
A verdade sobre a desigualdade salarial
02 de Dezembro de 2008 - por Steve ChapmanO Dia de Ano Novo é chamado assim porque inicia um novo ano, e o Dia de Ação de Graças tem esse nome porque é uma oportunidade para expressar gratidão. Mas o Dia da Igualdade Salarial, celebrado em 2007 no dia 24 de abril, recebe o nome de algo que, segundo nos dizem, não existe – salários iguais para homens e mulheres.
O Comitê Nacional para a Igualdade Salarial aproveitou a ocasião para anunciar que, entre os trabalhadores de tempo integral, as mulheres ganham apenas 77 centavos para cada dólar pago aos homens. Os três principais candidatos democratas à presidência igualmente apoiaram leis para corrigir o problema.
E o empenho recebeu novo gás de um relatório da Fundação Educacional da American Association of University Women (AAUW, Associação Americana de Universidade das Mulheres), o qual diz que se paga menos às mulheres desde seus primeiros empregos depois da faculdade, e que o desnível só aumenta com o tempo. A discriminação salarial, a AAUW diz, ainda é um “sério problema para as mulheres na força de trabalho”.
Na realidade, isso de maneira alguma está claro. O que sabemos com base em um conjunto de dados, incluindo esse relatório, é que, se não toda, a maior parte da discrepância pode ser atribuída a fatores que não o machismo. Quando se trata de igualdade salarial, nós realmente percorremos um longo caminho.
À primeira vista, os dados do estudo da AAUW parecem condenatórios. “Um ano após a faculdade”, ele diz, “as mulheres que trabalham em tempo integral ganham 80% do que seus colegas homens ganham. Dez após a formatura, as mulheres ficam ainda mais atrás, ganhando apenas 69% do que os homens ganham”.
Porém, leia mais, e você descobrirá coisas que não recebem muita atenção no Dia da Igualdade Salarial. Como o relatório admite, as mulheres com diplomas universitários tendem a ir para áreas como educação, psicologia e humanidades, que tipicamente pagam menos do que os setores preferidos pelos homens, como engenharia, matemática e administração. Elas também são mais propensas a trabalhar para instituições sem fins lucrativos e governos locais, que não oferecem salários que Alex Rodriguez invejaria.
À medida que ficam mais velhas, muitas mulheres decidem trabalhar menos, para que possam passar mais tempo com seus filhos. Uma década depois da formatura, 39% das mulheres estão fora da força de trabalho ou trabalham por meio expediente – em comparação com somente 3% dos homens. Quando essas mães retornam a empregos em tempo integral, naturalmente ganham menos do que ganhariam se nunca tivessem saído.
Mesmo antes de terem filhos, homens e mulheres freqüentemente fazem coisas diferentes, que podem influenciar na sua remuneração. Um ano após a faculdade, a AAUW observa, as mulheres em empregos em tempo integral trabalham em média 42 horas por semana, comparadas a 45 para os homens. Os homens também são muito mais propensos a trabalhar mais de 50 horas por semana.
Há uma concessão surpreendente escondida no relatório: “Após considerarem-se todos os fatores conhecidos que agem sobre os salários, cerca de 25% da desigualdade permanece inexplicável e pode ser atribuída à discriminação” (minha ênfase). Outra maneira de dizê-lo é que 75% da desigualdade têm causas inocentes – e que, na verdade, não sabemos se a discriminação é responsável pelo resto.
Perguntei a Claudia Goldin, economista de Harvard, se há provas suficientes para se concluir que as mulheres enfrentam discriminação salarial sistemática. “Não”, ela respondeu. Há certamente casos de discriminação, diz ela, mas a maior parte da desigualdade resulta de escolhas diferentes. Goldin acredita que outros fatores de difícil mensuração são responsáveis pelo restante da desigualdade – “provavelmente não por toda, mas pela maior parte dela”.
As trajetórias divergentes das carreiras de homens e mulheres podem refletir uma injustiça fundamental no que se espera deles. Pode ser que muitas mães, se controlassem seu caminho, preferissem seguir em suas carreiras, mas têm de ficar em casa com as crianças porque seus maridos insistem. Ou pode ser que, por uma razão ou outra, várias mães optem por assumir a maior parte da criação dos filhos. Em todo caso, a culpa pela disparidade salarial provocada por essas escolhas não pode ser atribuída a empregadores mesquinhos.
June O’Neill, uma economista da Baruch College e ex-diretora do Congressional Budget Office (Comissão de Orçamento do Congresso), divulgou algo que desmistifica a tese da discriminação. Tire os efeitos do casamento e da criação dos filhos, e a diferença entre os sexos subitamente desaparece. “Para homens e mulheres que nunca se casaram e nunca tiveram filhos, não há desigualdade salarial”, ela disse em uma entrevista.
Eis um fato que você não vai ouvir da AAUW ou dos candidatos democratas à presidência. O impulso predominante no Dia da Igualdade Salarial era lamentar a distância a que estamos da meta. A verdadeira descoberta, porém, é como estamos perto.