Ordem Livre

 

O Brasil chega este ano às eleições presidenciais de uma forma bastante peculiar. Temas que historicamente mobilizaram debates são de importância bem reduzida neste momento. Cresci à sombra da dívida externa e da inflação, dois problemas hoje basicamente superados. Os juros da dívida pública, quando descontada a inflação, estão em um dígito. A autossuficiência no petróleo é nossa, não estamos com uma moeda desvalorizada e empresas brasileiras começam a se internacionalizar.

A quem tiver oportunidade, recomendo uma visita ao Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. A instituição inaugurada em 1922 passou recentemente (2009) por uma reforma e a parte liberada ao público não deve nada aos bons museus europeus e americanos. Amplos quadros informativos bilíngues, vídeos com projeção que contam a história da instituição, iluminação adequada, equipe bem treinada e receptiva e ainda cuidados como presença constante de detectores de fumaça.

Popularmente, no Brasil, acredita-se que os intervencionistas estão do lado dos consumidores, e os liberais, das empresas. Essa visão decorre da imagem de que as intervenções são feitas para proteger o consumidor da liberdade de empresa, que colocaria o cidadão comum refém das grandes corporações. De um lado estaria quem defende maior regulação — como aumento da oferta de serviços e preços controlados, exemplo — contra o outro lado, que defenderia a liberdade da empresa definir seus preços e ofertar serviços diferenciados, por exemplo.

Depois de 2 anos cozinhando-a internamente, o governo mandou para o Congresso a sua proposta para o marco regulatório da exploração do petróleo na camada pré-sal. Em democracias sérias, agora é que o debate teria início, com os representantes do povo analisando o que deveria ser não mais do que uma sugestão. Mas aqui em Bruzundangas, o Congresso tem o papel apenas de referendar o que o caudilho Lula mandou. A ordem do Executivo é urgência e votar em 45 dias.

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