O Cato trabalha com idéias. Nós passamos boa parte do nosso tempo falando e pensando em idéias, mas não apenas nas boas idéias. As más idéias também são importantes. Na verdade, grande parte da vida é afetada por más idéias. E eu gostaria de falar sobre uma má idéia: a eliminação da desigualdade de renda no mundo. Essa é uma idéia muito ruim.
O que desejo dizer é será que nós queremos acabar com a desigualdade de beleza e fazer todo mundo parecer o Dick Morris? Será que queremos acabar com a desigualdade de virtudes e encorajar a Madre Teresa a ter um caso em seu leito de morte, ou indicar aquele garoto dos Kennedy, o Michael, para administrar a Fundação Save the Children? Será que queremos acabar com a desigualdade de talento e termos uma NBA cheia de jogadores que têm o peso e o talento, por exemplo, iguais ao meu? Se tivéssemos um mundo livre de desigualdades, onde todos fossemos iguais em tamanho, cor, classe social e sexo, quem iria engravidar? Se todo mundo tivesse acesso às mesmas informações, com quem conversaríamos? Pense no que aconteceria se todos tivessem o mesmo emprego, o mesmo trabalho. Todos sairiam de férias ao mesmo tempo. Você teria 5.8 bilhões de pessoas indo para praia nas duas primeiras semanas de agosto e jogando vôlei de praia – 2.9 bilhões de pessoas de cada lado. A idéia de um mundo onde todas as pessoas são iguais, essencialmente, a idéia que nós combatemos no Cato, é uma fantasia para os idiotas. Mas eu vou além. O igualitarismo é mais que idiota, é imoral.
Acho que o antigo testamento é bem claro em relação a isso. A Bíblia pode parecer um local estranho para se fazer uma pesquisa econômica, mas eu tenho pensado bastante a respeito do décimo mandamento, a partir do ponto de vista da economia política. Bem, os primeiros nove mandamentos se ocupam de princípios teológicos – não furtarás, não assassinarás, etc. Tudo bem. Mas então, nós temos o décimo mandamento: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo”. O que eu quero dizer é que essas são as regras básicas de Deus sobre como deveríamos viver, uma lista bem restrita de obrigações sagradas e preceitos morais formais, e bem no fim dela está: “Não inveje a vaca de seu colega”. O que isso está fazendo ali? Por que Deus, tendo apenas 10 coisas a dizer a Moisés, escolheria falar da inveja das coisas que o seu vizinho possui? Bem, pense sobre o quanto aquele mandamento é importante para o bem-estar de uma comunidade. O que esse mandamento diz é que se você deseja ter um burro, se você quer uma caçarola, se você quer ter uma faxineira, não fique aí reclamando, vá conseguir uma para você!
O décimo mandamento manda uma mensagem aos socialistas, aos coletivistas, às pessoas que acreditam que a melhor forma de se obter riquezas é através da redistribuição, e a mensagem é clara e concisa: Vão pro inferno! Simples assim.
O igualitarismo é pecaminoso; mas é também covarde. Nós temos medo dos poderes que os outros têm sobre nós, e como a riqueza é poder, os igualitários temem os ricos. Eles temem que Kathie Lee Gifford vá obrigá-los a costurar casacos esportivos em fábricas por 30 centavos a hora. Mas falando sério, quão racional é esse medo dos ricos? Imagine-se saindo para um passeio à meia noite por um bairro rico. Imagine, depois, outro passeio, agora em um bairro pobre, a apenas alguns quarteirões daqui. Certamente, você poderá se meter em alguma confusão em Monte Carlo. Você pode perder na roleta ou ser enganado em algum negócio obscuro com o marido da Princesa Stephanie. Mas você tem muito mais chances de ser assaltado aqui, no noroeste de Washington. Agora, veja bem, eu não acho que deveríamos ter ressentimentos em relação aos crimes cometidos por pessoas pobres nas ruas. Eles estão apenas praticando um socialismo free-lance. Estão apenas sendo Social-Democratas, mas de sua própria maneira.
