuidados do Estado?</p>
<p>Ao contrário do que muita gente acredita, a privatização da Petrobras não apenas não faria mal algum ao país, como tornaria um setor estratégico mais eficiente e daria aos brasileiros o que eles merecem: a posse de suas riquezas naturais. Não vamos esquecer o alerta do economista americano Milton Friedman (1912-2006): “Se o governo assumisse a gestão do Deserto do Saara, em cinco anos faltaria areia por lá”.</p>
<p>Nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, houve um crescimento incrível do setor petrolífero a partir da competição de várias empresas privadas, desde a primeira prospecção feita por Edwin Drake, na Pensilvânia, em 1859. A Standard Oil, criada por John D. Rockfeller, maior empresário do ramo, era uma máquina de fazer dinheiro e gerar empregos. Seu grupo ficou tão grande que o governo americano decidiu fatiá-lo em 1911. Assim, surgiram as empresas que dominam até hoje essa área nos EUA. Elas concorrem em igualdade de condições com empresas estrangeiras como British Petroleum, Shell, Lukoil, a própria Petrobras e várias outras. O mercado funciona – e nenhum país considera o petróleo mais estratégico que os EUA.</p>
<p>No Brasil, o Estado nunca deixou o setor de petróleo funcionar livremente. Um dos pensadores brasileiros que mais lutaram contra o monopólio e o controle estatal da Petrobras foi o economista e ex-ministro Roberto Campos (1917-2001). Em sua autobiografia,<em> </em><em>A lanterna na popa</em>, vemos sua batalha inglória para trazer mais racionalidade para o debate, contra grupos de interesse muito bem organizados e um nacionalismo ideológico mal calibrado.</p>
<p>Apelidado de Bob Fields por seus detratores, Campos nunca foi um “entreguista”. Ao contrário. Queria apenas a adoção de um modelo de exploração do petróleo que fosse mais vantajoso para os brasileiros. Para ele, deixar empresas privadas, nacionais ou estrangeiras, competir no setor seria a melhor forma de beneficiar o próprio povo brasileiro. “Mais importante que as riquezas naturais são as riquezas artificiais da educação e da tecnologia”, afirmava. Infelizmente, uma barreira ideológica impedia a escolha desse modelo. Como disse Campos, “os esquerdistas, contumazes idólatras do fracasso, recusam-se a admitir que as riquezas são criadas pela diligência dos indivíduos, e não pela clarividência do Estado”.</p>
<p>No governo FHC, ocorreu uma profissionalização maior na Petrobras. Infelizmente, isso acabou com a chegada do PT ao poder, em 2003. Em vez de o governo manter um quadro mais técnico, políticos como José Dutra e Sérgio Gabrielli assumiram a presidência.</p>
<p>A presidente Dilma reverteu isso em parte, empossando Graça Foster no comando da estatal no início de 2012, mas os resultados ainda não se refletiram nos números da empresa. O crescimento da produção total de óleo e gás da Petrobras desde que o PT assumiu o governo, em 2003, foi medíocre. A empresa, em seus planos estratégicos de cinco anos, costuma prometer aos analistas um crescimento acima de 5% ao ano na produção. De janeiro de 2003 a janeiro de 2012, a produção cresceu somente 2,4% ao ano – um resultado lamentável. Só que, para chegar a esse resultado ainda medíocre, ela teve de investir cerca de R$ 100 bilhões apenas em exploração e produção. Alguém acha realmente que essa montanha de recursos em mãos privadas teria levado a um resultado pior?</p>
<p>Para agravar a situação, boa parte desse programa de investimento teve de ser financiada no mercado, aumentando o endividamento da empresa, pois a geração própria de caixa não era suficiente para viabilizá-lo. A Petrobras, que tinha R$ 26,7 bilhões de dívida líquida em 2007, acumulava um endividamento líquido superior a R$ 130 bilhões no fim do primeiro semestre de 2012 – um aumento de 400% em menos de cinco anos. Eis aí algo que cresce a taxas elevadas na Petrobras, ao contrário da produção. Isso mesmo depois do enorme aumento de capital que promoveu, de R$ 100 bilhões – uma operação no mínimo controversa, que diluiu a participação dos acionistas minoritários, na qual o governo usou até os ativos do pré-sal da União para reforçar sua fatia na empresa.</p>
