
O czar antidrogas precisa desaparacer
09 de Fevereiro de 2010 - por Tim LynchOs eleitores americanos estão aborrecido com os gastos imprudentes em Washington. A repercussão está vindo, então agora os políticos estão se atropelando para fazer alguma coisa, ou pelo menos serem vistos fazendo alguma coisa, quanto à enorme dívida federal. Esta é uma boa hora para o Congresso abolir agências governamentais que estão obsoletas, deficientes ou simplesmente desnecessárias.
Um candidato de primeira linha à abolição é o posto do assim chamado "czar antidrogas". "O cargo de czar antidrogas foi criado pela Lei Antiabuso de Drogas em 1988. Foi uma época de histeria contra as drogas. A ex-primeira dama Nancy Reagan chamou os usuários de drogas de "cúmplices de assassinato". O Presidente George H. W. Bush prometeu fazer da guerra uma de suas prioridades máximas. Em seu discurso de posse, disse: "Dou a minha palavra. Esse flagelo vai acabar." O agitador conservador William Bennett se tornou o primeiro czar e esteve nas manchetes com um discurso impetuoso de decapitação dos traficantes de drogas. A capital da nação foi declarada uma zona de "tráfico de drogas em alta intensidade". Houve buscas e prisões — incluindo o notório julgamento do então prefeito Marion Barry.
Em teoria, o czar antidrogas deveria desenvolver uma estratégia de longo prazo para vencer a Guerra Contra as Drogas e trazer uma "sociedade livre das drogas". A cada ano, o czar pedia mais esforços governamentais para "reduzir a demanda" e "interromper o suprimento" de narcóticos. Em vez de milhões, o governo começou a gastar bilhões.
A burocracia prosperou conforme mais agentes eram contratados e equipamentos de tecnologia mais avançada eram comprados. O sistema de justiça criminal se expandiu para acomodar o influxo de casos. Mais promotores. Mais juízes. Mais guardas prisionais.
E no entanto, milhões e milhões de americanos continuaram a usar drogas. Hoje sabemos que os presidentes Obama e Clinton estiveram entre eles. Aliás, hoje em dia agências policiais como o FBI só conseguem recrutar jovens se estiverem dispostos a deixar passar uso de drogas no passado.
O objetivo de "interromper o suprimento" se mostrou farsesco. As drogas estão tão amplamente disponíveis hoje como jamais estiveram. Na verdade, Washington continua a ser uma cidade com próspero tráfico de drogas. Há mercados de drogas a céu aberto em muitos bairros. Mais de uma década depois do início da atuação do czar antidrogas, uma comissão sobre as práticas de aplicação da lei federal fez esta brusca avaliação: "Apesar de um número recorde de apreensões e uma enchente de legislações, esta Comissão não tem ciência de nenhuma evidência de que o fluxo de narcóticos para os Estados Unidos tenha sido reduzido." Ninguém acha que contratar mais agentes para patrulha das fronteiras vá ter efeito.
A violência e a desestabilização se tornaram mais agudas na fronteira sul. Segundo um projeto em andamento do Los Angeles Times sobre a guerra das drogas no México, mas de 9,900 pessoas foram mortas em atos de violência relacionados às drogas desde janeiro de 2007. Os sequestros e assassinatos que se tornaram lugar-comum do outro lado da fronteira agora transbordam para a região Sudoeste dos Estados Unidos. Esforços de seu governo na Colômbia já custaram aos contribuintes americanos mais de 5 bilhões de dólares, e o México está programadopara receber cerca de 1,4 bilhão. Enquanto isso, continuam as mortes, a uma taxa que fez o Departamento de Estados publicar aconselhamento de viagem para os americanos que viajam para o seu vizinho ao sul.
O czar antidrogas também se meteu na política local. Alguns estados, por exemplo, se mobilizaram para mudar suas leis de forma a permitir o uso de maconha por certos pacientes, aconselhados por seus médicos. Todas as vezes que um estado tem um referendo sobre o uso médico da maconha nas urnas, o czar antidrogas federal geralmente apareceu para fazer campanha contra a medida. Como se criou o posto para supervisionar as políticas federais, essa politicagem no nível local está além de sua esfera, e é portanto um abuso de poder.
O gabinete do czar antidrogas publica um relatório anual sobre a eficácia das políticas antidrogas. Os estudiosos têm reservas quanto a esses relatórios, porque burocrata invariavelmente produzem relatórios em defesa de políticas existentes e "torturam" os dados para encontrar boas notícias e "progresso". Uma análise independentes do gabinete antidrogas em 2007 encontrou "esmagadoras evidências de alegações sistematicamente falsas e desonestas."
Perversamente, o Congresso tende a recompensar agências do governo por ter baixa performance. Quando o posto de czar antidrogas foi criado em 1990, seu orçamento era de 12 milhões; neste ano, custará mais de 400 milhões.
Se o Congresso americano quer tomar um passo sério na direção de conter gastos desnecessários e imprudentes, deve admitir a futilidade da guerra das drogas, da mesma forma que percebeu o engano da proibição do álcool. Se o Congresso estiver disposto apenas a abolir alguns de seus piores erros, deve se livrar do czar.
Publicado originalmente em Cato.org.