Textos

Uma tira de quadrinhos que vi num livro sobre direito natural há muito tempo mostra uma pessoa sendo ‘abordada’ (esse verbo é um galicismo, mas acabou por entrar nos dicionários...) por um homem mascarado. Ele lhe diz algo assim: “Dê-me 47% do seu patrimônio”. E no quadrinho seguinte, enquanto foge, o mascarado continua: “Se não gostar, me processe”. A tirinha satiriza a cobrança de impostos de modo a nos fazer pensar sobre a legitimidade desse procedimento.

Pode parecer a alguns de nós – e ao longo da história, para muitas pessoas dotadas de boas intenções – que as regras da lógica e seus efeitos nas ações humanas sejam restritivos, e portanto danosos à liberdade.

Num dos romances de Philip Roth, The Human Stain [A mancha humana] (2000), o narrador habitual, Nathan Zuckerman, que vive como um escritor recluso, conta a história do seu vizinho, Coleman Silk. O homem é um professor de letras clássicas no ficcional Athena College, a oeste de Massachusetts, nos Berkshires. Entre os vários incidentes da sua vida está um ocorrido em sala de aula.

Andrei Tarkovsky é para muitos o grande gênio do cinema russo da segunda metade do século XX. Ingmar Bergman dele disse certa vez: “Tarkovsky é para mim o maior de todos, aquele que inventou uma nova linguagem, fiel à natureza do cinema, ao capturar a vida como um reflexo, a vida como um sonho”.

No artigo anterior, esbocei uma espécie de resumo da concepção spinoziana de determinismo e liberdade; como vimos, é praticamente impossível encontrar, nesse filósofo, um lugar para conceitos como "livre arbítrio" e mesmo "liberdade". Há um problema, entretanto, que antecede essa questão: é possível responder à pergunta sobre o que é a liberdade?