<p>Se comparada a seus pares internacionais, a rentabilidade da Petrobras nos últimos 12 meses está muito abaixo da média. Para ser mais exato, o retorno sobre o patrimônio líquido da “nossa” estatal foi um terço da média global do setor. E seu uso político custa cada vez mais aos milhões de investidores. No segundo trimestre de 2012, a Petrobras divulgou o primeiro prejuízo em 13 anos. Perdeu R$ 1,35 bilhão, fruto principalmente da enorme defasagem dos preços dos combustíveis e da alta do dólar em relação ao real. O fato de o preço do combustível não seguir as forças de mercado no Brasil representa enorme perda de eficiência do setor.</p>
<p>Em 2011, os cerca de 80 mil funcionários da estatal custaram para a empresa mais de R$ 18 bilhões. Isso dá uma média anual de custo acima de R$ 230 mil por empregado. Claro que há gente séria e qualificada ali, mas estes não teriam nada a perder com uma gestão privada focada no lucro. Ao contrário: como já cansamos de ver, os empregados mais eficientes que permanecem nas empresas privatizadas costumam melhorar bastante de vida. Naturalmente, a turma encostada e sem capacidade para ganhar o que ganha fica apavorada com a ideia de privatizar e colocar um fim na vida mansa. São esses que fazem de tudo para preservar o <em>statu quo</em> e a caixa-preta em torno da estatal.</p>
<p>Qualquer reformista encontrará enorme pressão dos grupos reacionários interessados em preservar privilégios e mamatas na Petrobras. Boa parte do próprio corpo de funcionários reagirá contra mudanças. O ex ministro Antônio Dias Leite chegou a cunhar a expressão “República Independente da Petrobras” para se referir à estatal. São muitos bilhões em jogo e muito poder para o governo simplesmente focar na maior eficiência da empresa e nos interesses dos consumidores. Parece natural a luta permanente pela captura da empresa por feudos políticos.</p>
<p>A Petrossauro, como a chamava Roberto Campos, possui infindáveis tetas para atrair vários grupos de interesse distintos. Como se costuma dizer, o melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada, e o segundo melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo mal administrada. Mesmo ineficiente e palco de abusos políticos, a Petrobras gera enorme quantidade de caixa, despertando o olho grande de muita gente, que passa a defender sua manutenção como estatal.</p>
<p>O fundo de pensão da Petrobras agradece, recebendo quantias relativas aos dividendos dos acionistas jamais vistas na esfera privada. Os membros poderosos dos sindicatos agradecem, protegendo seu emprego da livre concorrência. Os empresários corruptos agradecem, podendo fechar ótimos negócios com a estatal graças ao suborno, e não à eficiência de seus serviços e produtos. Silvinho “Land Rover” Pereira e outros tantos como ele estão aí como prova.</p>
<p>Artistas engajados que cedem à doutrinação ideológica comandada pelo governo também agradecem, pois recebem verbas para o avanço da “cultura nacional” sem qualquer critério de mercado, ou seja, de preferência dos consumidores. De 2008 a 2011, a estatal destinou a bagatela de R$ 652 milhões a patrocínios culturais. É uma montanha de dinheiro capaz de transformar o mais liberal dos artistas num ferrenho defensor da estatização. Bastou a nova gestão de Graça Foster dar sinais de que poderia cortar a verba cultural em 2012 que a reação foi imediata e estridente.</p>
