Ordem Livre

 

A Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, aprovou no dia 10 de fevereiro uma retaliação comercial aos Estados Unidos depois de o Brasil ter sido liberado pela Organização Mundial do Comércio. A justificativa é revidar o protecionismo do governo americano no setor de algodão. O valor aproximado para que o Brasil recupere o que deixou de ganhar por causa dos subsídios excessivos ao segmento do algodão nos Estados Unidos é de US$ 560 milhões.

No texto "32 reflexões pela liberação das drogas", publicado neste site na segunda passada, Alberto Benegas Lynch faz uma interessante compilação de argumentos sobre o debate relativo aos aspectos legais e morais das drogas. Concordo com parte substancial do artigo. Gostaria apenas de fazer alguns apontamentos sobre pontos do texto que se referem especificamente aos usuários e interessados na permanência da criminalização.

É enorme a quantidade de pessoas que atribuem ao Poder Público um amplo leque de funções e responsabilidades. Se perguntarem a respeito de qualquer tema diretamente relacionado ao dia a dia da população, a opinião corrente dirá: é um direito, portanto, cabe ao estado. Esse anseio de parte da sociedade é oriundo da própria ação do agente político, que tem na promessa de garantir todos os direitos possíveis, a despeito de não prover a maioria e prover mal a minoria, sua moeda de troca para se manter na estrutura de poder que o beneficia e o elege e reelege.

“Não se pode ser um acadêmico qualificado nos campos das ciências sociais e políticas sem conhecer profundamente o assunto”. A afirmação é óbvia? Quantos estão dispostos a trabalhar arduamente para “adquirir o conhecimento comparado das civilizações — não apenas da civilização moderna, mas também da medieval e da antiga, e não apenas do Ocidente, mas também do Oriente Próximo e do Extremo Oriente — e, em contacto com as diversas especializações científicas, manter atualizado esse conhecimento”?

Depois que nos acostumamos com um padrão, dificilmente nos damos conta da perversidade mesma das ações, omissões e intervenções derivadas daquele sistema de regras, normas e leis. Se tal modelo é uma tradição ancorada nos modos de vidas dos diversos grupos sociais, há sempre a possibilidade de mudanças provocadas pelas novas necessidades, incentivos e oportunidades individuais.

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