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O que os políticos podem fazer a respeito da economia
By ordemlivre_admin
Criado 05/09/2008 - 16:25

por Russell Roberts

A campanha presidencial está para começar de verdade. As convenções estão chegando e serão seguidas por uma enxurrada de comerciais, e então, provavelmente, teremos debates. Grande parte das atenções será dirigida ao Iraque e à política externa americana, mas também, inevitavelmente, a economia também terá um papel importante nessa campanha.

O candidato democrata se concentrará no desempenho medíocre da economia, particularmente com a crise do mercado imobiliário, enquanto o candidato republicano exaltará a resposta do governo e o pacote de estímulos. Duas suposições estranhas estão implícitas nessa discussão. A primeira é que o presidente “administra” a economia. O presidente quase não administra nem mesmo o governo. Certamente, ele não consegue controlar os sucessos e fracassos de milhões de trabalhadores, administradores, investidores e empreendedores. A segunda suposição ali implícita é que o sucesso ou o fracasso do presidente depende de sua capacidade de “estimular” a economia, como se a economia fosse um motor que precisasse apenas de um ajuste diferente em seu carburador ou fosse um bezerro preguiçoso, que precisasse ser cutucado para acelerar o passo e seguir em frente, durante o transporte da manada.

A presunção de que o presidente é quem está, de alguma forma, no comando, garante assunto a ambos os candidatos. Não acredito que sejamos hoje todos keynesianos, mas é alarmante ouvir George Bush explicar que sua redução de impostos e seus reembolsos estimularam a economia, colocando o dinheiro na mão dos consumidores, para que possam gastar e criar empregos.

Certa vez, eu ouvi uma história que ajuda a explicar o problema com essas visões da economia. Imagine que você encontra um garoto parado na parte rasa de uma piscina. Ele tem um balde nas mãos e parece desapontado. Você lhe pergunta o que está acontecendo. Bem, ele explica, eu estou fazendo um experimento científico, mas ele não está funcionando. O que está errado? Eu estou a uma hora colocando água nessa piscina com esse balde, mas o nível da água não mudou nem um pouco. A piscina não ficou mais funda. Você explica que a piscina é grande. Que o efeito de alguns baldes d’água não será muito visível. O garoto duplica, triplica seus esforços. Uma semana se passa. Você volta à piscina e ele não parece mais feliz que antes. Qual é o problema agora, você pergunta. Eu estou fazendo a mesma coisa, oito horas por dia e ainda não consigo ver mudança alguma. Você imagina haver um vazamento na piscina. Não, ele diz. Não há vazamentos. Eu mesmo verifiquei.

O garoto deu de ombros e voltou ao trabalho. Você o observa ir à parte funda da piscina, encher o balde com água, andar até a parte rasa, e esvaziá-lo.

O que você diria ao garoto? Não parece ser complicado explicar que retirar dinheiro do bolso direito e colocá-lo no bolso esquerdo não faz alguém mais rico. O mesmo acontece com a água da piscina. A quantidade total permanece inalterada. Mas se chovesse cada noite, após o trabalho do menino, ele poderia passar a acreditar que apenas transportar água da parte funda de uma piscina para a parte rasa faria realmente aquela parte ficar mais funda. Você poderia encontrar dificuldades em explicar a real situação.

Frédéric Bastiat foi um dos primeiros a explicar que quando olhamos para o sistema econômico como um todo, não seria suficiente nos atermos apenas ao ‘que se vê’ – o despejo da água. Devemos olhar para o sistema e também para as restrições que podem comprometê-lo. Bastiat usou o exemplo de uma vidraça quebrada. O conserto da vidraça pode ser um estímulo para o bolso do vidraceiro. Porém, o que não se vê é a perda do que seria feito com o dinheiro, ao invés da substituição da vidraça. Talvez, aquele que perdeu a vidraça teria comprado um par de sapatos. Ou investido em um novo negócio. Ou teria apenas gozado de um pouco de paz, por saber que tinha algum dinheiro. O conserto da vidraça é o que se vê. A perda é o que não se vê e, dessa forma, passa despercebida. O mesmo acontece com a maioria das ações do governo para “estimular” a economia. Esquecemos facilmente que os recursos para esse estímulo devem vir de algum lugar, como a água do fundo da piscina.

Quando eu conto essa história para estudantes, eles entendem essa ilusão com tanta facilidade quanto na história da piscina. Eles entendem que a destruição não é boa para a economia. A quebra de vidraças é boa para vidraceiros, mas ruim para a economia. Furacões são bons para pedreiros e carpinteiros, mas ruins para a economia como um todo. Os estudantes também entendem que a construção de um estádio para um time esportivo, em geral, beneficia os fãs de esportes da cidade, aumenta o emprego no ramo da construção, enriquece os times que jogam lá, mas prejudica as outras formas de entretenimento.

Porém, quando a lição da vidraça quebrada é absorvida, uma pergunta geralmente aparece. Se a construção de estádios não enriquece uma cidade e se o gasto governamental, em geral, não estimula a economia, o que devemos fazer? O que uma cidade pode fazer para aumentar a atividade econômica? O que um presidente pode fazer para enfrentar o crescimento do desemprego?

O ritmo acelerado de nossos tempos cria certa impaciência em relação à demora. Nós queremos que nossa comida venha com rapidez e que nossos e-mails cheguem instantaneamente em nossos celulares. Nós queremos tudo para ontem, se for possível. A idéia de que nós podemos fazer muito pouco em curto prazo para estimular a economia é simplesmente inaceitável. Com certeza teria de haver alguma alavanca política, algum botão econômico que pudéssemos apertar para acelerar as coisas. Porém, a lição que tiramos da piscina e da vidraça quebrada é que as restrições fundamentais em torno do sistema fazem com que seja muito difícil mudarmos os acontecimentos em curto prazo. Um presidente não pode estimular a economia em curto prazo mais do que você pode fazer uma criança crescer 30 centímetros em uma semana. O verdadeiro crescimento leva tempo. O máximo que um presidente pode fazer é ajudar a criar um ambiente onde o crescimento possa acontecer, libertando a criatividade inerente às pessoas de uma nação e das nações com as quais fazem comércio.

O rearranjo de recursos não estimulará a economia, mesmo em longo prazo. Mas isso não quer dizer que não haja nada que um prefeito ou um presidente possa fazer para melhorar a economia. Uma cidade sempre pode melhorar a forma pela qual administra suas escolas, policia suas ruas ou recolhe o seu lixo. Ela pode decidir que algumas dessas tarefas podem ser executadas de uma forma mais barata ou mais eficiente por organizações privadas ou se deixadas sob as escolhas privadas do mercado. Reformas tributárias e cortes em impostos executados de forma correta, permitem a uma cidade ou nação financiar suas atividades em formas que encorajam decisões inteligentes e benéficas. Qualquer dessas melhores fará da cidade um lugar melhor para se viver e levarão ao crescimento econômico. Mas essas mudanças levam tempo.

A culpa pelo baixo nível do discurso econômico nas campanhas presidencial é toda nossa. Nossos economistas devem se empenhar mais em nos lembrar das restrições que inevitavelmente nos limitam em curto prazo. E nós, como cidadãos, poderíamos ser um pouco mais céticos a respeito das atribuições de culpa quando as coisas vão mal ou com a atribuição das glórias quando as coisas vão bem. Esperemos um pouco menos de nossos políticos em curto prazo e poderemos encontrar alguma satisfação no desempenho deles.


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