A questão é que a alternativa real ao poder dos ricos não é o poder dos pobres. Isso é um poder diferente. Se nós não queremos que a riqueza do mundo seja controlada por pessoas com dinheiro, a alternativa é termos a riqueza do mundo controlada por pessoas com armas. E os Estados têm armas, muitas armas. Agora, teoricamente, não há problemas em o governo ter armas e que as armas controlem o dinheiro porque, teoricamente, esse assaltante guardará sua arma e ganhará uma eleição, e ele roubará corporações multinacionais, ao invés de roubar de você. Mas, obviamente, a realidade é bem diferente. O histórico das sociedades coletivistas no século XX fala por si. Trinta milhões de mortos para se acabar com a desigualdade de riquezas na agricultura chinesa; seis milhões de mortos para se eliminar a desigualdade comercial na Ucrânia; e as mortes não param por aí. Até os governos mais democráticos se tornam uma lei em si próprios, e acho que isso não necessita de elaboração. Nesse momento, Bill e Hillary estão conversando com os amiguinhos da sua filha para trazê-los para o quarto do Lincoln. (Então, tragam pijamas, marshmallows e cem mil dólares).
Esses são produtos da inveja e do medo, o que me traz à terceira mola mestra do igualitarismo: a ambição. E não quero dizer apenas um simples desejo por objetos materiais. Eu estou interessado na ambição por colocação social e por orgulho, pelo que hoje em dia chamamos de auto-estima. Eu imagino quantas pessoas que dizem acreditar nas idéias niveladoras do coletivismo e do igualitarismo, na verdade, apenas acreditam que eles mesmos não são bons em nada. Quantos esquerdistas são inspirados por uma dose razoável de autodepreciação? Em seus corações eles sabem que não se tornarão acadêmicos, inventores, industriais ou mesmo pessoas gentis e comuns. Então, precisam de uma forma de atingir aquele convencimento pelo qual a esquerda é justificadamente famosa. Eles precisam de uma maneira de obter auto-estima sem méritos. Bem, então, há a política. Em um mundo igualitário tudo será controlado pela política, e a política não requer méritos.
Pense nos quatro homens que foram os políticos mais destacados dos Estados Unidos nesse último ano: Bob Dole, Newt Gingrich, Al Gore e Bill Clinton. Você empregaria qualquer um desses homens? Você os contrataria para apararem sua grama? Bob Dole ajoelharia, tentando fazer um acordo com a grama, para que ela não crescesse. Gore perguntaria ao gato se a grama corre risco de extinção. Newt levaria o aparador de grama emprestado. E Clinton não seria capaz de se decidir. Cortador elétrico ou mecânico? Faço primeiro a parte da frente ou a parte de trás? Varrer primeiro e depois cortar, ou o oposto? Então, ele desistiria e iria para a sua cozinha, atacar a geladeira e flertar com a babá.
Nós temos que eliminar idéias como a da desigualdade de riqueza. O mundo não precisa pensar a respeito da diferença de riqueza. O mundo precisa pensar sobre a riqueza. A riqueza é uma coisa boa. Todo mundo sabe disso, quando se trata de própria riqueza. A riqueza melhora a sua vida; melhora a vida da sua família. Você investe em coisas úteis e inteligentes, e ajuda seus amigos e vizinhos. A sua vida melhoraria se você enriquecesse, e a vida de todas as pessoas a sua volta também melhoraria. A sua riqueza é boa. Então, por que a riqueza de todas as outras pessoas não seria boa também? Eu não entendo isso. A riqueza é boa quando muitas pessoas são ricas e a riqueza também é boa quando apenas algumas pessoas são ricas. Isso porque o dinheiro é uma ferramenta, e nada mais. Você não pode comer dinheiro, você não pode dormir com ele, você não pode usá-lo confortavelmente como roupa íntima. E a riqueza, a acumulação de dinheiro, é um conjunto de ferramentas. Quando uma pessoa, por exemplo, um carpinteiro, tem muitas ferramentas, nós não dizemos a ele, “você tem muitas ferramentas. Você deveria doar algumas serras, sua furadeira e sua talhadeira para aquele cara que está fazendo omeletes”. Nós não tentamos promover a igualdade de ferramentas.
A riqueza trouxe enormes benefícios ao mundo. Os ricos são heróis – principalmente se doam algum dinheiro para o Cato. Esses ricos heróis não necessariamente desejavam ser heróis, mas isso não vem ao caso. Eles são heróis e, ainda assim, a forma pela qual nós tratamos as pessoas ricas através de nossos sistemas políticos é péssima. Mesmo agora que o mundo inteiro passou a acreditar que o livre mercado e os lucros privados são coisas boas, ainda temos resíduos de uma paixão cega pela igualdade e pelas propostas de redução das desigualdades de riqueza.