Ordem Livre

 

Foi com prazer que li o comentário de Paulo Roberto Almeida acerca de matéria em "O Estado de São Paulo", no último domingo. Em resumo, constata-se que os pobres, no Brasil, pensam que a carga tributária deveria ser menor. Paulo faz uma observação certeira, chamando a atenção para a ausência deste item no debate político.

Comecei, nestes dias de dezembro, a leitura de vários livros, inclusive o de Jonah Goldberg, Fascismo de esquerda (Editora Record) e mais uma vez tive a impressão de que o que chamo de poder transformador da linguagem é mais importante do que nunca.

O Muro de Berlim pode ter fisicamente caído há 20 anos, mas será que todos se deram conta do que ganharam com isso? Uma breve pausa entre uma aula e outra na faculdade recheia minha mente com novas percepções a este respeito. De um lado, um aluno que não quer ler o livro acha que o exercício pode ser resolvido sem a leitura do capítulo. De outro, uma outra que não consegue entender o que significa o índice remissivo de um livro. Mais umas conversas no intervalo e descubro que um terceiro crê piamente que a culpa (culpa!) de estar na faculdade é dos pais, que não o entendem.

Olavo Rocha
Olavo Rocha

A publicação do livro Freakonomics no Brasil causou uma revolução educacional. Uma revolução, é verdade, que se faz sentir apenas lenta e gradualmente. Nos anos 1980, qualquer aluno do ensino médio interessado em temas econômicos poderia ser facilmente enganado por professores mal-intencionados que lhe venderiam sociologia de má qualidade como ciência econômica. Em seguida, claro, ser-lhe-ia dito que tal coisa não era ciência, mas sim uma enganação criada para perpetuar o poder de alguns poucos sobre muitos.

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