Por que não me ufano deste país
17 de Agosto de 2010O Brasil chega este ano às eleições presidenciais de uma forma bastante peculiar. Temas que historicamente mobilizaram debates são de importância bem reduzida neste momento. Cresci à sombra da dívida externa e da inflação, dois problemas hoje basicamente superados. Os juros da dívida pública, quando descontada a inflação, estão em um dígito. A autossuficiência no petróleo é nossa, não estamos com uma moeda desvalorizada e empresas brasileiras começam a se internacionalizar.
Um caminho perigoso
05 de Agosto de 2010
Em tempos de globalização e intensa difusão de informação, é perturbador admitir que indivíduos e meios de comunicação ainda enfrentam inúmeras restrições à liberdade. Na China, por exemplo, o caso de Gao Zhisheng — o ativista chinês dos direitos humanos e ferrenho defensor do estado de direito desaparecido há um ano — mostra como ainda é perigoso expressar certas ideias.
Por que El Salvador quereria imitar o Brasil?
23 de Julho de 2010
Em seu discurso de primeiro ano, o presidente de El Salvador mencionou o Brasil entre os países que tiveram êxito econômico e que ele queria imitar para gerar crescimento. No mesmo alento, disse que queria transformar o país de uma economia “especulativa” em uma “produtiva”. Essas duas afirmações juntas perturbam um pouco a mente, como quando se escutam dois conceitos contraditórios, ou como se aperta os dentes quando alguém arranha um quadro-negro.
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Diplomacia iliberal e antidemocrática
21 de Maio de 2010
Mais liberdade e igualdade para casais gays
20 de Maio de 2010Após tantas semanas falando de proibições e perdas de liberdade, finalmente vou discutir uma tendência favorável à liberdade: a conquista pelos homossexuais dos direitos para constituírem famílias formalmente reconhecidas. Esse processo está avançando rapidamente em países predominantemente católicos, onde, apesar da tolerância no cotidiano ter avançado, ainda há maior resistência à formalização desses direitos. Portugal e Argentina estão em processo de reconhecer o casamento homossexual.
Nem um marinheiro bêbado gastaria tanto (pois seu crédito é limitado)
19 de Maio de 2010Uma epidemia tomou conta do mundo e está longe de receber a merecida atenção das populações afetadas. Trata-se de uma epidemia de irresponsabilidade fiscal. Governos em todos os continentes, guiados por princípios econômicos superficiais que receberam nos EUA o apelido de “keynesianismo de gibi”, decidiram que não há problema que não possa ser resolvido com o aumento desenfreado dos gastos públicos, aquém das possibilidades da nação.
Três teorias politicamente incorretas
11 de Maio de 2010
A primeira teoria: Milocracia
A Milocracia resolveria todos os problemas do Brasil. Mataria todos os coelhos — arrebentando os ossos, esmigalhando os cérebros — com uma cajadada só. Uma bela e única cajadada. A cajadada da sabedoria.
A Milocracia pode ser resumida em uma única linha:
Quer votar? Paga mil.
É isso aí.
Quer votar? Paga mil.
A falta que fazem Itamar e Hargreaves
10 de Maio de 2010Acusações, tricas e futricas entre os poderosos dão-nos saudades do Presidente Itamar Franco e de seu Chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves.
Itamar chegou ao poder por acaso, com a queda de Collor. Era visto por muitos como insignificante e desastrado. Hargreaves era antigo funcionário da Câmara, famoso pelo conhecimento de leis fundamentais para o relacionamento do Executivo com o Congresso. Itamar levou-o para o Palácio.
A banda larga no Brasil e a minha tartaruga
07 de Maio de 2010Oxford (Inglaterra) - Morei em Lisboa de 2007 a 2009. Durante um ano, eu e mais dois colegas de apartamento assinávamos um plano de internet via cabo que nos custava 30 euros por mês para uma velocidade de 8 Megabits por segundo (Mb/s). No segundo ano, em outro apartamento já com a família, pagávamos 55 euros por mês por um pacote de serviços que incluía o serviço de internet via fibra óptica com velocidade de 50 Mb/s, telefone fixo com chamadas gratuitas ilimitadas para qualquer outro telefone fixo de Portugal e 120 canais da TV por assinatura.
Crime: o que é mais importante, o tamanho da pena ou a certeza da punição?
05 de Maio de 2010A agenda do Congresso Nacional relativa à criminalidade é pautada pelo noticiário da semana na TV. (O projeto da “ficha limpa,” que impedirá que condenados por crimes candidatem-se a cargos eletivos, tem pouca chance de ser aprovado).
Parlamentares pouco leem e pouco se informam em profundidade sobre crimes, suas causas e consequências. Quando muito, leem jornais e veem noticiários de TV.