Ordem Livre

 

Ninguém nega que o Brasil é o país da diversidade. Nossa amalgamação cultural faz parte de nossa identidade, do que é ser brasileiro. Como colocou Rex Hudson em estudo para a Biblioteca do Congresso, “o Brasil é extraordinário pela maneira como há uma unidade na diversidade cultural”. Os americanos vêem a América como the melting pot, o caldeirão de povos. Nós também somos. Podemos até não contar com tantos ingredientes, mas o caldeirão de povos que é o Brasil tem uma mistura mais homogênea, consistente, sem tantos caroços culturais e raciais.

Está ocorrendo em Washington a anual Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que reúne por três dias grandes nomes da direita americana em uma série de eventos públicos. No meu terceiro ano em Washington, a tendência que tenho percebido é clara. O movimento conservador americano está cada vez menos neocon e mais libertário, cada vez menos William Kristol e mais William Buckley, cada vez menos Bush e mais Reagan.

Vejam esta lista. Nela encontram-se divididos os vencedores dos prêmios Nobel por país. Os Estados Unidos lideram com 320, o Reino Unido tem 116, a Alemanha 103, a França 57. O Brasil não tem nenhum. Zero. Conjunto vazio. Nossos vizinhos argentinos já somaram cinco. Até a Islândia, com uma população menor do que Piracicaba, já arrematou um Nobel.

O xkcd traz esta semana um quadrinho bastante perceptivo. Nele o personagem tenta chegar a um acordo entre duas versões contrárias da explicação para o 11 de setembro: a dos conspiradores, que acreditam que as torres do World Trade Center foram derrubadas por bombas implantadas pelo próprio governo americano; e a versão comum, que atribui a queda das torres ao choque dos aviões sequestrados pelos terroristas da Al Qaeda. O meio-termo? Uma torre foi implodida, a outra foi derrubada pelo avião-suicida.

O proibicionismo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária está irrefreável. Suas recentes peripécias incluem a proibição do cigarro eletrônico, a proibição de farmácias e drogarias diversificar seus produtos e a proibição da propaganda de colchões com pastilhas de magnetos.

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