Patrick Michaels sobre aquecimento global em Veja


A revista Veja do dia 11 de junho de 2008 traz uma entrevista com Patrick Michaels, senior fellow de estudos ambientais do Cato Institute. Seguem alguns trechos da entrevista:

Veja – Suas opiniões parecem moderadas para quem é considerado o mais influente cético em relação ao aquecimento global. Afinal, em que pontos o senhor discorda das teses apresentadas nos relatórios do IPCC?

Michaels – Não há discordâncias relevantes entre minha opinião e os dados do IPCC. Eu mesmo contribuí com análises de pesquisas que foram utilizadas pelo IPCC. Considero, no entanto, que algumas previsões são exageradas. Quando aplicamos a taxa atual de elevação de temperatura em modelos de computador, chegamos à conclusão de que o aquecimento no século XXI não será maior do que a previsão mais otimista do IPCC. Ou seja, por volta do ano 2100 a temperatura global estará apenas 1,7 grau acima da atual. Digo isso porque a taxa de aquecimento tem sido notavelmente constante. O aumento na temperatura é proporcional à concentração de gás carbônico e ao impacto desse gás no efeito estufa. Esses fatores indicam uma tendência de aquecimento constante, mas não crescente. Outra ressalva diz respeito à maneira como as previsões climáticas são feitas. Apesar de serem baseadas nas análises e nos métodos mais modernos que existem, é preciso cautela. Basta olhar pela janela e comparar a realidade com a previsão do tempo divulgada dias atrás. Se os erros são tão freqüentes no curto prazo, imagine quanto se pode errar em um período mais longo.


Patrick Michaels, Senior Fellow do Cato Institute

Veja – O senhor considera irrelevante o aumento de 1,7 grau na temperatura até o fim do século?

Michaels – Há grande chance de essa previsão nem sequer se concretizar. A tecnologia que usaremos daqui a 100 anos nas indústrias, nos automóveis e nas usinas geradoras de eletricidade será provavelmente mais eficiente em termos de emissão de gás carbônico do que a atual. Infelizmente, não posso precisar como serão as novas tecnologias, mas a história da evolução tecnológica é um guia do avanço que pode ocorrer. Por essa razão, nossa previsão sobre o aumento na emissão de gás carbônico é bastante questionável. Não há como saber se os índices atuais de poluição serão mantidos no fim do século XXI.

Veja – Se o senhor estiver correto e o aquecimento global não for uma ameaça para a humanidade, isso significa que é desnecessário reduzir as emissões de dióxido de carbono e de outros gases do efeito estufa?

Michaels – É extremamente imprudente gastar dinheiro para tentar reduzir as emissões de gás carbônico. O custo para chegar a isso seria muito alto. Esse capital poderia ser mais bem investido em pesquisa e desenvolvimento de novas fontes de energia. Um exemplo: a resposta política do governo americano ao aquecimento global foi uma lei, aprovada em 2005, que exige a substituição de certa quantidade de gasolina por etanol. Nos Estados Unidos, existe apenas uma matéria-prima capaz de produzir grande quantidade desse combustível, que é o milho. A demanda foi tamanha que, no ano passado, os Estados Unidos dedicaram a esse fim 33% da colheita de milho. A colheita americana representa 54% da produção mundial. Em outras palavras, 15% de todo o milho do planeta foi desviado para a produção de combustível. Como conseqüência, o preço do milho, da soja e do trigo subiu dramaticamente. Hoje se vêem em vários países protestos contra o preço abusivo dos alimentos. O caso do etanol americano foi o resultado de uma intervenção política irracional.

Assinante lê na íntegra aqui.

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