<p>Os políticos regozijam se também, podendo usar uma empresa gigantesca para leilão de votos e cabide de emprego. Como fica claro, toda uma cadeia da felicidade é alimentada pela Petrobras. No pôquer, há uma máxima que diz: “Se você está no jogo há 30 minutos e ainda não sabe quem é o pato, então você é o pato”. Se você, estimado leitor, não faz parte dessa farra toda que mama nas tetas da Petrobras, pode estar certo de que faz parte do grupo dos que pagam a conta. Bem-vindo ao clube.</p>
<p>O governo ainda usa a empresa como instrumento de política econômica, mantendo os preços artificialmente baixos para não aumentar a inflação. Para piorar, aplica cota nacionalista na compra de insumos importantes, na tentativa de estimular a indústria nacional. O problema é que isso afeta o caixa da empresa. Como o programa de investimentos é enorme, a rentabilidade mais baixa destrói o valor da empresa, prejudicando seus milhões de acionistas. Numa nota em sua coluna de 15 de julho de 2012, o jornalista Ancelmo Gois, de<em> </em><em>O Globo</em>, revelou: “Um ex diretor da Petrobras diz que os R$ 360 milhões gastos com a P 59, na Bahia, dariam para comprar duas plataformas no exterior. O ‘Bolsa Navio’ já tem dez anos. Ou seja, o tempo passa, o tempo voa, e nossa indústria naval nunca fica competitiva”.</p>
<p>Resultado: a Petrobras foi o “patinho feio” da Bolsa nos últimos anos. Segundo consta no próprio relatório anual de 2011 da empresa, as ações da Petrobras tiveram queda de 15% nos últimos cinco anos, em comparação a uma alta de quase 30% no Índice Bovespa, que reflete o desempenho das principais ações negociadas nos pregões. A Petrobras chegou inclusive a perder por alguns dias o posto de maior empresa latino-americana por valor de mercado para a colombiana Ecopetrol, bem menor que a estatal brasileira. Detalhe: o patrimônio da Ecopetrol é sete vezes menor que o da Petrobras. Como milhões de pequenos investidores tornaram se acionistas da Petrobras por meio do FGTS no passado recente, o descaso e a incompetência das últimas gestões trouxeram perdas significativas para inúmeros brasileiros, inclusive de classes mais baixas, e também para os investidores estrangeiros que apostaram na empresa.</p>
<p>O valor de mercado da Petrobras oscila bastante e caiu muito nos últimos anos. Atualmente, ele está na faixa dos R$ 250 bilhões. A União é dona de quase metade do capital total, sem contar o BNDES. Mesmo considerando a perda de valor por causa da incompetência estatal, a Petrobras valeria uns R$ 120 bilhões para o povo brasileiro.</p>
<p>Isso daria quase R$ 10 mil para cada uma dos 13 milhões de famílias assistidas pelo Bolsa Família, por exemplo. Que tal doar ações da Petrobras para essa gente? Será que essas pessoas mais pobres preferem repetir que o petróleo é nosso, ou receber um título ou um cheque desse valor para fazer o que bem entender com os recursos?</p>
<p>Da próxima vez que o leitor escutar por aí que “o petróleo é nosso”, talvez fique mais claro o que eles realmente querem dizer com isso. Sim, o petróleo é mesmo deles, e não seu ou meu. Talvez devêssemos sair às ruas gritando “o petróleo é vosso” e demandando nossa parte. Se o petróleo for de fato nosso, do povo brasileiro, então é simples resolver a questão: basta o Estado distribuir para cada brasileiro (ou para a faixa mais pobre) sua parte da empresa, por meio de vales ou ações. Cada um poderá, então, sentir se efetivamente dono de um pedaço da Petrobras e fazer com sua parte o que lhe aprouver. Afinal, o petróleo é nosso ou não é?</p>
<p>* Publicado <a href="http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2012/11/por-que-privatizar-petrobras.html">originalmente</a> na Revista Época. <em>Extrato do livro <a href="http://livraria.folha.com.br/catalogo/1187970/privatize-ja?tracking_number=722" target="_blank">Privatize Já</a>, lançamento da Editora Leya. </em></p>
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